Família denuncia negligência médica após bebê sofrer asfixia durante parto: 'Nasceu sem sinais vitais', diz pai

  • 01/08/2026
(Foto: Reprodução)
Hospital Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba (SP) está localizada no bairro Além Ponte Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba/Reprodução Uma família de Sorocaba (SP) registrou um boletim de ocorrência denunciando a Santa Casa de Misericórdia por violência obstétrica e negligência médica após o parto de um bebê ocorrido na segunda-feira (20). De acordo com os pais, o recém-nascido Théo Henrique da Silva foi submetido a um parto normal forçado, perdeu os sinais vitais e sofreu asfixia grave. O bebê precisou ser reanimado e segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, sem previsão de alta. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Agora no g1 A Polícia Civil informou que o caso foi encaminhado ao 2º Distrito Policial da cidade, que já solicitou informações ao hospital e realiza diligências para esclarecer os fatos. LEIA TAMBÉM Criminosos aplicam golpes em nome do Hospital São Vicente de Paulo em Jundiaí Região de Sorocaba registra mais de 1,3 mil casos e 90 mortes causadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave Polícia identifica mãe de bebê recém-nascida encontrada em lixeira de hospital de Sorocaba O que diz o hospital Procurada, a Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba informou, em nota, que "todas as condutas adotadas pelas equipes médica e assistencial foram definidas a partir da avaliação clínica apresentada no momento do atendimento, observando-se a literatura médica, os protocolos institucionais e as boas práticas". A instituição ressaltou que, em respeito ao sigilo e à legislação de proteção de dados, não pode divulgar publicamente informações clínicas individualizadas. Sobre a queixa de omissão de laudos feita pela família, o hospital disse que o prontuário da mãe foi disponibilizado e que, até o momento, não havia registro de solicitação formal para o prontuário do recém-nascido, mas que o fornecerá no prazo razoável assim que for requerido. Relato da família e B.O. De acordo com a denúncia, a mãe do bebê teve um pré-natal sem complicações. Ela deu entrada na maternidade com seis centímetros de dilatação e, sentindo-se exausta fisicamente, pediu diversas vezes a realização de uma cesariana, o que foi negado pela equipe. O pai da criança, Sidnei Gonçalves da Silva, alega que a equipe realizou manobras incoerentes para forçar o parto normal. Ele relata que a esposa foi colocada sentada em um banco baixo, enquanto segurava um lençol e fazia uma espécie de "cabo de guerra" com uma enfermeira na outra extremidade. Segundo o pai, a enfermeira obstetra afirmava que os batimentos cardíacos da criança estavam normais. O boletim de ocorrência relata que, quando a cabeça do bebê ficou visível, a mãe foi instruída a caminhar sozinha até outra sala para mudar de maca. Segundo Sidnei, a médica presente não examinou a esposa e permaneceu à distância. O pai denunciou à polícia que o bebê foi puxado pela cabeça de forma brusca com um bisturi. Os pais afirmam que a criança ficou presa por cerca de cinco minutos sem conseguir respirar. Prontuários e contradições O g1 teve acesso aos prontuários médicos da mãe e do recém-nascido, que confirmam que o nascimento foi marcado por severas complicações, mas apresentam uma versão diferente da família para os procedimentos adotados. Os registros indicam que a mãe expressou repetidamente o desejo de fazer uma cesariana devido às dores e à exaustão, mas a equipe optou por manter a indução do parto normal, anotando que orientou o casal sobre os riscos de uma cirurgia. Durante o processo, anotações de enfermagem apontaram a presença de mecônio (fezes do bebê no líquido amniótico) — um indicador de estresse e sofrimento fetal —, além da dificuldade de desprendimento do bebê. Prontuários médicos da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba Reprodução Na versão registrada pela enfermeira obstetra, a paciente foi transferida da banqueta para a mesa quando a criança começou a "coroar". O documento descreve que a cabeça do bebê ficou exposta com dificuldade de saída e que houve complicação para escutar os batimentos fetais nos minutos finais. Ao contrário do relato do pai no B.O. — que menciona o uso de bisturi para puxar a criança —, a equipe anotou que preparou anestesia para fazer um corte na região íntima (episiotomia), mas alega não ter realizado o corte, registrando apenas uma laceração natural que precisou de sutura. Prontuários médicos da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba Reprodução O relatório também aponta o diagnóstico primário de "asfixia ao nascer não identificada", que significa que o bebê sofreu uma falta de oxigênio ou de fluxo sanguíneo adequado logo antes, durante ou imediatamente após o parto, mas a equipe médica não conseguiu descobrir o motivo exato que provocou o problema Estado grave na UTI Os relatórios neonatais mostram que Théo nasceu em parada respiratória, roxo e com os músculos completamente flácidos no primeiro minuto de vida. A equipe precisou realizar manobras imediatas de reanimação e intubação na sala de parto. Na UTI, o bebê foi diagnosticado com lesão cerebral grave pela falta de oxigênio. Ele foi submetido a um protocolo de hipotermia (corpo resfriado por 72 horas) para conter danos neurológicos. Os prontuários apontam que ele passou a apresentar crises convulsivas, necessitando de forte sedação. Sobre a queixa da família de que a cabeça do bebê apresentava "aspecto amassado", a documentação médica descreve um inchaço fluido provocado pela intensa pressão exercida no canal de parto. Segunda denúncia na maternidade Outra família de Sorocaba relatou ao g1 ter enfrentado problemas com o atendimento na mesma maternidade. Bruno Leandro da Silva afirma que o filho, Matteo Ravi, nasceu com asfixia grave no dia 10 de maio. Segundo Bruno, a esposa teve uma gestação saudável, mas foi mandada de volta para casa após buscar atendimento na Santa Casa com dores. "No dia 10, na parte da manhã, ela passou mal, foi para o hospital, fizeram toque, quando foi na parte da tarde, ela voltou embora e teve sangramento. Voltou na Santa Casa, fizeram toque de novo, e nada (de realizar o parto). Aí, quando foi na parte da tardezinha, ela não aguentou mais. Chamei a unidade de remoção da Samu e ela teve o parto", disse. Laudo médico de Matteo Ravi da Silva Lima, que nasceu em 10 de maio com asfixia grave, na Santa Casa de Sorocaba (SP) Arquivo pessoal Bruno afirma que a criança nasceu em parada cardíaca e foi intubada e levada à UTI, enquanto a esposa ficou na mesa de parto sem informações. Até este sábado (1º), Matteo permanecia internado no hospital. A família também registrou um boletim de ocorrência por negligência. Até a última atualização desta reportagem, a Santa Casa não havia se posicionado especificamente sobre o caso do bebê Matteo Ravi. *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/08/01/familia-denuncia-negligencia-medica-apos-bebe-sofrer-asfixia-durante-parto-nasceu-sem-sinais-vitais-diz-pai.ghtml


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