Da triagem ao grupo terapêutico: como funciona novo atendimento da Unicamp para dependência em apostas eletrônicas

  • 04/08/2026
(Foto: Reprodução)
Ludopatia: entenda o que é a doença de pessoas viciadas em jogos de azar O Hospital de Clínicas da Unicamp abriu um serviço de acolhimento e cuidado para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas eletrônicas. A iniciativa faz parte do Ambulatório de Substâncias Psicoativas (Aspa) e foi criada após as equipes identificarem o endividamento de pacientes que já frequentavam a estrutura por uso de álcool, tabaco ou drogas ilícitas. O atendimento gratuito começou em abril e é realizado todas as quartas-feiras, das 8h às 11h30, no ambulatório de Psiquiatria, localizado no segundo andar do HC da Unicamp. Para participar, basta comparecer na recepção do ambulatório. Não há necessidade de agendamento, e a unidade recebe tanto adultos quanto adolescentes - entenda como funciona abaixo. LEIA TAMBÉM: Ludopatia: entenda o que é a doença de pessoas viciadas em jogos de azar Como funciona o atendimento O transtorno de jogo, também chamado de ludopatia, é uma condição médica que se caracteriza por perda de controle sobre início, frequência, intensidade, duração e pela priorização crescente da aposta em detrimento de outros interesses e continuidade do comportamento estimulado pela facilidade do uso do celular. As pessoas com mais de 18 anos com o transtorno passam por uma triagem, avaliação psiquiátrica e grupo de acolhimento. Na avaliação, o profissional analisa a gravidade do caso, verifica a necessidade de exames, avalia possíveis problemas clínicos associados e define o diagnóstico. Segundo a psiquiatra Renata Azevedo, coordenadora do ambulatório, essa etapa também ajuda a identificar qual é a melhor estratégia de tratamento para cada paciente. Depois, o paciente é encaminhado para um grupo voltado a pessoas com transtorno do jogo com atividades conduzidas por um psicólogo. Já para os adolescentes, o atendimento é individual, em função de particularidades dessa fase do desenvolvimento. O que é trabalhado nesses grupos? Um dos principais objetivos é ajudar o paciente a reconhecer padrões de pensamento associados à dependência. Segundo Azevedo, uma diferença importante entre o transtorno do jogo e outras dependências é a crença de que uma nova aposta será capaz de recuperar todo o dinheiro perdido anteriormente. A especialista classificou essa lógica como uma "distorção cognitiva" que alimenta a continuidade do comportamento. "É um grupo que tem base cognitivo-comportamental. Então, a ideia é, primeiro, melhorar a percepção sobre o problema do jogo", explicou. Negação e vergonha Segundo o psicólogo do Aspa, Maurício Sant’ana, na maioria das vezes os pacientes que frequentam o ambulatório passam por um processo de negação e vergonha para admitir a dependência dos jogos. “O hábito de jogar é potente. Ele vem, muitas vezes, associado a quadros de ansiedade, depressão e solidão. O jogo promove uma falsa ideia de companhia e de participação”, explicou. O psiquiatra Felipe Santaella alerta que o processo de apostar começa de forma ocasional, mas vai se intensificando e gerando prejuízos financeiros. Segundo Felipe, São Paulo é o Estado que tem o maior número de pessoas que apostam e com mais problemas de endividamento. “Eles apostam para tentar recuperar o que perderam e entram num processo em que o gasto acaba sendo maior. Tem paciente que está devendo para o banco, para o agiota e para a família. Isso é o motivo de muito sofrimento”, disse Felipe. Fachada do HC da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri/Unicamp VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/08/04/da-triagem-ao-grupo-terapeutico-como-funciona-novo-atendimento-da-unicamp-para-dependencia-em-apostas-eletronicas.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Anunciantes