Conheça o médico de Sorocaba que foi 1º goleiro do Palmeiras e ficou conhecido como 'campeão do bisturi'

  • 18/10/2026
(Foto: Reprodução)
Conheça a história do médico sorocabano que foi goleiro e 'campeão do bisturi' Mais de quatro décadas após a sua morte, a trajetória do médico José Stilitano ainda permanece como uma das mais marcantes da história da saúde em Sorocaba (SP). Ele dedicou mais de 60 anos à profissão, ficando conhecido internacionalmente em 1945 como o "campeão do bisturi" pela quantidade de cirurgias que realizou. Neste Dia do Médico, celebrado em 18 de outubro, o g1 relembra a história do filho de imigrantes italianos nascido em Sorocaba em 14 de setembro de 1897 e dono de uma trajetória profissional que se confunde com a própria história da Santa Casa, instituição que o homenageia com um busto no jardim da entrada, na Avenida São Paulo. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Busto do médico José Stilitano em frente à Santa Casa de Sorocaba (SP) Eric Mantuan/g1 Ali, ao longo da carreira, ele tornou-se referência como clínico e cirurgião, realizando procedimentos considerados complexos para a época, como a extração de balas de órgãos como o coração e o cérebro, e mantendo uma rotina que chegava a sete ou oito operações por dia. A face curiosa dessa história é que, na juventude, Stilitano também entrou para a história por outro feito que também envolve as suas mãos: foi o primeiro goleiro do Palestra Itália, atual Palmeiras, que fez seu primeiro jogo em 25 de janeiro de 1915, contra o Savoia, em Votorantim, vencendo por 2 a 0. LEIA TAMBÉM Revolução Liberal de 1842: entenda o movimento que transformou Sorocaba na capital de São Paulo É possível morar ou trabalhar em Sorocaba sem estar em Sorocaba? Levantamento mostra que sim De lei que proíbe termo 'marginal' a 90 mil carros por dia: Avenida Dom Aguirre completa 50 anos Conforme o historiador palmeirense Fernando Galuppo, o ingresso de Stilitano no Palestra se deu da mesma forma que muitos de seus companheiros de origem italiana. "Quando o Palestra foi fundado, em 26 de agosto de 1914, houve um chamamento aos melhores futebolistas de ascendência italiana que jogavam em São Paulo para participar da formação da primeira equipe de futebol do clube, através do Jornal Fanfulla, um dos maiores veículos de comunicação do período, escrito em língua italiana e voltado majoritariamente para os interesses dessa comunidade", relata. Elencos de Palestra Itália e Savoia no jogo disputado em 1915, em Votorantim Arquivo pessoal / Gerson Junior O pioneiro Palestra Itália foi a campo com Stilitano; Bonato e Fúlvio; Police, Bianco e Valle; Cavinato, Américo, Alegretti, Amílcar e Ferré. Todos os atletas tinham outros clubes como origem. Com 18 anos, Stilitano era filiado ao Clube Atlético Paulistano, onde foi campeão paulista em 1916. Antes, no dia 3 de outubro de 1915, o futuro médico fez a sua segunda e última partida na meta palestrina, em amistoso diante do Santos, no antigo campo do Velódromo, na capital paulista. O placar registrou a vitória santista pelo placar de 7 a 0, a maior derrota palestrina em clássicos em toda a sua história. A carreira esportiva, segundo o jornal Cruzeiro do Sul, terminou no segundo ano da faculdade porque "brigou com outro jogador e isso não era admitido pelo Paulistano, time essencialmente aristocrático". Mas não se afastou totalmente do futebol: presidiu o São Bento durante a década de 1930, chegando a rever o Palestra em 25 de fevereiro de 1934, no jogo festivo da inauguração do Estádio da Rua dos Morros (atual Estádio Humberto Reale) contra o segundo quadro alviverde que terminou em 2 a 2. O jovem Stilitano, ainda estudante de medicina, e depois presidente do São Bento, nos anos 1930 Reprodução 18 anos de convívio Pascoal Martinez, hoje figura central do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), foi gestor da Santa Casa em um dos períodos em que José Stilitano atuou no local. Ao g1, ele contou que o médico, formado em 1921 pela Faculdade de Medicina de Pinheiros, hoje Universidade de São Paulo (USP), dedicou-se "de corpo e alma" à medicina e nunca tirou férias, fez passeios ou teve horas de lazer. Segundo Martinez, o médico era procurado dia e noite por pacientes de Sorocaba, de cidades vizinhas, de locais distantes e até de outros estados, em razão da fama de sua capacidade profissional. Basílio