Analista contábil do interior de SP teve cargo de ‘presidente da República’ registrado na carteira de trabalho durante 10 anos
23/05/2026
(Foto: Reprodução) Moradora de Piraju (SP) foi registrada como presidente da República durante 10 anos
Arquivo Pessoal
Uma moradora de Piraju, no interior de São Paulo, também teve o registro de “presidente da República” lançado na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
A analista contábil Sandra Regina Cardozo, de 51 anos, relata que, entre 1999 e 2009, foi registrada no cargo mais alto da política brasileira. Apesar do primeiro caso ter sido divulgado pelo g1 nesta terça-feira (19), o da técnica de enfermagem Aldenize Ferreira, a moradora do interior paulista sabia do registro desde 2022.
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“Em 2022, eu fui fazer um curso de Recursos Humanos e a professora explicou sobre a carteira digital e pediu para a gente baixar o aplicativo. Eu baixei e comecei a olhar como funcionava, ver meus registros, e vi que eu estava registrada como presidente da República”, relembra.
Técnica de enfermagem é registrada como presidente da República em carteira de trabalho
Além desse registro, consta também, entre dezembro de 1999 e janeiro de 2010, a ocupação de secretária executiva, função que ela afirma não ter exercido.
Sandra conta que, à época, os colegas chegaram a brincar com a situação e que levou o caso de forma descontraída. Anos depois, a mesma professora que a orientou a baixar o aplicativo voltou a comentar o assunto ao ver reportagens sobre registros semelhantes.
“Essa semana, a minha professora me mandou um vídeo e disse: ‘lembrei de você, do seu caso’. Ela viu a reportagem no g1 da senhora que está com o registro de presidente da República”, relata.
Com a repercussão dos casos, Sandra afirma que passou a se preocupar com possíveis impactos na aposentadoria.
“Faltam apenas cinco anos para eu me aposentar, então o meu maior medo é que lá na frente isso possa dar algum problema e eu perca esse tempo de serviço. Apesar de eu ter minha carteira física, onde consta meu tempo de trabalho”, diz.
Ela afirma ainda que, durante o período em que constaria como “presidente da República”, trabalhava registrada como secretária de vendas em uma concessionária, função que também consta em sua carteira.
“Trabalhava com financiamento. Esse registro consta na minha carteira. Mas estou preocupada em relação a eu perder esse tempo para minha aposentadoria. Misericórdia”, desabafa.
Cargo de secretária executiva também aparece na carteira de trabalho de Sandra, função que ela afirma não ter exercido
Arquivo Pessoal
Outro ponto que chama a atenção de Sandra é o endereço que consta nos registros incorretos. Segundo ela, a Rua Renato Dardes, nº 255, em Piraju, abrigava um jornal onde ela trabalhou em 1989.
O g1 procurou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e questionou sobre os registros incorretos e aguarda retorno do órgão.
Outros casos
Técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva foi registrada em carteira de trabalho digital como presidente da República
Reprodução/WhatsApp
O primeiro de registro errado na Carteira de Trabalho e Previdência Social, divulgado pelo g1, foi de o Aldenize Ferreira da Silva. Ao procurar emprego na Agência do Trabalhador de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, a técnica de enfermagem descobriu que o nome dela consta, há 24 anos e 2 meses, como ocupante do cargo de presidente da República.
Após a divulgação do caso de Aldenize, mais duas mulheres contaram ter descoberto o registro como presidente da República. Claudia da Silva, de 53 anos, e Suelane Fonseca, de 49 anos, também são de Jaboatão dos Guararapes.
O cargo, que é um erro de registro da prefeitura da cidade, está na carteira de trabalho de cidadãs, que denunciaram o erro no Canal Globo.
Na Paraíba, ao menos três pessoas também encontraram o registro de presidente da República na carteira de trabalho.
No Rio de Janeiro, uma professora da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec) também foi registrada como presidente da República.
Professora da Faetec registrada como presidente da República tinha salário de R$ 1,6 mil
Reprodução
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