Corregedoria indicia PMs que faziam segurança para diretores da Transwolff investigados por elo com o PCC

  • 25/05/2026
(Foto: Reprodução)
Ônibus da Transwolff operavam 133 linhas de ônibus na Zona Sul de São Paulo. Divulgação/Transwolff A Corregedoria da Polícia Militar concluiu nesta segunda-feira (25) o inquérito que apurou a participação de policiais militares em um esquema de segurança privada ilegal para os dirigentes da empresa de ônibus Transwolff, apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). 🔎 A Transwolff e a UPBus foram alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo, por suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento à facção criminosa. (Leia mais abaixo.) Segundo as investigações, os agentes integravam uma estrutura de proteção armada que beneficiava Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té. Eles foram classificados como operadores de lavagem de dinheiro para a facção criminosa pelo Ministério Público. Ao todo, foram indiciados pela Corregedoria o capitão Alexandre Paulino Vieira, o sargento Nereu Aparecido Alves, o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário e o tenente-coronel José Henrique Martins Flores. Também foi solicitada a manutenção da prisão preventiva deles. Procurada, a defesa do capitão Alexandre afirmou que ele é inocente, além de ser "uma pessoa íntegra e profissional exemplar, não tendo relação alguma com qualquer prática criminosa". Ainda afirmou que "as investigações têm se estendido por tempo exagerado, sem fundamentação legal, mantendo a custódia por tempo indeterminado". A defesa da Transwolff informou que "sempre se valeu da contratação de empresas de segurança devidamente estabelecidas e repudia veementemente qualquer tentativa de associação da Transwolff com organizações criminosas e também de seu representante Luiz Carlos Pacheco com atividades ilícitas". Segundo a nota, "a Transwolff não teve, até o momento, acesso ao conteúdo dos autos do caso envolvendo a prisão de PMs, obtendo informações apenas pela mídia" e "segue se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades". (veja nota completa abaixo) A defesa dos demais indiciados não foi localizada até a última atualização da reportagem. Operação da Corregedoria da PM prende policiais em SP A investigação ainda encontrou indícios de relação financeira entre o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil) e a Transwolff. Interceptações telefônicas mostraram o sargento Nereu justificando ao empresário Té um atraso na escolta por estar, em 18 de agosto de 2023, na inauguração de uma creche municipal ao lado do vereador, a quem se referia como “chefe”. O relatório final detalhou a existência de um núcleo gestor formado por oficiais da PM que administrava os serviços e ocultava os ganhos financeiros. O capitão Alexandre é apontado como o responsável por coordenar as escalas, definir pagamentos e recrutar outros agentes, utilizando uma empresa de consultoria em nome de sua mãe para emitir notas fiscais fraudulentas à Transwolff. O capitão atuava na assessoria militar da Câmara, foi ajudante de ordens de Milton Leite e mantinha estreitas ligações com o vereador desde 2014. Além disso, o tenente-coronel José Henrique também foi indiciado por utilizar empresas de fachada, registradas em nome de laranjas, para prestar serviços contínuos de portaria e escolta armada à transportadora. A Corregedoria identificou que a construtora Neumax, da qual Milton Leite é sócio, funcionaria como o elo financeiro do esquema, recebendo R$ 812 mil mensais da Transwolff pelo aluguel de imóveis na Zona Sul. O valor estimado é quase três vezes acima da média de mercado. As quebras de sigilo revelaram trocas de mensagens em que o sargento Nereu gerenciava o pagamento das diárias aos policiais envolvidos na escolta e cobrava o repasse de valores. Durante a operação, realizada em fevereiro, os investigadores apreenderam cerca de R$ 1 milhão em dinheiro vivo na casa do sargento Nereu. Em depoimento, policiais subordinados relataram que aceitaram o trabalho por acreditarem na licitude do serviço, uma vez que o convite partira de um capitão e da Transwolff, que possuía contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo. Porém, segundo Corregedoria, a segurança privada foi mantida mesmo após a ampla divulgação de operações policiais contra a diretoria da empresa, caracterizando uma conduta de “cegueira deliberada” por parte dos investigados. Em nota, Milton Leite informou: "Como tenho dito desde o início, a minha relação com o capitão da PM Alexandre Paulino Vieira foi estritamente profissional, tendo em vista que ele trabalhava na Assessoria Militar da Câmara Municipal desde 2014, ou seja, muito antes de eu ser eleito presidente em 2017. Ele atuou com cinco presidentes: José Américo, Antonio Donato, Milton Leite, Eduardo Tuma e Ricardo Teixeira. Em depoimento, o capitão Alexandre confirmou que mantinha uma relação exclusivamente funcional e meramente profissional, uma vez que atuava como responsável pela segurança institucional da Presidência do Legislativo. Disse ainda que jamais prestou qualquer serviço particular para Milton Leite e que nunca recebeu dele qualquer determinação para atuar em qualquer empresa, pública ou particular, muito menos do setor de transporte público da Cidade de São Paulo. Sobre o outro policial militar aposentado citado, não conheço esse cidadão e ele nunca trabalhou na minha escolta. No depoimento que prestou, o sargento Nereu Aparecido Alves negou expressamente que tivesse chamado Milton Leite de “chefe”, versão absolutamente fantasiosa. Nereu disse que a mensagem de WhatsApp com a expressão "chefe Milton" não foi escrita por ele (Nereu), e sim pelo capitão Alexandre, uma vez que este tratava da segurança da Presidência da Câmara. No mesmo depoimento, o sargento Nereu também afirmou que não esteve no evento de inauguração do CEI Nathalia Pereira da Silva acontecido no mês de agosto de 2023, notícia essa que foi equivocadamente veiculada por esse veículo de imprensa. Sobre a relação comercial mencionada na reportagem, o contrato de aluguel é inferior ao preço de mercado, jamais superior. O contrato incluiu não apenas a locação, mas também obras de reparo que foram feitas no imóvel alugado. Desconheço qualquer avaliação de imóvel feita pela Corregedoria da PM que permita questionar o valor". Operação Fim da Linha A Transwolff — com outra empresa de ônibus, a UPBus — foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo MP-SP por suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC As investigações apontam que o dinheiro usado para aumentar o capital da Transwolff poderia ter origem ilícita — ou seja, os recursos seriam provenientes de atividades do PCC. O esquema envolveria uso de “laranjas” e “CNPJs fantasmas”, facilidades de empresas de fachada para ocultar as verdadeiras origens dos valores, algo típico de lavagem de dinheiro. Em função dessas suspeitas, a Prefeitura de São Paulo abriu processo para rescindir os contratos da Transwolff e da UPBus em dezembro de 2024. A defesa da Transwolff, porém, nega qualquer vínculo com o crime organizado — afirma não haver “comprovação de qualquer relação com organizações criminosas ou de atividades ilícitas” e diz que vai contestar a decisão na Justiça. O que diz a Transwolff "A defesa da Transwolff esclarece que sempre se valeu da contratação de empresas de segurança devidamente estabelecidas e repudia veementemente qualquer tentativa de associação da Transwolff com organizações criminosas e também de seu representante Luiz Carlos Pacheco com atividades ilícitas. A Transwolff não teve, até o momento, acesso ao conteúdo dos autos do caso envolvendo a prisão de PMs, obtendo informações apenas pela mídia. A Transwolff segue se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades." Esquema entre empresas de ônibus suspeitas e o PCC em São Paulo Arte/g1, com informações da Receita Federal

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/25/corregedoria-indicia-pms-que-faziam-seguranca-para-diretores-da-transwolff-investigados-por-elo-com-o-pcc.ghtml


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