Advogado sequestrado pelo PCC escapa de tribunal do crime: 'Pensei que fosse perder minha vida'

  • 16/08/2026
(Foto: Reprodução)
Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, contou ter sido sequestrado e levado para uma comunidade, onde participou de um tribunal do crime do PCC Arquivo pessoal e Ministério Público O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, foi sequestrado e mantido refém por cerca de seis horas em um "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Cubatão (SP). Ele escapou após prometer desistir de uma ação judicial. "Pensei que fosse perder minha vida", relatou. O caso motivou a Operação Patrocínio Fiel, que visou identificar e prender os responsáveis. O sequestro ocorreu após a vítima ajuizar um processo contra uma empresa comandada pelo suposto integrante da facção Wagner Rodrigues dos Santos. O objetivo do grupo era forçar o advogado criminalista a abandonar a ação e fornecer o endereço do sócio da empresa que ele representava. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. O profissional explicou que entrou com a ação porque seus clientes teriam sido "expulsos" da empresa por Wagner, com quem tinham relação desde a infância. O suspeito teria prometido pagar um valor referente à parcela dos sócios para que eles deixassem o negócio, o que não aconteceu. O empreendimento, no Guarujá (SP), era de grande interesse do grupo por ter 440 m² em área portuária, três barcos pesqueiros, duas câmaras frigoríficas, três máquinas de limpar camarão e uma de fabricar gelo. Deflagrada pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Militar (PM) na quarta-feira (12), a operação cumpriu mandados em São Paulo e Santa Catarina (SC). William Nascimento Boaventura, apontado como responsável pela emboscada, foi preso. Wagner, que teria atuado como "juiz" do tribunal, está foragido. Um terceiro suspeito morreu. O g1 tentou contato com as defesas de Wagner e de William, mas não conseguiu localizá-las até a última atualização desta reportagem. Operação mira facção suspeita de sequestrar e torturar advogado A emboscada O crime aconteceu em 11 de junho, na Vila Esperança. O advogado criminalista contou que nunca havia conversado com William, mas foi ao local após o suspeito entrar em contato solicitando um serviço de advocacia criminal. O objetivo da contratação seria tentar a liberação de outro suposto integrante do PCC que havia sido preso. Em vez de ir a uma delegacia, o profissional foi orientado a encontrar o homem em uma comunidade. "No trajeto, eu percebi que estava numa fria. Só que eu só tive certeza quando eu cheguei no barraco e eu vi que era um tribunal do crime", relatou. Ele foi mantido em cárcere das 19h à 1h da madrugada seguinte, sofrendo tortura psicológica de cerca de 30 pessoas. Wagner e outros criminosos participavam por videochamada. Após o ocorrido, Rafaell disse ter entendido que o intuito do grupo não era matá-lo, mas amedrontá-lo para que Wagner ficasse com a empresa. O advogado criminalista foi liberado após prometer desistir da ação, o que fez uma semana depois, durante uma audiência. Denúncia e impactos Apesar de ter cedido inicialmente, Rafaell procurou o Ministério Público para denunciar o caso. A investigação foi assumida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Apesar do receio de sofrer represálias, o advogado criminalista decidiu tornar o caso público por acreditar que o silêncio fortalece o crime organizado. “Hoje sou eu. Amanhã é você, depois seu filho e depois o filho de outro”, declarou. Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, contou ter sido sequestrado e levado para uma comunidade, onde participou de um tribunal do crime do PCC Arquivo pessoal Ele também apontou a contradição da facção, que usa o lema "Paz, Justiça e Liberdade". Para o profissional, o grupo agiu com injustiça e cerceou sua liberdade, ultrapassando os limites do próprio discurso. O episódio abalou a saúde mental e a rotina de Rafaell, que passou a desconfiar de ligações de desconhecidos e viu pessoas próximas se afastarem por medo. "Eu fiquei quinze dias sem dormir. Eu tenho medo, pânico às vezes. Meu psicológico ficou muito abalado [...] Não sabia que eu ia perder tudo que eu perdi [após entrar com a ação]. Perdi a minha paz, a minha liberdade”, afirmou. Homem morre durante operação contra facção criminosa em São Vicente, SP VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/08/16/advogado-sequestrado-pelo-pcc-escapa-de-tribunal-do-crime-pensei-que-fosse-perder-minha-vida.ghtml


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