Cassar, então presidente da Sociedade Médica de Sorocaba; Pascoal Martinez Munhoz, administrador da Santa Casa, e o médico José Stillitano, então diretor clínico, em foto de 1979 Arquivo Pessoal Martinez relatou que Stilitano se dedicava com "amor, carinho e persistência" à cirurgia, para a qual tinha vocação e entusiasmo. Para ampliar os conhecimentos, ele fez duas viagens de estudos à Europa. Em 1924, foi à Itália, onde fez iniciação cirúrgica na Universidade de Pádua e teve o valor profissional reconhecido pelo professor Mario Donati. Em 1926, esteve em Paris, na França, onde frequentou a clínica de Antonin Gosset, no Hospital da Salpêtrière, e principalmente a do professor Victor Pauchet. Em agosto de 1932, Stilitano e sua equipe foram designados para organizar o serviço hospitalar de tratamento dos feridos da Revolução Constitucionalista. Pelo trabalho, ele foi distinguido pela Assembleia Legislativa de São Paulo com a Medalha da Constituição. Busto do médico José Stilitano está instalado no jardim da Santa Casa de Sorocaba (SP) Eric Mantuan / g1 Em 1938, ainda conforme o amigo, Stilitano recebeu uma homenagem popular promovida por um grupo de ferroviários, em reconhecimento aos serviços prestados à classe. A população de Sorocaba se solidarizou com o gesto, e a gratidão foi eternizada em bronze: o pilar com o busto do médico, instalado no jardim da Santa Casa. Fora da medicina, Stilitano presidiu o Gabinete de Leitura Sorocabano e o Esporte Clube São Bento, além de ser presidente emérito do Sorocaba Club de 1938 a 1942 e de 1944 a 1945, e do União Recreativo. Além disso, tinha boa cultura literária. "A minha formação humanística devo a ele", afirmou Martinez. O médico José Stilitano em dois momentos da vida: como presidente do Sorocaba Club, nos anos 1940, e já idoso Reprodução Registrado na história José Stilitano é uma das personalidades retratadas no livro dos 222 anos da Santa Casa de Sorocaba. Para o jornalista Vanderlei Testa, registrar sua trajetória na obra representou uma oportunidade histórica de resgatar a memória de um médico que se dedicou integralmente à cura de milhares de pessoas. Vanderlei Testa escreveu livro sobre a Santa Casa de Sorocaba (SP), onde também fala sobre José Stillitano Vanderlei Testa/Teófilo Negrão Segundo Testa, durante décadas, sorocabanos que buscavam tratamento fora da cidade ouviam uma afirmação recorrente entre profissionais da saúde e pacientes experientes: “Se você tem, na Santa Casa de Sorocaba, o doutor Stilitano, não precisa de outro médico”. A frase, afirma o jornalista, sintetizava o respeito, a confiança e a admiração conquistados pelo médico ao longo da carreira. Stilitano era reconhecido pela combinação entre conhecimento técnico, precisão nos diagnósticos e compromisso humano com os pacientes, características que o transformaram em referência na medicina regional. José Stilitano em entrevista ao jornal Cruzeiro do Sul nos anos 1970 Reprodução / Jornal Cruzeiro do Sul Essa reputação também foi registrada pelo jornal Cruzeiro do Sul na cobertura de sua morte. Em reportagem publicada em 21 de março de 1981, o então provedor da Santa Casa, Walter Leme dos Santos, afirmou que o médico representava uma geração de profissionais que acompanhava o paciente "dos pés à cabeça". Segundo o dirigente, cerca de 40% dos partos realizados em Sorocaba entre 1928 e 1950 tiveram a participação de Stilitano. A mesma reportagem destacou que, em 1945, ele recebeu de uma revista argentina o título de "campeão do bisturi" por ter realizado o maior número de cirurgias da América do Sul naquele ano. José Stilitano morreu em 20 de março de 1981, em Sorocaba (SP) Reprodução / Jornal Cruzeiro do Sul Para além da atuação profissional, José Stilitano, ainda conforme Testa, é lembrado como um símbolo de segurança e esperança para muitas famílias. Na avaliação do jornalista, seu trabalho ajudou a escrever capítulos importantes da história da saúde de Sorocaba, deixando um legado preservado tanto nos registros da Santa Casa quanto na memória de gerações de pacientes atendidos por ele. José Stillitano e Dom José Melhado Campos, Bispo Diocesano de Sorocaba (SP) Acervo Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/10/18/conheca-o-medico-de-sorocaba-que-foi-1o-goleiro-do-palmeiras-e-ficou-conhecido-como-campeao-do-bisturi.ghtml


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