Haddad pretende manter escolas cívico-militares em SP e fala sobre Sabesp e trem intercidades; veja íntegra da entrevista

  • 03/09/2026
(Foto: Reprodução)
Link Vanguarda entrevista Haddad ao vivo O candidato Fernando Haddad (PT) foi entrevistado ao vivo nesta quinta-feira (3) no Link Vanguarda, da TV Vanguarda. Durante os 30 minutos de conversa, ele falou sobre temas como educação, segurança pública, saúde, transporte, concessões e desenvolvimento econômico. Na quarta-feira (2), o candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também havia sido convidado para participar da entrevista no estúdio do Link Vanguarda, mas a campanha comunicou que ele não participaria. As datas, a ordem e a dinâmica das entrevistas foram acordadas previamente em reunião com representantes dos partidos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Entre os assuntos abordados nesta quinta, Haddad afirmou que pretende manter as escolas que já adotaram o modelo cívico-militar, caso seja eleito, e disse que não pretende ampliar o programa. O candidato também falou sobre a Sabesp, concessões de rodovias e a proposta de implantação de um trem intercidades entre São Paulo e São José dos Campos. Veja abaixo a entrevista na íntegra: Haddad em entrevista na TV Vanguarda. Sarah Brito/g1 Pergunta 1: O senhor está na vida pública há muitos anos, acabamos de ver a sua trajetória, são mais de 25 anos, mas o senhor só teve um mandato eletivo, prefeito de São Paulo, de 2013 a 2016. Depois daquele mandato, candidato, o senhor tentou a reeleição e perdeu no primeiro turno. O senhor teve só 16% dos votos. Com base nesse retorno que os eleitores da capital paulista deram para o seu mandato, como o senhor vai convencer o eleitor aqui do interior de que o senhor merece um novo cargo no Executivo? Resposta 1 do Fernando Haddad: Ainda seis anos depois que deixei a prefeitura, eu ganhei na capital quando fui candidato a governador. Em 22, eu fiz 55% dos votos na capital. 16 foi um ano muito atípico para o PT, porque foi um ano do impeachment. E nós tivemos duas defecções muito importantes, foi a Marta e a Erundina terem deixado o partido. Depois voltaram a se aproximar. Foi uma eleição muito atípica, 2016 Seis anos depois, de novo, você pode confirmar esse dado com inteligência artificial, como você preferir, eu ganhei na capital e na região metropolitana com 55%. O interior é um desafio, mas eu peço que, à luz do que está acontecendo no estado, e o meu objetivo é trazer para o eleitor da capital, do interior, do litoral, a verdadeira situação no estado de São Paulo sobre a gestão do Tarcísio. Então, se você me permitir nesse programa, eu quero discutir alguns temas importantes: as finanças do estado, o crescimento da economia paulista, a segurança, a educação, a saúde. Eu quero apresentar dados oficiais para quem está me assistindo poder, inclusive, confirmar os dados que eu vou passar para vocês, porque eu acho que nós estamos em um perigo de risco em São Paulo. Nós estamos entrando numa trajetória muito delicada, de deterioração das finanças do estado e de precarização dos serviços essenciais. Pergunta 2: Então, vamos lá. Já que a sugestão é a economia, vamos a ela, a situação à frente do Ministério da Fazenda, do governo Lula, de 23 a 26, né? Ficou até março, foi marcada pelo aumento considerado na arrecadação. É verdade que, no primeiro ano, o governo precisou cobrir despesas para as quais não havia a receita prevista, mas também é verdade que o governo contou com a PEC da transição no primeiro ano. Mesmo assim, a partir do ano seguinte, retomou a cobrança integral do PIS/Cofins sobre combustíveis, promoveu a reoneração gradual das folhas de pagamento e aumentou o IOF para compras internacionais em cartões de crédito e débito, por exemplo. Caso vença as eleições, o senhor pretende rever alíquotas, reduzir isenções ou aumentar algum tipo de imposto estadual? Resposta 2 do Fernando Haddad: Bom, deixa eu te falar. Em primeiro lugar, tendo um comando constitucional que determina que benefícios fiscais serão revistos, e você tinha uma desoneração da folha dos meios de comunicação, inclusive