Câmera registra momento em que professor é espancado no metrô de SP; caso é investigado como homofobia

  • 01/10/2026
(Foto: Reprodução)
Professor é agredido dentro do metrô de SP; caso é investigado como homofobia Câmeras de segurança registraram o momento em que o professor de inglês Ricardo Akira foi espancado por um passageiro na plataforma de uma estação da Linha 5-Lilás, na Zona Sul de São Paulo. O ataque aconteceu em 11 de julho, e o g1 teve acesso às imagens com exclusividade nesta semana (veja acima). As imagens mostram Ricardo sendo empurrado para fora do vagão e, em seguida, sendo atingido com socos na cabeça. O homem também derruba o professor no chão e dá chutes nas costas dele. Quando Ricardo tenta se levantar, é jogado contra uma parede e volta a ser derrubado na plataforma. O ataque dura cerca de um minuto. O agressor foi identificado como Rafael Pereira Gonçalvez Lima, de 41 anos. O caso é investigado como homofobia e lesão corporal em um inquérito instaurado pela Delegacia do Metropolitano (Delpom). Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), as imagens foram anexadas à investigação e Rafael foi intimado para prestar depoimento. Procurado pelas redes sociais, ele não se manifestou até a última atualização desta reportagem. Ricardo contou ao g1 que seguia para o trabalho quando foi agredido pelo desconhecido que, segundo ele, gritava ofensas homofóbicas e o acusava de tê-lo filmado dentro do vagão. A agressão deixou cortes e hematomas no rosto e na cabeça e uma perfuração no tímpano. Desde então, o professor diz ter medo de andar de metrô sozinho. Professor é agredido por passageiro na Linha 5-Lilás. Montagem/g1/Arquivo pessoal BO foi registrado inicialmente como lesão corporal Inicialmente, o boletim de ocorrência foi registrado como lesão corporal de forma recíproca. Ricardo e Rafael foram classificados como “vítima/autor” na ocorrência. Segundo Ricardo, a polícia se recusou inicialmente a registrar o caso como homofobia. Ele afirma que precisou pedir mais de uma vez para que a palavra fosse incluída no registro e que Rafael também foi considerado vítima porque teve um ferimento na mão durante as agressões. “Com a escrevente foi complicado, porque tive que pedir umas três vezes para constar a palavra ‘homofobia’ no registro.” Posteriormente, a SSP informou que o caso passou a ser investigado também como homofobia. Ricardo deixou de constar como autor e passou a figurar apenas como vítima. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: casal é vítima de homofobia dentro de vagão da Linha 4-Amarela em SP; 'estou tremendo até agora', diz vítima Professor é espancado no metrô de SP e diz ter sido vítima de homofobia Dinâmica da agressão Era sábado de manhã, e o professor de inglês estava a caminho do trabalho. Uma das câmeras mostra Ricardo na plataforma às 7h37, esperando o trem chegar. Rafael passa por ele e fica a cerca de duas portas de distância. Dois minutos depois, quando a composição chega à estação, o homem, que usava uma máscara branca, se aproxima e fica atrás do professor na fila. Os dois entram no mesmo vagão. Segundo Ricardo, ele ficou em pé no meio do trem, lendo no celular o material da aula que daria naquele sábado, quando sentiu um chute na perna. “Era uma pessoa totalmente desconhecida, nunca vi na minha vida. Algumas estações antes da que eu desceria, senti um chute na perna. Não foi forte, mas foi um chute. Tinha um homem que estava perto, pareceu que foi proposital [...] Ele não teve reação nenhuma, sem contato visual”, disse. Às 7h48, quando chegou à estação onde desembarcaria, o professor foi empurrado para fora do vagão assim que as portas se abriram. Em seguida, Rafael partiu para cima dele. As imagens mostram o homem desferindo socos na região da cabeça de Ricardo. Na sequência, ele derruba o professor no chão e passa a chutá-lo pelas costas. Ricardo estava a caminho do trabalho, quando foi agredido. Arquivo pessoal Quando a vítima consegue se levantar, o agressor a joga contra uma parede e a derruba novamente na plataforma. Depois, dá mais chutes e socos. Durante a agressão, outros passageiros observam a cena, mas não interferem. “Ficou intercalando entre parede e chão. Toda vez que me socava, eu caía e tentava levantar. Tinha um grupo de pessoas afastado observando. Eu gritei por socorro, mas ninguém de fato ajudou.” Ainda segundo Ricardo, durante as agressões, o homem gritava ofensas homofóbicas e dizia que o professor o havia filmado dentro do vagão. Em determinado momento, Ricardo consegue escapar e corre em direção à escada rolante da estação. Ele diz que foi nesse momento que recebeu ajuda de outras pessoas. As imagens também mostram um segurança da Motiva, responsável pela gestão da Linha 5-Lilás, correndo em direção à plataforma. Rafael joga a mochila no chão e conversa por cerca de dez minutos com os funcionários. Segundo o professor, os seguranças levaram os dois para salas separadas. Após ouvir as testemunhas e as partes, acionaram a Polícia Militar e levaram Ricardo e Rafael para a UPA Vila Mariana. “Levaram nós dois no mesmo carro do Metrô para a UPA. Só tinha um veículo. Me colocaram na frente, e ele foi atrás. Tinha uma divisória branca opaca, mas dava para ouvir claramente o homem lá atrás.” Ricardo permaneceu algumas horas em observação na UPA, onde recebeu atendimento médico e fez um raio-X. Ao chegar ao 27º Distrito Policial, onde a ocorrência foi registrada, Ricardo afirma que o agressor já havia deixado o local, assim como os funcionários da concessionária. Segundo o professor, Rafael foi levado à delegacia, mas acabou liberado após o registro do boletim de ocorrência.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/10/01/camera-registra-momento-em-que-professor-e-espancado-no-metro-de-sp-caso-e-investigado-como-homofobia.ghtml


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