Defesa de Marcola diz que chefe do PCC não conhece Deolane Bezerra e ficou surpreso com novo mandado de prisão

  • 27/05/2026
(Foto: Reprodução)
O chefe do PCC Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e a influencer e advogada Deolane Bezerra. Reprodução/Redes Sociais A defesa do chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, disse nesta quarta-feira (27) que ele não conhece a influenciadora Deolane Bezerra e que ficou indignado com a nova decretação de prisão contra ele na operação sobre lavagem de dinheiro da facção. Marcola está preso na Penitenciária Federal em Brasília. Segundo Bruno Ferullo, Marcola “manifestou surpresa e indignação com o inquérito policial/investigação que motivou a decretação de sua prisão preventiva” no âmbito da Operação Vernix, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Ele ainda declarou “desconhecer os investigados Deolane e Everton [apontado como operador do esquema]”, que também foram alvo da operação na semana passada. Segundo a investigação, o esquema de lavagem envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pela cúpula da facção criminosa, considerada a maior do país. A transportadora repassava recursos para outras contas, para dificultar o rastreamento de dinheiro. Duas dessas contas estão em nome de Deolane. Marcos manifestou surpresa e indignação, declarando desconhecer os investigados Deolane e Everton, afirmando que seu único vínculo com o caso se restringe ao parentesco com seus sobrinhos Leonardo e Paloma e com seu irmão Alejandro. A defesa afirmou que ele não tem relação com o caso. “Ele negou qualquer participação nos fatos investigados, bem como a titularidade, direta ou indireta, da transportadora mencionada na investigação, relatando que tampouco possui o vulgo ‘narigudo’ que lhe é atribuído pela autoridade policial”, completou. Relatório da Polícia Civil de SP detalha movimentações suspeitas em contas de Deolane Bezerra Marcola ressaltou, segundo seu advogado, que se encontra preso desde 1999 e custodiado em penitenciária de segurança máxima federal desde 2019, "em regime de total incomunicabilidade”. “A defesa reitera que a inocência de seu constituinte será comprovada no curso das investigações”, afirmou. Bruno Ferullo diz que já ingressou no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) com um pedido de habeas corpus em favor de Marcola, da irmã dele e dos dois sobrinhos que ele representa: Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que também foram alvo da operação do MP-SP. Até a última atualização desta reportagem, o tribunal não havia se pronunciado sobre o pedido. Operação Vernix Operação prende influenciadora Deolane Bezerra e mira família de Marcola por lavagem Deolane foi presa na sua casa em Barueri, na Grande São Paulo, na última quinta-feira (21). Em nota, a defesa da advogada ressaltou a inocência de Deolane e afirmou que "os fatos serão devidamente esclarecidos por esta". A investigação começou em 2019, com a apreensão pela Polícia Penal de bilhetes e manuscritos com dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a três inquéritos policiais sucessivos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura criminosa investigada. O primeiro inquérito teve como foco direto os dois presos que estavam com os manuscritos. A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de alto escalão e menções a ações violentas contra servidores públicos. Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal. Operação mira influenciadora Deolane Bezerra e família de Marcola por lavagem de dinheiro do PCC Reprodução Entre os trechos analisados, chamou a atenção dos investigadores a citação a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa. Essa menção deu origem ao segundo inquérito policial, que buscou identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora de cargas com o grupo criminoso. As diligências conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida como empresa de fachada usada pelo crime organizado para lavagem de dinheiro. A investigação deu origem à Operação Lado a Lado, que em 2021 revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção. Nesta operação, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos — indicado como operador central — trouxe para o MP e para a Polícia Civil ainda mais informações sobre a dinâmica de lavagem de dinheiro por meio da empresa de fachada Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes). Isso abriu uma nova frente de investigação, sobre suspeitas de repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional. A partir das análises, o inquérito apontou que Ciro Cesar Lemos comprava caminhões, realizava pagamentos, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e Alejandro e administrava patrimônio em nome deles, o que o coloca como homem de confiança da liderança da facção. As imagens dos depósitos que favoreciam contas de Deolane Bezerra Santos e Everton De Souza foram localizadas no aparelho celular apreendido na casa de Ciro César Lemos. Ele está foragido, assim como a esposa. Segundo a investigação, os valores provenientes da empresa Lopes Lemos Transportes eram destinados a Marcola, a Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e a seus familiares. Para as transações, foram usadas as contas de Everton de Souza e Deolane Bezerra. A apuração ainda constatou que a influenciadora possuía estreitos vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fantasmas da transportadora de cargas. Foi a partir desse material que nasceu a Operação Vérnix. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão de Deolane Bezerra. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/27/defesa-de-marcola-diz-que-chefe-do-pcc-nao-conhece-deolane-bezerra-e-ficou-surpreso-com-novo-mandado-de-prisao.ghtml


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