dessa emissora, que estava em vigor havia 12 anos, e nove estudos acadêmicos mostraram que não havia justificativa para o povo brasileiro, como um todo, pagar pela previdência dos funcionários da Rede Globo, da Rede Record, do SBT. Não havia nenhuma justificativa para isso. Quem tem que pagar a contribuição patronal sobre a folha de pagamento de seus funcionários é a empresa. Mesmo uma empresa importante como essa, como a Rede Globo, tem que pagar pela previdência dos seus funcionários. Não é justo que todo o povo brasileiro pague pela aposentadoria dos funcionários da Globo. Não faz sentido. Por isso que propusemos uma revisão. Eu revi vários benefícios fiscais que estavam exagerados. Chegou a 600 bilhões de reais de benefícios fiscais que fiz essa revisão por uma determinação da Constituição. Outra coisa que todos os partidos do Congresso concordaram com essa revisão, inclusive o partido do Tarcísio de Freitas, o Republicanos, adotou toda essa agenda que você se referiu. Isso para colocar as contas que estavam desarrumadas pelo Bolsonaro em ordem. O orçamento que está indo para o Congresso deste governo para o ano que vem é um orçamento com superávit, depois de anos de déficit público. Então eu sou o ministro da Fazenda que botou ordem nas contas para a gente ter inflação mais baixa em quatro anos da nossa história, para a gente estar com menor taxa de desemprego da nossa história e para a gente estar com crescimento no Brasil que é o dobro da média dos períodos de Temer e Bolsonaro. Então a gente teve que tomar medidas duras contra o bolso empresário, contra grandes bilionários que não pagavam impostos, contra BFs que foram isentos em impostos durante o governo Bolsonaro, mas eu fiz isso também para isentar 15 milhões de brasileiros que deixaram de pagar imposto de renda, que ganham até 5 mil reais. O governo do Bolsonaro, quando a pessoa ganhava 2 mil reais, ela já começava a pagar imposto de renda, e eu mudei essa realidade e, até 5 mil reais, deixo de pagar impostos. E eu não reverti muita coisa. Vou começar pelos contratos assinados pelo Tarcísio. O Tarcísio está desmontando as contas públicas que foram colocadas em ordem pelo saudoso Mario Covas, que durante dois mandatos tomou muitas medidas difíceis e, às vezes, impopulares para colocar ordem nas contas que foram desarrumadas pelo Quércia e pelo Fleury. Eu vou ter que fazer a mesma coisa na gestão do Tarcísio, porque ele herdou 22 bilhões em caixa do governo Doria, está com 5 bilhões, ele vendeu essa BESP e ninguém sabe onde foi o dinheiro. O superávit orçamentário que ele herdou, de 12 bilhões, se transformou em um déficit de 9 bilhões, e o superávit primário que ele herdou, ele reduziu em dois terços. Isso reduzindo o investimento em relação ao governo. Haddad em entrevista na TV Vanguarda. Reprodução/TV Vanguarda Pergunta 3: O candidato, só para a gente trazer aqui para o estado, não querendo dar uma cortada, mas aproveitando aqui que a gente está falando de impostos, de alíquotas, ainda de economia, para a gente trazer aqui para o estado, porque o imposto que mais gera arrecadação para o estado é o ICMS. Ele tem diferentes alíquotas. A gente separou algumas aqui, que dependem do produto, variando de 7 a 30%. Temos alguns números para tanto o senhor, candidato, quanto a população também acompanhar junto com a gente. Estamos aqui, por exemplo: o fumo, 30%; os solventes, jogos eletrônicos, 25%; circuitos em preços, robôs industriais, 12%; até aqui, o ovo integral e também aqui os preservativos, 7%. Mas a alíquota padrão no estado é de 18%. Em caso de vitória, o senhor vai continuar mantendo essa alíquota padrão de 18%? É um compromisso? Resposta 3 do Fernando Haddad: Sim, mas tem um detalhe que eu preciso salientar. Nós fizemos a maior reforma tributária da história do Brasil, que entra em vigor a partir de 1º de janeiro. 