‘Esconder provas’: testemunha diz que funcionário tirou câmera de jovem morta após salto sem corda em SP

  • 15/06/2026
(Foto: Reprodução)
Testemunha diz que homem tirou câmera de jovem morta após salto sem corda em SP Maria Eduarda Rodrigues de Freitas filmava a própria queda quando foi arremessada de uma ponte sem a corda de segurança durante uma prática de rope jump, em Limeira (SP), no último sábado (13). A câmera, no entanto, sumiu. Segundo uma das testemunhas, um integrante da equipe organizadora retirou a câmera da vítima enquanto ela já estava caída no chão. “A primeira cena que eu lembro de quando vi a menina no chão foi ver um dos funcionários tirando da alça do pescoço, do corpo que já estava no chão, a câmera da GoPro, preocupado com equipamento ou para querer esconder provas", conta o pedagogo Rafael Goulart à EPTV, afiliada da TV Globo. LEIA TAMBÉM: Saltos anteriores de rope jump viralizam após jovem morrer Ponte onde jovem morreu acumula histórico de acidentes 'Está doendo sua partida', diz mãe de jovem lançada sem corda Apaixonada por natureza e atividades ao ar livre: quem era Maria Eduarda 'Era para ser eu', diz homem que saltaria antes de jovem lançada sem corda Enfermeira que ia pular de rope jump prestou socorro à jovem lançada sem corda: 'Estava com pulso bem fraco' A delegada do caso, Andrea Danta Levy, afirmou que esteve no local com a perícia e que não encontrou o objeto. "A câmera pertencia à equipe, que não se pode chamar de empresa, e estava com a vítima. Provavelmente, durante a queda, ela pode ter escapado da mão da vítima, embora estivesse presa ao pulso”, conta a delegada. “O equipamento não foi localizado. A perícia e eu estivemos no local e realizamos diligências, mas não encontramos a câmera. No interrogatório, ninguém soube informar onde ela está. Sinceramente, acredito que ela não esteja mais no local, considerando a quantidade de pessoas que compareceu à ponte posteriormente para procurá-la. Acredito que, infelizmente, alguém possa ter retirado essa câmera”, complementa. 🔎 O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes. R$ 110 para gravar salto Em depoimento à polícia, a enfermeira que aguardava para saltar e foi a primeira a prestar socorro à vítima, informou que a gravação era um serviço cobrado à parte. "Eles cobraram R$ 180 do salto e mais R$ 110 da gravação com a GoPro deles, que eles fornecem. Eles dão uma pulseira amarela que é a da filmagem", explica a enfermeira Rayza Gabrieli Dias Delfino. Jovem morta após salto de rope jump sem corda em Limeira fez post antes do acidente Reprodução/Redes Sociais Durante os primeiros socorros de Maria Eduarda, a enfermeira informou à polícia que não encontrou a câmera e que, ao chegar à base da ponte para iniciar o atendimento, dois integrantes da ‘empresa’ já estavam lá. "Eu estava do lado direito dela, quando eu comecei a fazer a massagem, não tinha nada", conta. "Quando eu cheguei embaixo, tinha duas pessoas e eu fui falando para elas fazerem as coisas [...] essas duas pessoas eram da empresa”, complementa. A enfermeira também disse que a jovem estava com um equipamento de segurança preso à barriga, mas sem a corda principal. Ela afirmou que permaneceu prestando os primeiros socorros até a chegada da ambulância, que constatou o óbito da jovem. Infográfico - Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de ponte de 40 metros em Limeira Arte/g1 Responsabilidade pela ponte Ponte do Esqueleto em Limeira Jefferson Barbosa/EPTV A Ponte do Esqueleto fica na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy, rodovia que liga Limeira a Cordeirópolis, e pertencia a um trecho nunca implantado da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), no interior de propriedades particulares. Segundo o governo federal, o processo de incorporação da ponte à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) foi autorizado em 2026. O governo afirma que, mesmo antes, "pediu apoio às prefeituras locais para bloquear o acesso à referida ponte" "Em 2024, [...], a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira", alega o governo federal. Em nota, a Prefeitura de Limeira disse que “vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências junto aos órgãos federais responsáveis pela área” e que a tragédia “torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão”. Segundo a administração municipal, a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do governo federal. A Prefeitura e a Câmara Municipal alegam que já haviam encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança. "Nenhuma providência concreta foi adotada", pontuou. "Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias. A Prefeitura e a Câmara vêm cobrando providências há meses para que o Governo Federal assuma sua responsabilidade. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira", disse o prefeito Murilo Félix (Podemos). Para o governo federal, "os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais. E, na sequência, decidir o futuro da ponte do Esqueleto de forma conjunta". A tragédia Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Maria Eduarda Rodrigues de Freitas sendo carregada por três funcionários até a beirada da plataforma. Ela é impulsionada para frente e, logo após a queda, ouvem-se gritos de desespero dizendo "a corda" e "gente, a corda". A jovem caiu de uma altura de 40 metros e teve a morte constatada no local pelas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Segundo a Polícia Civil, o equipamento grosso que deveria estar preso ao corpo da vítima para segurar a queda foi esquecido e ficou enrolado no chão da estrutura de salto. Uma testemunha, que saltaria logo após a jovem, relatou que os instrutores não fizeram a checagem de segurança na vez de Maria Eduarda. Segundo testemunhas e a Polícia Civil, houve uma falha grave na checagem dos equipamentos e os instrutores simplesmente esqueceram de conectar o sistema de segurança em Maria Eduarda. Um cliente que saltaria logo em seguida relatou que os funcionários ignoraram a conferência padrão na vez dela. A corda grossa que deveria segurar a queda da jovem ficou enrolada no chão da plataforma. Em depoimento à polícia, os três instrutores presos não souberam explicar o motivo do erro. A delegada responsável pelo caso afirmou que eles se mostraram desnorteados e alegaram não se recordar de quem era a obrigação de colocar a corda, nem o porquê de a fiscalização final não ter sido feita antes de empurrarem a vítima. Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de plataforma de rope jump em Limeira Reprodução/Redes sociais VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/06/15/esconder-provas-testemunha-diz-que-funcionarios-tiraram-camera-de-jovem-morta-apos-salto-sem-corda-em-sp.ghtml


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