'Fiz tudo o que estava ao alcance': brasileira que luta há 3 anos para reencontrar filho levado ao Egito vive nova tentativa frustrada

  • 08/06/2026
(Foto: Reprodução)
Brasileira vive angústia após nova tentativa frustrada de reaver filho no Egito A brasileira Karin Rachel Aranha Toledo luta, há 3 anos e 9 meses, para rever o filho, Adam, levado pelo pai dele para o Egito sem a permissão dela. Mesmo com ordem judicial para que a criança seja devolvida e mandado de prisão contra o homem, a saga continua sem desfecho. A terceira tentativa de busca por Adam, realizada em 12 de maio, terminou novamente sem sucesso e aprofundou a angústia da mãe, que é de Campinas (SP). “Eu só quero ser mãe do meu próprio filho”, desabafa. “Eu tenho tudo no papel… e simplesmente fecham os olhos para mim”, afirmou Karin ao g1. Além da frustração por não reaver a criança, Karin relata que tem sido ameaçada. Na semana passada, foi levada pela instituição Revibra para a Bélgica, onde permanecerá por tempo indeterminado. Segundo ela, as ameaças eram feitas por telefone e, em algumas, ouvia que nunca mais veria o filho. 🔎 O caso começou em setembro de 2022, quando o pai levou o menino, então com 4 anos, do Brasil para o Egito sem autorização. Desde então, Karin não voltou a ver o filho e passou a travar uma disputa internacional para tentar reavê-lo. ➡ No Brasil, a Justiça Federal de Campinas (SP) determinou a prisão preventiva do pai em 2023 e ele foi incluído na lista de procurados da Interpol. Karin se mudou para o Egito para acompanhar o processo e conseguiu uma decisão favorável: em novembro de 2025, a Justiça egípcia concedeu a guarda do menino à mãe — decisão que ainda não foi cumprida. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp A Justiça egípcia também determinou a prisão do pai e da avó paterna por sete dias pelo descumprimento da ordem, e a defesa de Karin solicitou o aumento da pena para seis meses. Em situações como essa, o Itamaraty atua por meio de assistência consular e diálogo diplomático com o país onde a criança está. No entanto, não há poder para executar decisões judiciais estrangeiras — especialmente quando o país não integra acordos internacionais sobre o tema. 'Eu estou vivendo um inferno em terra' A brasileira Karin Rachel Aranha Toledo, de Campinas (SP), tenta reaver o filho, Adam, que foi levado sem autorização pelo pai ao Egito desde 2022. Bárbara Camilott/g1 | Reprodução/Redes sociais Karin afirma que já gastou mais de 10 mil dólares com advogados no Egito e diz que, apesar das decisões favoráveis, não consegue fazer a ordem ser cumprida. “Eu tenho a custódia desde 26 de novembro de 2025. Tudo que os advogados podiam fazer, eles já fizeram”, afirmou. Segundo ela, as buscas seguem um padrão: “Eles tiram todos os vestígios do Adam da casa. Quando a gente chega, dizem que ele não está lá”. Na tentativa mais recente, Karin relata dificuldades desde a execução da ordem judicial. Ela afirma que esperou horas para a liberação de documentos e critica a condução local. A brasileira defende que o caso deixe de ser conduzido apenas pela delegacia da região e pede a atuação de uma força mais ampla. “O que a gente pede é acionar a segurança nacional, porque só assim teria mais força. Do jeito que está, não vai localizar a criança”, disse. Karin também relatou que se sente ameaçada e desamparada. “Eu estou me sentindo acuada. Sozinha, sem suporte. Eu tenho tudo a meu favor, no Brasil e no Egito, e parece que eu sou a errada da história”, desabafou. “Eu estou vivendo um inferno em terra. Nenhuma mãe merece passar por isso”, afirmou Karin. Após 3 anos e 9 meses, ela descreve desgaste extremo. “Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance. Eu me sinto fracassada. Parece que estou morrendo na praia, e ninguém se importa”, contou. Entenda os entraves legais Adam foi levado pelo pai ao Egito sem a autorização da mãe em 2022. Arquivo pessoal A Convenção de Haia sobre Subtração Internacional de Crianças é um acordo internacional que estabelece mecanismos para o retorno de menores levados ilegalmente para outro país. O Brasil é signatário, mas o Egito não — o que impede a aplicação automática do tratado e dificulta a cooperação. Nesses casos, uma alternativa é o Processo de Malta, que busca aproximar países que integram a convenção e aqueles que não fazem parte, criando canais de diálogo e mediação. Outro ponto central é a sharia, sistema jurídico baseado na lei islâmica, adotado em países como o Egito. Nesse modelo, há diferenças nos papéis atribuídos a homens e mulheres e na forma de definição da guarda, o que pode impactar decisões e, principalmente, a execução. Limites e atuação do Itamaraty Segundo Rodrigo Meira, coordenador-geral de Adoção e Subtração Internacional de Crianças e Adolescentes, a atuação do Brasil tem limites e precisa respeitar a soberania do país onde a criança está. “O Brasil tenta cumprir com a convenção da melhor forma possível, mas juridicamente não podemos fazer muita coisa quando o país não faz parte”, afirmou. Segundo ele, nesses casos, o caminho possível é o diálogo. “O processo de Malta é o principal instrumento para aproximar países da convenção com aqueles que não são, inclusive com sistemas jurídicos diferentes, como o da sharia”, disse o coordenador-geral. Meira destacou que, mesmo quando há decisão favorável à mãe, o cumprimento pode enfrentar obstáculos locais: “Tem casos em que mães brasileiras conseguiram a guarda, mas a execução enfrenta dificuldades dentro do próprio país”. Segundo ele, o Itamaraty atua com negociações, tentativas de mediação e abertura de canais com autoridades estrangeiras. “A gente precisa dialogar, entender como funciona o ordenamento jurídico deles e buscar o cumprimento das decisões”, afirmou. Enquanto o impasse persiste, Karin segue no Egito tentando encontrar o filho: “Eu só quero o mínimo: ter o meu filho de volta”. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região A Veja mais notícias da região no g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/06/08/fiz-tudo-o-que-estava-ao-alcance-brasileira-que-luta-ha-3-anos-para-reencontrar-filho-levado-ao-egito-vive-nova-tentativa-frustrada.ghtml


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