Geração Z troca telas por crochê, cerâmica e outros hobbies 'retrô' para desacelerar: 'Bom para saúde mental', diz jovem
13/09/2026
(Foto: Reprodução) Geração Z adota hobbies "retrô", como crochê e cerâmica, para fugir das telas em SP
Pode parecer cena de outras gerações, mas hobbies como crochê ou cerâmica estão conquistando pessoas de 20 anos, da chamada Geração Z, justamente quem cresceu cercado por smartphones, computadores e redes sociais. “Bom para a saúde mental", destaca Rhayanne Ferreira, 21 anos, de Araçatuba.
Em 2026, atividades consideradas antigas ou até mesmo "retrô" voltaram a ganhar espaço entre os jovens dessa faixa etária, que nasceu e cresceu em meio à expansão da tecnologia.
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O movimento tem uma explicação curiosa. Depois de passar tantas horas diante das telas, alguns jovens estão procurando exatamente o contrário: atividades que exigem concentração, paciência e contato com as próprias mãos.
Rhayanne Ferreira, 21 (esq.), e Larissa Locatelli, 25, ambas de Araçatuba (SP), deixam celular e telas de lado e se dedicam a crochê e cerâmica para desacelerar a mente
Fotos: Gustavo Torrente/TV TEM/Reproduç
É o caso de Rhayanne, analista de tecnologia da informação. Há quatro anos, ela descobriu o crochê, curiosamente depois de assistir a um vídeo nas redes sociais.
"Passando o dia vendo vídeos na rede social, eu vi uma pessoa fazendo crochê. Pensei: vou fazer igual, pelo menos ocupo meu tempo com outra coisa", conta à TV TEM.
A escolha acabou se transformando em um hobby e, principalmente, em uma maneira de desacelerar.
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Rhayanne trabalha diariamente diante do computador. Quando chegava em casa, continuava conectada pelo celular. O resultado era uma rotina em que a mente parecia não ter botão de desligar.
"O crochê ajuda muito na saúde mental, porque ficar olhando para tela o dia inteiro produz muita dopamina. Focar em artesanato faz muito bem", afirma.
A ironia é que foi justamente pela internet que ela encontrou uma maneira de passar menos tempo conectada.
A psicóloga Glediane Santana, de Araçatuba (SP), explica que a nostalgia de jovens por hobbies dos pais e avós está relacionada ao cansaço provocado pelo excesso de exposição às redes sociais
Gustavo Torrente/TV TEM/Reprodução
Da tela para as mãos
Seja no crochê, no tricô, na cerâmica ou até mesmo na coleção de discos de vinil, os jovens estão redescobrindo atividades analógicas. O que para pais e avós pode parecer antiquado, para a geração Z virou tendência.
Há ainda outro elemento curioso nessa relação: a nostalgia. Muitos desses jovens sentem saudade de objetos, costumes e atividades associados a uma época que, na prática, eles nem chegaram a viver plenamente. É uma espécie de resgate do passado em meio a um presente cada vez mais digital, conforme destaca a psicóloga Glediane Santana, à TV TEM.
Para a profissional, o fenômeno está relacionado ao cansaço provocado pelo excesso de exposição às redes sociais.
"Temos um movimento caracterizado pelo afastamento das redes sociais. A questão da nostalgia entra porque a pessoa viu a mãe, viu a avó fazendo aquilo, como no exemplo do crochê. Esse esgotamento por causa das redes leva a pessoa a esse comportamento. É um ato de autoconhecimento também, a partir daquilo que eu preciso de um tempo para mim", explica.
A especialista ressalta que o problema não está necessariamente no uso das redes, mas no excesso.
"Já existem artigos tratando desse tema, do quão é benéfico sair das redes. O uso não é ruim. O problema é o excesso em que a gente vive", afirma.
Assim, para alguns jovens, pegar uma agulha de crochê ou uma porção de argila pode ser uma maneira de estabelecer uma pausa em uma rotina marcada por notificações, vídeos curtos e rolagem infinita do feed.
A arquiteta Larissa Locatelli, de Araçatuba (SP), destaca que o artesanato exige concentração, o que a obriga a desacelerar a mente: geração Z se dedica a hobbies do passado
Gustavo Torrente/TV TEM/Reprodução
Cerâmica entra na onda
A arquiteta Larissa Locatelli conheceu a cerâmica há cerca de um ano e meio. Para ela, trabalhar com as mãos é uma oportunidade de desacelerar e se concentrar no presente.
"Acho que a arte manual é uma das melhores maneiras da gente se sentir bem, de desacelerar a rotina do dia a dia, que é muito estressante”, diz Larissa, à TV TEM.
O processo exige tempo. É preciso moldar, esperar, corrigir, criar e, muitas vezes, aceitar que o resultado não sairá exatamente como planejado.
“É uma arte em que o estresse não combina. Ela exige desaceleração para a gente poder criar alguma coisa que dê certo", comenta a arquiteta.
No ateliê onde Larissa aprende, as aulas acontecem uma vez por semana e duram cerca de duas horas e meia.
A ceramista Clara Risson, professora de Larissa, conta que a presença de jovens tem sido cada vez mais perceptível. Além da possibilidade de se afastar das telas, a atividade acaba criando uma outra forma de conexão: presencial.
"Ministro bastante workshops de kits de café da manhã e têm aparecido muitos jovens mesmo. Fico muito feliz com isso, principalmente por causa da sociabilidade", afirma.
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