Ana Lúcia Torre transforma 60 anos de carreira em espetáculo e revela ‘frio na barriga’ antes de entrar no palco: 'Se não tiver, não tem graça'

  • 15/08/2026
(Foto: Reprodução)
Ana Lúcia Torre fala sobre vida e carreira em entrevista à TV TEM Aos 80 anos e com seis décadas de carreira, a atriz Ana Lúcia Torre está em Itapetininga (SP) com o espetáculo “Olhos nos Olhos”, com dramaturgia e direção de Sergio Módena. Na montagem, a atriz revisita memórias da própria trajetória a partir de letras de músicas de Chico Buarque. O espetáculo aborda temas como amor, maternidade, separação, resistência, sociedade e passagem do tempo. Itapetininga é a primeira cidade do interior de São Paulo a receber a turnê, que terá oito apresentações no município até 23 de agosto, no Sesi. Depois, a montagem segue para outras cidades do estado, como São Carlos, Ribeirão Preto, Guarulhos e Jundiaí. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Apesar de ter viajado pelo interior paulista desde a infância, por ter familiares na região, a atriz contou ao g1 que nunca havia estado em Itapetininga. A escolha do município para abrir a turnê, segundo ela, faz parte de um circuito realizado pelo Sesi. “O nosso start é aqui”, afirma Ana Lúcia. Nascida em São Paulo, em 21 de abril de 1945, Ana Lúcia Torre começou a trajetória artística no teatro e construiu uma carreira marcada por personagens em novelas, séries e filmes. Ao longo da carreira, participou de produções como Alma Gêmea, O Cravo e a Rosa, Dona Xepa, Verdades Secretas e, mais recentemente, Travessia, além de trabalhos no cinema e em diversas montagens teatrais. Aos 80 anos, Ana Lúcia Torre leva histórias de vida e músicas de Chico Buarque em espetáculo em cartaz em Itapetininga (SP) Divulgação 'Frio na barriga' após 60 anos Mesmo depois de seis décadas nos palcos, a atriz diz que ainda sente "frio na barriga" antes de entrar em cena — e considera isso essencial para o trabalho. “Se não tiver, não tem graça. Eu acho que é isso que deixa a gente pronto internamente para começar a fazer. Porque se você, quando entra no palco, não tem paixão, aí não tem graça nenhuma”, conta. Ela descreve os instantes que antecedem o início da apresentação como um momento de “frisson”. “Eu dou a mão para os meus parceiros e, quando entra em cena, digo ‘boa noite’. Aí a coisa vai ficando mais gostosa. Mas o terceiro sinal e entrar em cena é muito frisson”, diz. Ana Lúcia Torre e Chico Buarque Ana Lúcia Torre abre turnê pelo interior de SP com espetáculo inspirado em Chico Buarque Sesi Itapetininga/Divulgação A relação de Ana Lúcia Torre com Chico Buarque começou ainda no início da carreira dela, quando era estudante na PUC de São Paulo e participou da formação de um grupo de teatro criado para inaugurar o TUCA (Teatro da Universidade Católica). Na época, Chico era aluno de Arquitetura e Urbanismo da mesma universidade e começava a compor. Foi ele quem musicou o poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, espetáculo que inaugurou o teatro, em 11 de setembro de 1965. “Eu conheço o Chico desde essa época. Então, tem todo um significado que, para mim, é muito, muito amoroso.” Para a atriz, a obra do compositor também funciona como um retrato do país. “Eu acho que, na atualidade, ele é o grande historiador do Brasil. Além de ser o grande historiador do Brasil, o Chico é a pessoa que mais consegue nos mostrar o povo brasileiro. Ele nos mostra o malandro, ele nos mostra a mulher de uma forma como nenhum outro conseguiu mostrar. Ele mostra o comportamento do brasileiro diante de situações as mais diversas. Eu acho que ele é um grande observador de tudo.” A ideia de transformar essa relação em espetáculo surgiu depois de uma experiência pessoal. Anos atrás, Ana Lúcia reuniu amigos em casa e escolheu letras de músicas de Chico para interpretar. A reação do grupo despertou a ideia de levar a experiência para o palco. No espetáculo atual, trechos da trajetória da atriz são intercalados com músicas que dialogam com as situações narradas. “A cada trechinho que eu vou falando da minha vida, a gente vai colocando músicas do Chico Buarque que têm a ver com aquilo que eu estou narrando. E deu muito certo.” 