1º de janeiro, todos os investimentos vão ficar isentos de imposto, as exportações vão ficar isentas de imposto e, a partir de 2029, o ICMS vai acabar. Cinco impostos vão se transformar num único imposto chamado Imposto sobre Valor Agregado. É um imposto que substituirá assim, um grande benefício para a indústria. Nós poderemos reindustrializar o estado de São Paulo. O estado de São Paulo continua forte no agro, graças aos planos safra do governo federal, continua forte nos serviços, mas se enfraqueceu muito com a guerra fiscal, e a reforma tributária acaba com a guerra fiscal. Tirada em preços daqui, agora todos os estados brasileiros vão disputar quem atrai mais investimento de fora para o Brasil e São Paulo, graças à reforma tributária, vai poder sair na dianteira, desde que tenha um plano de desenvolvimento que apresentamos no nosso plano de governo. São Paulo terá uma reindustrialização, inclusive essa região que já foi beneficiada com medidas do governo atual, o governo Lula. Você pega a Embraer, batendo recorde em problemas, a Vibraça que foi recuperada, nós temos condições de reindustrializar o Vale do Paraíba, se nós aproveitarmos a reforma tributária que já está aprovada e entra em vigor em 27. Pergunta 4: Candidato, vamos falar de Sabesp, então. O senhor já citou aqui, o senhor está falando em revisar esse contrato, mas o senhor não detalhou exatamente como vai fazer. Só vou dar alguns dados para quem está nos acompanhando também ter esse dado. Desde 2022, a agência reguladora de serviços públicos de São Paulo, Arsesp, que fiscaliza essa prestação de serviço no estado, aplicou quase 11 milhões de reais em multas à Sabesp em procedimentos que tratam só de São José dos Campos. Nenhum centavo foi pago. Em julho deste ano, uma manutenção emergencial deixou 70% da população da cidade sem água, de que passou quase uma semana falando disso aqui no jornal. Apenas revisar o contrato vai melhorar esse serviço? Resposta 4 do Fernando Haddad: Olha, a privatização da Sabesp foi um negócio frio, porque o governador prometeu reduzir a conta de água, com a privatização a conta de água aumentou, você que está me ouvindo sabe disso, o serviço piorou. Então nós vamos ter que sentar com a Sabesp e vamos ter que repactuar os contratos, sobretudo as penalidades que têm que ser impostas a essa companhia em caso de falha. Isso não está acontecendo só com a Sabesp. As linhas de trem e metrô em São Paulo foram privatizadas e aumentaram em 27% as falhas do sistema. A Sabesp hoje é recordista no Procon, as queixas aumentaram, superando o que existia da Enel. E o free flow é outra privatização que está dando muito problema em São Paulo. Então, assim como eu vou fazer com os contratos de custeio para abrir espaço fiscal e recuperar as finanças do estado, eu vou ter que sentar com as concessionárias para recuperar a qualidade do serviço público que está se deteriorando. Então não há como evitar esse encontro de contas com as concessionárias e elas vão ter que sentar comigo para negociar. Caso elas não aceitem a negociação, em proveito do cidadão, eu vou judicializar o contrato, porque privatização não é para aumentar o lucro da companhia e dos acionistas. Os acionistas merecem receber seus dividendos como sempre receberam, mas triplicar o lucro da Sabesp depois de privatizada, em desfavor do usuário, não me parece uma boa saída que o governador arrumou. Pergunta 5: O senhor disse que vai rever contratos da Sabesp, citou o free flow. O senhor fala na sua campanha que não é contra privatização e costuma destacar a Sabesp e foi contra. Sim, mas, no geral, falando em tese, o senhor inclusive costuma destacar que foi ali o autor da lei das PPP, parcerias público-privadas. Hoje o estado de São Paulo tem dez empresas públicas, incluindo a Companhia Docas de São Sebastião. Eu quero saber do senhor se o senhor considera privatizar alguma dessas empresas ou, de repente, fazer alguma PPP em algum serviço do governo do estado? Resposta 5 do Fernando Haddad: Olha, é muito importante que quem nos ouve saiba da diferença de propostas entre o que Tarcísio propôs para a ação de São Sebastião e o que nós propomos. Nós somos contra privatizar a autoridade portuária. A autoridade portuária no mundo inteiro é pública. Quem controla os portos é autoridade pública. O que você consegue são espaços que são explorados pela iniciativa privada por tempo