André Weiss, ex-número 3 da Sefaz preso em SP, escolheu grupo que revisaria isenções do caso Ultrafarma e FastShop

  • 03/09/2026
(Foto: Reprodução)
MP prende ex-número 3 da Fazenda de SP e advogado em operação contra esquema de propina André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP), preso nesta quinta-feira (3) durante a chamada Operação Caldarium, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), foi o responsável por escolher o grupo técnico que iria revisar as isenções do escândalo tributário envolvendo a Ultrafarma e a FastShop em São Paulo. Weiss era o número 3 da Sefaz-SP durante a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e foi delatado pelo ex-auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como "PP", como tendo conhecimento do esquema de propinas na Sefaz-SP. O g1 tenta contato com a defesa de André Weiss, mas ainda não teve retorno. Andre Weiss (esquerda) e o advogado João Buttini Reprodução No último mês de julho, Paulo Sérgio firmou um acordo de delação premiada com o MP-SP no processo que investiga um esquema bilionário de pagamento de propinas de empresas dentro da secretaria. PP é diretamente ligado aos auditores Artur Gomes da Silva Neto, o "Rei Artur", e Alberto Toshio Murakami, apelidado de "Americano", investigados no esquema ligado às empresas Ultrafarma e FastShop. Segundo o Diário Oficial do Estado, André Weiss nomeou, em 14 de agosto de 2025, oito fiscais que seriam responsáveis pela revisão de processos, protocolos e normatização relacionados ao ressarcimento do ICMS retido por substituição tributária no caso Ultrafarma e FastShop. Entre os oito fiscais nomeados por ele está o fiscal Arthur Rafael Gatti Alvares, que também aparece como envolvido em fraudes tributárias dentro da pasta. Segundo investigação dos promotores, em outubro de 2025, após a Operação Ícaro, que prendeu o líder das fraudes, Arthur da Silva Neto, o "Rei Artur", o fiscal Arthur Gatti revelou a outro fiscal da pasta, Valmir Lucas, que o colega Daniel Makita estava preocupado com o avanço das investigações do MP-SP. Os ex-auditores fiscais de São Paulo Artur Gomes da Silva Neto, Alberto Toshio Murakami e Paulo Sérgio Siqueira do Prado. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo A preocupação era a de que Makita havia processado irregularmente pedidos de ressarcimento de empresas, possíveis alvos de revisão do Grupo de Trabalho formado pela Secretaria da Fazenda por André Weiss. No celular do "Rei Artur", os promotores descobriram o áudio de um almoço de negócios gravado pelo próprio líder do esquema, onde Arthur Gatti e André Weiss participam. Na conversa, Weiss fala da preocupação em ser preso e algemado, e também alerta os demais participantes sobre a preocupação em não ostentarem os ganhos do esquema irregular (leia mais aqui). "Se eu comprar uma Mercedes... eu não vou comprar uma Mercedes seminova... 250 pau uma Mercedes, né... se você aparece na Delegacia, cara... isso aí vai sair no jornal", afirmou. Em seguida, acrescentou: "Você é algemado... chega um promotor pra me prender na hora lá." A conversa ocorreu em 27 de julho de 2023, menos de um mês antes da primeira entrega de propina relatada pelo ex-delegado regional tributário do Butantã Paulo Sérgio Siqueira Prado, que firmou a colaboração premiada com os promotores. Para o MP-SP, a conversa do grupo "evidencia que a corrupção na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo era uma prática disseminada, sendo inclusive motivo de piada entre os agentes fiscais". Os promotores também afirmam que o teor das conversas descobertas com o "Rei Artur" demonstra que André Weiss ocultava seu endereço e bens, não possuindo dados de consumo em seu nome, sendo tudo registrado em nome de sua esposa, Beatriz Sbrissa Lucafó. No nome de Beatriz, os promotores encontraram inúmeros imóveis milionários nas cidades de São Pedro, Piracicaba, Jundiaí e Rio das Pedras, no interior de São Paulo. Alguns foram pagos, inclusive, em dinheiro em espécie, segundo a denúncia do MP-SP. Decreto publicado por André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP), preso nesta quinta-feira (3) durante a chamada Operação Caldarium Reprodução/DOESP Movimentações bancárias O mesmo relatório a que o g1 teve acesso reúne comunicações de movimentações bancárias atípicas e milionárias de André Weiss em três instituições, incompatíveis com seu salário da Secretaria da Fazenda: Santander: dezembro de 2021, cerca de R$ 1,6 milhão; Banco do Brasil: maio de 2023, cerca de R$ 2,6 milhões; Caixa Econômica Federal: novembro de 2023, superior a R$ 2,4 milhões. "As cifras são manifestamente incompatíveis com os vencimentos de um servidor público e coerentes com o recebimento da propina descrita na colaboração (cerca de R$ 4,5 milhões entregues 'em mochilas')." "Weiss replica no núcleo público o mesmo modelo de blindagem observado no núcleo do advogado do esquema. Ele emprega interpostas pessoas — a companheira, familiares como o cunhado, o falecido pai Eugen Weiss e a filha", diz a investigação a que o g1 teve acesso. Herança do pai No caso do pai de André, Eugen Weiss, os promotores descobriram no sistema notarial brasileiro um inventário encerrado em 17 de julho de 2023, no 2º Tabelião de Notas, tendo André Weiss como herdeiro. O documento indica que o valor da operação foi de R$ 99,9 milhões em bens de Eugen repassados ao herdeiro. "A cifra é manifestamente incompatível com o perfil do falecido, que foi engenheiro aposentado, pesquisador do IPT, e escritor que publicou seu primeiro romance aos 70 anos (finalista do prêmio Jabuti em 2017). É uma trajetória incongruente com um espólio de cem milhões de reais", afirma o documento entregue à Justiça. "Ao próprio COAF, o cartório comunicou, quanto finalizou o mesmo inventário, valor de apenas R$ 579 mil, com valor fiscal de R$ 223 mil. (...) Tudo indica tratar-se de inventário superavaliado, destinado a conferir origem aparentemente lícita — a herança paterna — a recursos de proveniência ilícita, em típica operação de integração no ciclo de lavagem de dinheiro", declaram os promotores do caso. Justiça homologa delação premiada de ex-auditor fiscal investigado em esquema bilionário

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/03/andre-weiss-ex-numero-3-da-sefaz-preso-em-sp-escolheu-grupo-que-revisaria-isencoes-do-caso-ultrafarma-e-fastshop.ghtml


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