Governo de SP multa em quase R$ 3 bilhões Ultrafarma e Fastshop após apuração da Fazenda e investigação do Ministério Público

  • 31/07/2026
(Foto: Reprodução)
MP de São Paulo faz operação contra esquema bilionário de fraude do ICMS no varejo A Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo aplicou autos de infração que somam quase R$ 3 bilhões contra as redes de varejo Ultrafarma e Fast Shop após uma apuração interna que teve origem na Operação Ícaro, investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo sobre um suposto esquema de fraude tributária e corrupção dentro da própria pasta. As multas são resultado de um grupo de trabalho criado pela Fazenda em setembro do ano passado para dimensionar o alcance da fraude investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec). Segundo o MP, auditores fiscais favoreciam grandes empresas em processos relacionados ao ressarcimento de créditos de ICMS em troca do pagamento de propinas. Somadas, as multas aplicadas diretamente às duas companhias chegam a R$ 2.868.821.141,02. O órgão não informou qual das autuações corresponde à Ultrafarma e qual se refere à Fast Shop. Além disso, uma das frentes de investigação também resultou em autuações contra empresas de terceiros que receberam operações consideradas irregulares pela fiscalização. Neste caso, foram aplicados outros R$ 947.186.041,23 em multas. O g1 procurou as empresas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Como os valores foram calculados Segundo a Secretaria da Fazenda, as autuações foram divididas conforme as diferentes irregularidades identificadas durante a investigação. Uma das empresas recebeu uma única autuação, elaborada pelo chamado Grupo de Trabalho Refazimento (G29), no valor de R$ 1.478.851.142,97. Já a segunda empresa foi autuada três vezes: Grupo de Trabalho Refazimento (G29): R$ 358.006.579,37; Grupo de Trabalho Transferências para Terceiros (na condição de emitente): R$ 476.087.113,00; Grupo de Trabalho Créditos Escriturados (outros créditos): R$ 555.876.305,68; Somadas, essas três autuações totalizam R$ 1.389.969.998,05. Investigação começou com operação do MP As autuações decorrem da Operação Ícaro, deflagrada pelo Gedec em agosto de 2025 para investigar um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores da Secretaria da Fazenda e grandes empresas do varejo. Na ocasião, o Ministério Público cumpriu mandados de prisão temporária contra um auditor fiscal apontado como operador do esquema e dois empresários ligados às empresas beneficiadas por decisões fiscais consideradas irregulares. Também foram executados mandados de busca e apreensão em residências dos investigados e nas sedes das companhias. De acordo com a investigação, o esquema atuava sobre pedidos de ressarcimento de créditos de ICMS. Esses créditos surgem em determinadas operações previstas na legislação tributária e podem ser utilizados pelas empresas para compensar impostos ou solicitar ressarcimentos ao Estado. A suspeita do Ministério Público é que processos administrativos eram manipulados para acelerar ou facilitar a liberação desses valores, inclusive com créditos supostamente inflados, mediante o pagamento de propina a integrantes da Secretaria da Fazenda. LEIA TAMBÉM: Justiça manda prender novamente ex-auditor fiscal apontado como líder de esquema bilionário de corrupção na Sefaz-SP MP pede que ex-fiscal da Fazenda morador de mansão de R$ 7 milhões nos EUA seja colocado na 'lista vermelha' de foragidos da Interpol Ultrafarma recebeu R$ 327 milhões em restituições indevidas de esquema no governo de SP, diz MP à Justiça Após a Operação Ícaro, as investigações avançaram em outras duas fases: Em março de 2026, a Operação Mágico de Oz cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária em São Paulo, Osasco, Valinhos e Tupi Paulista. A ação também resultou no afastamento de auditores fiscais e de um vice-prefeito suspeito de participação no esquema. Poucos dias depois, a Operação Fisco Paralelo realizou 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Os alvos incluíam servidores de unidades estratégicas da Secretaria da Fazenda, como as Delegacias Regionais Tributárias da Lapa, Butantã, ABCD e Osasco, além da Diretoria de Fiscalização. Segundo o Ministério Público, 16 servidores da Fazenda, entre ativos e aposentados, figuravam entre os principais investigados. Principais investigados Os ex-auditores fiscais de São Paulo Artur Gomes da Silva Neto, Alberto Toshio Murakami e Paulo Sérgio Siqueira do Prado. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Entre os principais alvos da investigação está o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como "King". Segundo o Ministério Público, ele é apontado como um dos mentores da organização criminosa, responsável por articular a distribuição de processos administrativos entre auditores para favorecer empresas em troca de propina. De acordo com a denúncia apresentada à Justiça, Artur teria recebido R$ 383,6 milhões em propinas e movimentado mais de R$ 1 bilhão dentro do esquema. Outro investigado é o auditor fiscal aposentado Alberto Toshio Murakami, conhecido como "Americano". Segundo o MP, ele emitia pareceres favoráveis para acelerar a liberação de créditos de ICMS a empresas como a Ultrafarma em troca de vantagens indevidas. Desde agosto de 2025, ele é considerado foragido e, em janeiro de 2026, passou a integrar a lista de Difusão Vermelha da Interpol. A investigação aponta que ele vive nos Estados Unidos. Também é investigado o ex-delegado tributário Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como "PP". Segundo o Ministério Público, ele fazia a ligação entre Artur Gomes da Silva Neto e Alberto Murakami dentro da Secretaria da Fazenda. Mais recentemente, "PP" firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público no processo que apura o esquema. Segundo os investigadores, ele era um elo entre os dois principais integrantes da organização, apontados como mentor e operador das fraudes envolvendo créditos de ICMS que teriam beneficiado empresas como Ultrafarma e Fast Shop. Artur permanece preso, enquanto Murakami continua foragido da Justiça. MP pede que ex-fiscal morador de mansão de R$ 7 milhões seja colocado na listada Interpol

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/07/31/governo-de-sp-multa-em-quase-r-3-bilhoes-ultrafarma-e-fastshop-apos-apuracao-da-fazenda-e-investigacao-do-ministerio-publico.ghtml


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