Caso Larissa Morata: Trajetória da bala embasou pedido de prisão de PM suspeito de matar esposa
08/09/2026
(Foto: Reprodução) Trajetória da bala embasou prisão de PM
A trajetória da bala que matou a técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, foi um dos elementos que embasaram o pedido de prisão temporária do marido dela, o soldado da Polícia Militar (PM) Vinícius Costa Silva, de 26 anos.
Informações preliminares dos peritos dão conta de que o disparo que matou a mulher foi dado da esquerda para a direita, acima da orelha esquerda, na parte detrás da cabeça. Como Larissa é destra, seria improvável ela fazer isso. Motivo pelo qual essa possibilidade acabou afastando a hipótese de suicídio.
O soldado da PM é investigado por suspeita de envolvimento na morte da esposa, no último domingo (6), na residência do casal, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. A Justiça comum decretou sua prisão a pedido da Polícia Civil. Vinicius foi levado na segunda-feira (7) para o presídio Romão Gomes da PM, na capital paulista.
Segundo a delegada Bruna Caracho Crippa, responsável pela investigação, a versão de suicídio foi descartada após o Instituto Médico Legal (IML) identificar durante o exame necroscópico detalhes sobre o trajeto do projétil e a forma como Larissa morreu. A principal hipótese investigada é de feminIcídio.
A defesa diz que Vinicius confia que os depoimentos, os elementos documentais e, principalmente, os exames e laudos periciais permitirão esclarecer de forma objetiva a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não praticou qualquer crime contra Larissa.
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Reprodução
"A médica legista observou alguns dados curiosos em relação sobre o trajto e a trajetória desse projétil e a forma como essa moça, essa mulher veio a óbito e somado também há outras razões. Formei o juízo de convicção e decidi representar pelo pedido da prisão temporária dele", disse a delegada, na segunda-feira (7), à imprensa. "Eu concluí que nós tinhamos elemento de crime".
A arma do PM, uma pistola Taurus calibre 357, que teria sido supostamente usada por Larissa para tirar a própria vida, na versão do marido, foi apreendida pela polícia. Ela será periciada pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnico-Científica.
Segundo os peritos, o tiro não foi à queima-roupa. Para eles, Larissa foi baleada pelas costas enquanto estava em pé.
Vinicius negou à investigação a senha de seu celular para ser periciado. O aparelho foi apreendido. Policiais suspeitam que o soldado possa ter apagado mensagens de conversas com Larissa.
O que o soldado diz
Vinicius e Larissa eram casados. Técnica deixa um filho que teve com policial militar.
Reprodução/Arquivo pessoal
Vinicius nega o crime e diz que Larissa se matou após ele pedir a separação. A família não acreditou nessa versão e falou que a mulher foi vítima de feminicídio.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso segue sendo investigado como "morte suspeita" a esclarecer. E a principal hipótese investigada passou a ser de assassinato.
A Delegacia Central de Embu das Artes aguarda os resultados dos exames do IML e do IC para confirmar que Larissa foi assassinada por Vinicius. Os peritos também vão marcar uma data para fazer a reconstituição do caso.
Quando isso ocorrer, ele poderá ser indiciado por feminicídio, que é o assassinato de uma mulher por razões da condição do sexo feminino. Se condenado, a pena poderá ser de 20 a 40 anos de prisão.
Como Larissa foi encontrada
Larissa tinha 29 anos. Ela foi encontrada morta no banheiro da casa onde morava com o marido PM em Embu das Artes, Grande SP.
Reprodução/Arquivo pessoal
Testemunhas também disseram que suspeitam que o marido estivesse interessado em herdar os bens que a esposa havia adquirido, como alguns imóveis.
A mulher morava com o soldado Vinicius e o filho do casal, que tem 2 anos. Os três estavam no imóvel no momento do disparo. A irmã do policial também estaria na residência. O marido acionou a PM, que foi ao local e encontrou Larissa morta dentro do banheiro. Ela foi atingida por um tiro na cabeça.
A arma usada pertence a Vinícius e foi encontrada embaixo do corpo de Larissa. O revólver foi apreendido para perícia, assim como o coldre, o carregador, munições e o estojo de munição.
O marido contou que Larissa chorou e se matou após ele dizer que não a amava mais e queria se separar. Depois disse que foi dormir no quarto e acordou com um barulho. Ao ver o que era, encontrado a mulher caída no banheiro.
Mulher de PM é encontrada morta com tiro na cabeça e arma do marido sob o corpo em Embu das Artes
Além de Vinicius, a irmã dele, que estava no imóvel antes do disparo, contou à investigação ter ouvido o casal conversar sobre se separar.
Ele está no mesmo presídio militar para onde foi levado o tenente-coronel Geraldo Neto, preso preventivamente acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, em 18 de fevereiro deste ano.
Vinicius passou por audiência de custódia na Justiça, que manteve a prisão temporária por 30 dias..
O que diz a defesa de Vinícius
Por meio de nota, o advogado Roberto Montanari, que defende Vinicius, se posicionou sobre a prisão de seu cliente:
"Desde o primeiro momento, Vinicius relatou às autoridades que Larissa tirou a própria vida. Trata-se de uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal.
Vinicius jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho, sem qualquer histórico de violência anterior.
Nesse sentido, importante destacar também que a irmã de Vinicius estava na residência no momento dos fatos, sendo importante testemunha que já esclareceu as circunstâncias em seu depoimento à autoridade policial.
Ao perceber o ocorrido, Vinicius adotou imediatamente todas as providências que estavam ao seu alcance. Acionou a Polícia Militar por meio do telefone 190, solicitou atendimento de emergência, comunicou a família de Larissa e permaneceu no local até a chegada das autoridades.
Posteriormente, compareceu à delegacia, prestou os esclarecimentos que lhe foram solicitados e permaneceu, desde o início, à disposição da Polícia Civil, colaborando integralmente com a apuração. A investigação também terá acesso a conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento.
A defesa considera esse material relevante para a adequada compreensão do contexto e para o esclarecimento dos fatos.
Por respeito à intimidade de Larissa, ao filho do casal e ao trabalho das autoridades responsáveis pela investigação, o conteúdo integral dessas mensagens não será divulgado publicamente neste momento.
Vinicius confia que os depoimentos, os elementos documentais, as conversas anteriormente mencionadas e, principalmente, os exames e laudos periciais permitirão esclarecer de forma objetiva a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não praticou qualquer crime contra Larissa.
Diante da gravidade da situação, a defesa pede cautela na divulgação de informações ainda não confirmadas pela investigação, especialmente aquelas capazes de criar conclusões antecipadas sobre fatos que permanecem sob apuração técnica.
O momento exige respeito à memória de Larissa, ao sofrimento de todos os familiares e, de maneira especial, à preservação do filho do casal. A defesa permanecerá à disposição para os esclarecimentos necessários, sempre respeitando o trabalho das autoridades e o regular andamento das investigações."
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