Ex-auditor fiscal fecha acordo de delação premiada em investigação sobre esquema bilionário de propinas na Fazenda de SP

  • 30/07/2026
(Foto: Reprodução)
Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como "PP", se aposentou em 2024, mas durante a carreira na secretaria, ocupou cargos de destaque na Receita Estadual de São Paulo. Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais O ex-auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como "PP", firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no processo que investiga um esquema bilionário de pagamento de propinas de empresas dentro da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-SP), do governo de São Paulo. Segundo o Ministério Público, PP é diretamente ligado aos auditores Artur Gomes da Silva Neto - o 'rei Artur' e Alberto Toshio Murakami - apelidado de "americano" - investigados no esquema ligado às empresas Ultrafarma e Fastshop. Os dois são apontados como mentor e operador do esquema que fraudava créditos de pagamento antecipado do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em São Paulo. Artur Gomes da Silva Neto está preso, enquanto Alberto Murakami foragido da Justiça. A apuração do MP aponta que o grupo investigado atuava em áreas estratégicas da pasta, em troca de pagamentos milionários. Eles , acelerava a antecipação de créditos tributários supostamente inflados em benefício de grandes empresas dos setores varejista e atacadista. De acordo com a investigação, PP é citado como um suposto elo entre Artur, conhecido como "King", e Alberto Murakami, chamado de "Americano" dentro da Sefaz-SP. Os fiscais Artur Gomes da Silva, que está preso, e Alberto Toshio Murakami, foragido, eram funcionários da Sefaz-SP e comandavam as fraudes de dentro da secretaria. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo LEIA MAIS: Justiça manda prender novamente ex-auditor fiscal apontado como líder de esquema bilionário de corrupção na Sefaz-SP MP pede que ex-fiscal da Fazenda morador de mansão de R$ 7 milhões nos EUA seja colocado na 'lista vermelha' de foragidos da Interpol Ultrafarma recebeu R$ 327 milhões em restituições indevidas de esquema no governo de SP, diz MP à Justiça De acordo com a apuração do g1, a Justiça homologou a colaboração e determinou o desbloqueio e o levantamento do sequestro de bens e das demais restrições patrimoniais impostas ao ex-auditor no início das investigações. A expectativa dos promotores é que Paulo Sérgio Siqueira do Prado ajude a promotoria a desvendar a participação de cada um dos 40 servidores públicos da Sefaz-SP que são investigados nas três operações do MP-SP que desmontaram o esquema dentro da pasta nessa gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). PP se aposentou em 2024, mas durante a carreira na secretaria, ocupou cargos de destaque na Receita Estadual de São Paulo. Em agosto de 2014, ele foi nomeado inspetor fiscal na Delegacia Regional Tributária da Capital. Posteriormente, assumiu interinamente a chefia da Delegacia Regional Tributária da Capital II durante afastamentos de Marcelo Bergamasco Silva, atual subsecretário da Receita Estadual. Investigação Receita afasta 6 servidores investigados pela Operação Ícaro As suspeitas de corrupção dentro da secretaria da Fazenda de SP levaram o Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público, a realizarem ao menos três operações envolvendo servidores da pasta: Operação Ícaro - 2 de agosto de 2025: apontou suposto favorecimento às empresas Ultrafarma e Fast Shop, com pagamentos de propinas que teriam ultrapassado R$ 1 bilhão. Operação prendeu Artur Gomes da Silva Neto e os empresários Sidney Oliveira, fundador da rede Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop; Operação Mágico de Oz - 13 de março de 2026: desdobramento da Operação Ícaro, ação avançou nas investigações dentro da Sefaz-SP, cumprindo 20 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária em São Paulo, Osasco, Valinhos e Tupi Paulista. Foram afastados do cargo auditores fiscais e o vice-prefeito de Tupi Paulista, suspeito de envolvimento no esquema; Operação Fisco Paralelo - 26 de março de 2026: Terceira fase da Operação Ícaro, a ação cumpriu 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Os alvos eram servidores de diferentes unidades estratégicas da Sefaz-SP, incluindo as Delegacias Regionais Tributárias da Lapa, Butantã, ABCD e Osasco, além da Diretoria de Fiscalização. De acordo com o Ministério Público, 16 servidores da Fazenda, entre ativos e aposentados, estavam entre os principais investigados. Em abril deste ano, por determinação do secretário da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita, cinco auditores foram demitidos. Os promotores avaliam que a delação de PP pode ampliar o alcance das investigações dentro da pasta. Paulo Sérgio era muito conhecido dentro do governo de SP e ligado à Associação dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo (Afresp). Quem são os principais suspeitos do esquema Os ex-auditores fiscais de São Paulo Artur Gomes da Silva Neto, Alberto Toshio Murakami e Paulo Sérgio Siqueira do Prado. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Artur Gomes da Silva Neto, o ‘King: apontado como um dos mentores da organização criminosa, responsável por articular a distribuição de processos administrativos entre auditores para favorecer empresas em troca de propina. Ele foi preso temporariamente na Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025, e voltou a ser alvo das operações Mágico de Oz e Fisco Paralelo, que ampliaram as investigações sobre a atuação do grupo. Segundo a denúncia do MP-SP à Justiça, Artur teria recebido R$ 383,6 milhões em propinas como um dos principais líderes do esquema de fraudes envolvendo créditos de ICMS. A suspeita é que ele tenha movimentando mais de R$ 1 bilhão em propinas dentro da pasta. Alberto Toshio Murakami, o ‘americano’: auditor fiscal aposentado e um dos principais investigados no MP-SP. Ele atuava na Delegacia Regional Tributária III (Butantã), onde analisava pedidos de ressarcimento de ICMS empresas como a Ultrafarma. O MP-SP afirma que ele emitia pareceres favoráveis para acelerar a liberação dos créditos em troca de propina. Desde agosto de 2025, ele é considerado foragido da Justiça. Em janeiro de 2026, a Justiça paulista determinou sua inclusão na Difusão Vermelha da Interpol. Os investigadores afirmam que ele vive nos Estados Unidos, onde possui residência. Paulo Sérgio Siqueira do Prado, o ‘PP’: é ex-delegado tributário da Receita Estadual. Durante a carreira, ocupou cargos estratégicos, como inspetor fiscal da Delegacia Regional Tributária da Capital e substituto da chefia da Delegacia Regional Tributária da Capital II. Aposentou-se em 2024. Aposentou-se em 2024. Ele é investigado por suposta participação no esquema de corrupção apurado nas operações Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo, sendo elo de ligação entre os outros dois líderes do grupo criminoso dentro da pasta. MP denuncia fundador da Ultrafarma e ex-auditores fiscais MP pede que ex-fiscal morador de mansão de R$ 7 milhões seja colocado na listada Interpol

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/07/30/ex-auditor-fiscal-fecha-acordo-de-delacao-premiada-em-investigacao-sobre-esquema-bilionario-de-propinas-na-fazenda-de-sp.ghtml


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