Empresa do interior de SP continuou a vender remédios falsos contra o câncer mesmo após ser investigada, diz MP
05/11/2026
(Foto: Reprodução) Operação mira venda de medicamentos falsos para tratamento contra o câncer
Alvo de uma força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil nesta quinta-feira (5), a empresa do interior de São Paulo investigada por vender medicamentos falsificados para o tratamento do câncer em ao menos sete estados continuou a comercializar os remédios mesmo depois de ser investigada em 2024.
"Pelo que se levantou, o foco deles seria a venda de medicamentos oncológicos voltados ao tratamento do câncer, o que despertou a necessidade de uma atuação de prontidão o mais rápido possível para fazer cessar essa conduta, que a gente espera que tenha conseguido, ou ao menos iniciado, o processo de interrupção na data de hoje", afirmou o promotor de Justiça Júlio Saraiva.
O esquema envolvendo a Nacionalfarma, com sede em Araraquara (SP), foi alvo da segunda fase da Operação Laziosi, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Ribeirão Preto (SP) e pela Polícia Civil, com 21 mandados de prisão e de busca em São Paulo, Araraquara, Matão (SP), Marília (SP), Agudos (SP) e Mirassol (SP).
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Nesta quinta-feira (5), os agentes prenderam três pessoas, além de apreenderem dinheiro em espécie, celulares, equipamentos eletrônicos e dois veículos.
Também foi autorizado pela Justiça o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados, de empresas a eles ligadas e de interpostas pessoas, e a suspensão das atividades de sete empresas.
Os investigados são Nalva Braz do Nascimento, apontada como responsável pelo controle da distribuidora em Araraquara, Petter Gabriel Cavalcante Chagas, apontado pelo relacionamento direto com os hospitais, e Sharlene Chaves Barbosa, na gestão das operações financeiras do esquema.
Eles respondem por adulteração de medicamento, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A reportagem não conseguiu falar com as defesas dos investigados até a última atualização desta notícia. Segundo as autoridades, eles preferiram permanecer em silêncio durante as prisões.
"Eles vão provavelmente ser instruídos por advogados agora e vão falar só em juízo", disse o delegado Diógenes Santiago, da Polícia Civil de Ribeirão Preto.
Venda reiterada de medicações falsas
A primeira fase da Operação Laziosi teve início em 2024, após o laboratório fabricante denunciar que a distribuidora vendeu medicamentos falsificados a um hospital de São Paulo.
Segundo o Gaeco, a análise laboratorial do fabricante constatou a ausência do princípio ativo, e a perícia oficial confirmou a falsificação.
Ainda segundo o órgão do MP, entre janeiro e novembro de 2024, a distribuidora emitiu notas fiscais de saída do imunoterápico que somam mais de R$ 1,5 milhão, para destinatários de ao menos sete estados.
Naquela força-tarefa, deflagrada em novembro daquele ano, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da Nacionalfarma, e a Vigilância Sanitária interditou produtos e medicamentos, mas não interrompeu as atividades da empresa.
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Em abril de 2025, menos de cinco meses após ter a sede vasculhada pela polícia, a Nacionalfarma continuava a vender medicamentos sem princípio ativo a hospitais e a trocar ampolas por lotes roubados, segundo as investigações.
"Fizemos buscas em 2024, aprofundou essa investigação e apurou a existência mesmo de uma organização criminosa dedicada a praticar esse tipo de crime, a circular, a vender esses medicamentos. Constatamos a existência de outras vendas ocorridas, outras comercializações ocorridas desde então", disse o promotor.
Segundo o Ministério Público, mesmo após as investigações, foram comercializadas nove unidades de nivolumabe, cuja falsificação foi constatada pela detentora do registro: uma delas chegou a ser administrada a um paciente.
As outras oito foram recolhidas e trocadas pela distribuidora por unidades de outro lote, proveniente de um roubo de carga ocorrido em novembro de 2024, em Uberaba (MG).
A Vigilância Sanitária de Araraquara apontou que, em março deste ano, a empresa permanecia em atividade e a responsável dificultava as fiscalizações. No mês passado, uma nova diligência confirmou que a distribuidora continuava em operação.
Na segunda fase, a Justiça determinou a suspensão total das atividades. O g1 não conseguiu localizar a defesa da empresa até a última atualização desta notícia.
Medicamentos falsificados foram apreendidos em operação do Gaeco de Ribeirão Preto, SP, e da Polícia Civil
Divulgação/Polícia Civil
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