FIV e FeLV em gatos: entenda como são transmitidas, diagnosticadas e tratadas
20/08/2026
(Foto: Reprodução) FIV e FeLV em gatos: entenda como são transmitidas, diagnosticadas e tratadas
Nem todo gato que apresenta FIV ou FeLV está condenado a uma vida curta ou sem qualidade. Apesar de serem doenças que exigem cuidados específicos e acompanhamento veterinário, um diagnóstico positivo não significa, por si só, uma sentença de morte.
As duas doenças são causadas por retrovírus que infectam gatos, mas atuam de maneiras diferentes. A FIV, conhecida como vírus da imunodeficiência felina, compromete principalmente o sistema imunológico. Já a FeLV, chamada de leucemia felina, também pode afetar a medula óssea e as células sanguíneas, podendo provocar anemia grave e favorecer alguns tipos de câncer.
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Para esclarecer as principais dúvidas dos tutores, o g1 conversou com o veterinário Calleb Bronzatto, especialista em felinos. Segundo ele, os sinais apresentados pelos animais nem sempre são específicos e podem variar de acordo com a doença e com o estágio em que ela se encontra.
"Os sintomas, eles não são específicos. Normalmente você vai observar o emagrecimento, falta de apetite, febre recorrente, apatia, alterações na boca, como feridas", explicou o veterinário.
Nos casos de FeLV, também podem ser observadas alterações relacionadas à anemia e à medula óssea. Já a FIV pode deixar o sistema imunológico mais comprometido, favorecendo o aparecimento de outras doenças.
Uma das principais diferenças entre as duas doenças está justamente na forma como os vírus são transmitidos.
"A FIV é transmitida principalmente pela inoculação do vírus, através de uma mordida profunda. Nós costumamos dizer que é a partir de brigas, mordidas, arranhões", esclareceu o especialista.
Por isso, segundo o veterinário, a castração e a restrição do acesso dos animais à rua são medidas importantes para reduzir a exposição a esse tipo de situação.
FIV e FeLV em gatos: veterinário de Presidente Prudente (SP) explica diferenças, transmissão, cuidados e principais dúvidas
RiboliVet/Arquivo Pessoal
Já a FeLV é eliminada principalmente pela saliva: "Os gatos, principalmente quando a gente tem gatos em convívio, um acaba lambendo o outro. Então, essa lambedura, comer no mesmo pote, tomar água... O contato mais prolongado com outro gato que tenha FeLV pode passar de um para o outro".
O veterinário ainda explica que a caixa de areia não é considerada uma forma de transmissão, enquanto o compartilhamento de potes de água e comida pode representar risco no caso da FeLV por causa do contato com a saliva.
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Como saber se o gato tem FIV ou FeLV?
O diagnóstico começa com a avaliação clínica e pode envolver exames de sangue. Segundo Calleb, normalmente são solicitados inicialmente exames como o hemograma e, depois, pode ser realizado um teste rápido, que fornece uma primeira resposta em poucos minutos.
No caso da FeLV, porém, a interpretação pode exigir outros exames, já que existem diferentes formas de infecção. Dependendo do caso, podem ser necessários testes rápidos, PCR e hemograma para entender melhor a situação do animal.
Por isso, o especialista ressalta que não existe uma frequência única de testagem que sirva para todos os gatos. A necessidade deve ser avaliada individualmente.
Para quem pretende adotar um novo gato e já possui outros animais em casa, ele recomenda atenção especial. O novo integrante pode passar por um período de quarentena e ser retestado posteriormente, já que pode haver um intervalo de 30 a 60 dias para que a infecção se manifeste nos exames.
FIV e FeLV em gatos: veterinário de Presidente Prudente (SP) explica diferenças, transmissão, cuidados e principais dúvidas
RiboliVet/Divulgação
Gato positivo precisa ficar isolado?
Calleb explica que, quando há espaço suficiente, uma possibilidade é separar gatos positivos dos negativos.
No entanto, nem sempre isso é possível e o simples contato anterior com um animal positivo também precisa ser considerado na avaliação.
Por isso, a decisão deve ser individualizada, levando em conta os animais que vivem juntos, o histórico de exposição e a possibilidade de acompanhamento.
FIV e FeLV em gatos: veterinário de Presidente Prudente (SP) explica diferenças, transmissão, cuidados e principais dúvidas
RiboliVet/Arquivo Pessoal
Existe vacina?
Existe vacina contra a FeLV, mas não contra a FIV. O veterinário ressalta, porém, que a vacinação não deve ser tratada como um protocolo igual para todos os gatos: é necessário avaliar o momento e a indicação para cada animal.
Antes da vacinação contra FeLV, a recomendação apresentada pelo especialista é que o gato seja testado.
Gato com FIV ou FeLV pode ter qualidade de vida?
Segundo Calleb, não existe cura específica para FIV ou FeLV, mas o acompanhamento pode ajudar a monitorar a saúde do animal e controlar possíveis complicações.
Para gatos diagnosticados com alguma das doenças, ele recomenda acompanhamento veterinário pelo menos a cada seis meses, com avaliação clínica e exames conforme a necessidade.
O tutor também precisa prestar atenção às mudanças no comportamento e na rotina do animal. Perda de peso, falta de apetite, apatia, espirros, diarreia, vômitos ou feridas na boca são sinais que devem ser avaliados por um veterinário.
“O maior mito mesmo é que o resultado da FeLV positivo ou da FIV positivo é uma sentença de morte. Não é”, relatou.
De acordo com o especialista, gatos positivos para FIV podem viver muitos anos e ter uma boa expectativa de vida. O mesmo pode ocorrer com animais diagnosticados com FeLV.
Por isso, a decisão sobre os cuidados e o futuro do animal não deve ser baseada apenas no resultado positivo de um teste.
“A decisão sobre a vida daquele paciente deve ser baseada no estado clínico e na qualidade de vida, e nunca apenas em uma linha positiva de teste”, concluiu o especialista.
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RiboliVet/Divulgação
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