'Olhos nos Olhos' O nome do espetáculo também tem relação com a proposta de aproximar atriz e público. Ana Lúcia conta que a intenção, desde o início, era criar uma conversa com a plateia. “Eu gosto de ficar bem pertinho. ‘Olhos nos Olhos’, para a gente poder levar essa história adiante. Alguns dias, depende da plateia, a plateia conversa comigo, pergunta coisas. É muito engraçado, é muito divertido", compartilha. LEIA TAMBÉM Atrizes de Itapetininga contracenam com Camila Pitanga e Bete Coelho na peça 'Lia Lia': 'Parece um sonho' Ana Lúcia Torre, Afonso Padilha, Mostra das Nações e mais: confira as atrações deste fim de semana na região de Itapetininga Projeto Guri abre inscrições para aulas gratuitas de música e canto em Itapetininga A atriz considera justamente essa troca uma das principais diferenças entre o teatro e outras áreas em que atua. “Eu, Ana Lúcia, sou cria do teatro. Quer dizer, eu, como atriz, nasci no teatro. A minha grande referência de trabalho é com o teatro. Adoro fazer cinema, gosto da televisão, mas a minha casa é o teatro.” Para ela, o palco cria uma relação presencial que não existe da mesma maneira no cinema e na televisão. “No teatro, o ator vai construindo com a plateia essa sensação, essa vontade de assistir o que vem depois. De um lado, uma pessoa se dispõe a contar histórias e, de outro, um bocado de gente se dispõe a ouvi-las, divertindo, olhos nos olhos.” Ana Lúcia Torre apresenta a peça 'Olhos nos Olhos' durante turnê no interior paulista Divulgação Histórias que encontram o público A resposta dos espectadores também mostra, segundo Ana Lúcia, como diferentes pessoas encontram diferentes significados na peça. Depois das apresentações, ela costuma conversar com quem a espera. Nessas conversas, já ouviu relatos sobre maternidade, relacionamentos e até sobre o período da ditadura militar. “Você pega cada pessoa num momento específico. E alguma coisa do seu espetáculo vai bater numa pessoa e não vai bater na outra.” A montagem também aborda a maternidade e estabelece contrastes entre experiências pessoais da atriz e personagens presentes nas músicas de Chico. “Eu falo sobre a maternidade, eu falo sobre quando eu fui mãe e como foi. Isso tudo e como foi prazeroso, divertido e alegre. (...) Eu vou falar do ‘Meu Guri’, do Chico, que é o oposto disso. Então, a gente está trabalhando também muito com essas contradições do dia a dia. E isso é uma coisa que me interessa.” Ana Lúcia Torre apresenta a peça 'Olhos nos Olhos' durante turnê no interior paulista Divulgação Novela Alma Gêmea e os memes Outra parte da carreira de Ana Lúcia Torre que ganhou nova vida entre as gerações mais jovens foi a personagem Débora, da novela “Alma Gêmea”. Cenas da produção, especialmente as relacionadas aos famosos “refrescos”, continuam circulando nas redes sociais e viraram memes. Para a atriz, ver o trabalho alcançar um público novo é motivo de satisfação: "É muito prazeroso para mim, porque Alma Gêmea foi um trabalho que eu fiz com enorme prazer. Eu e Flávia Alessandra nos dedicamos profundamente a esse trabalho.” Ela conta que as duas chegavam uma hora antes das gravações para estudar juntas as cenas. “Nós fizemos uma coisa que raramente acontece em TV. Todos os dias de gravação nós chegávamos uma hora antes, só nós duas, para estudar o texto juntas. E nós fizemos isso do primeiro dia de gravação até o último.” “Eu fico extremamente lisonjeada e agradecida, porque eu acho fantástico esse reconhecimento vindo do público de uma forma tão espontânea em várias situações ao longo desses anos todos. Não podia ter um retorno melhor do que esse", completa. Em Alma Gêmea, Ana Lúcia Torre interpretou a vilã Débora Reprodução/Globo Próximos projetos Embora esteja com a agenda dedicada ao espetáculo, Ana Lúcia não pretende parar. A montagem estreou em outubro de 2025 e já tem apresentações previstas até julho de 2027. Por enquanto, aos 80 anos, a atriz segue viajando pelo país com suas histórias, as letras de Chico Buarque e a relação direta com o público. "Então, por enquanto, eu estou quieta no meu canto. 100% dedicada ao projeto, ao espetáculo", finaliza a atriz. O espetáculo Olhos nos Olhos, estrelado por Ana Lúcia Torre, integra o projeto Sesi Viagem Teatral – Espetáculos Não Inéditos. A montagem tem classificação indicativa de 12 anos e entrada gratuita. Para reservar os ingressos, é necessário acessar o site. Teatro do Sesi Itapetininga Divulgação Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/08/15/ana-lucia-torre-transforma-60-anos-de-carreira-em-espetaculo-e-revela-frio-na-barriga-antes-de-entrar-no-palco-se-nao-tiver-nao-tem-graca.ghtml


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