determinado. Mas quem controla o fluxo dos portos é autoridade pública e, repito, isso é no mundo inteiro. Então eu sou contra a privatização da autoridade portuária como propôs o Tarcísio para Santos e para São Sebastião. São Sebastião é um porto federal que foi transferido para o governo do estado há cerca de 20 anos. Se eu não me engano, em 2007 eu estava no governo federal, na Educação, quando esse porto foi transferido. E de lá para cá ele vem recebendo alguns investimentos. Ele precisa aumentar o espaço para novas concessões, novas parcerias para o setor privado. Repito, mantendo a autoridade nas mãos do poder público, e ele tem uma vocação natural para cabotagem. Cabotagem no Brasil está ganhando tração. Nós estamos recuperando a indústria naval, que foi quase dizimada no Brasil no período anterior. Estamos gerando empregos. Novos estaleiros estão se fixando no litoral brasileiro e São Paulo não pode ficar para trás. Então a nossa ideia é modernização do porto sem abrir mão do controle. Pergunta 6: E quando eu te perguntei se você considera fazer alguma PPP, eu até queria incluir aqui duas rodovias da nossa região, a SP-50, que liga São José dos Campos a Monteiro Lobato, na Serra da Mantiqueira, e a Rio-Santos também, sobretudo aquele trecho de duplicação entre Caraguatatuba e Ubatuba. Existe uma possibilidade de se entrar no plano de concessão? Resposta do Fernando Haddad 6: Isso vai ser necessário falar. Ó, capítulo rodovia, eu sou muito a favor de parceria para o privado. As rodovias de São Paulo ganharam o mundo. O que eu sou contra? É uma rodovia que já foi duplicada, manter o preço do pedágio como era quando havia obras a serem feitas. Então, revisando o preço, que eu posso fazer e devo fazer, em virtude do fato de que as obras remanescentes não justificam o valor do pedágio. Isso é uma obrigação do Poder Público: conferir se há compatibilidade entre a cobrança do pedágio e o que está sendo feito, somada à manutenção, no justo preço atual. Pergunta 7: Você falou que nas rodovias não é contra e nas escolas. Eu pergunto isso porque o Governo do Estado fez essa PPP nas escolas. Então a iniciativa privada cuida da infraestrutura, limpeza, segurança e o Poder Público cuida da educação. Então você pretende manter essas PPPs ou não? Resposta 7 do Fernando Haddad: Não. Não vou continuar a fazer PPPs na área de educação. Isso é uma reportagem recente. Não vou me lembrar o jornal, mas é fácil localizar pelo Google que o aumento da despesa com a PPP na educação foi de 38%. Ou seja, aumentou o valor da manutenção. E as escolas que não estão no programa de preparação não estão recebendo recurso. Então você tem um desmonte hoje. Já que você procurou na educação, as pessoas entenderam o que aconteceu com a qualidade da educação de São Paulo, medida pelo instituto que faz essa métrica no país inteiro. São Paulo caiu da terceira posição para a décima posição, do governo Tarcísio, em qualidade do ensino médio. O ensino médio é uma etapa de ensino absolutamente estratégica, porque é o momento em que a juventude está definindo a sua vida, tanto para o mercado de trabalho quanto para a universidade. Se você não cuida do ensino médio, você mata uma geração. Eu fui ministro da Educação há sete anos, abri as portas da universidade pelo ProUni, pelo ReUni, aqui mesmo em São José dos Campos, instalamos a Unifesp, e o ensino médio está descuidado, e é a única e exclusiva responsabilidade do governador pela Constituição. É ele que manda no ensino médio. E nós estamos caindo em qualidade ao longo dos últimos quatro anos. Pergunta 8: Falando ainda sobre isso, de educação em relação às escolas, eu tenho até uns dados aqui para trazer para o senhor acompanhar com a gente, que no ano passado o Governo do Estado fez consultas a 302 comunidades escolares em relação à implantação das escolas cívico-militares. A gente trouxe aqui essas informações. 132, então, aprovaram o modelo das escolas cívico-militares, quatro não aprovaram, e 166 não atingiram o quórum suficiente. Aqui na nossa região, candidato, nós temos 11 unidades com esse tipo de ensino funcionando. A gente quer saber se o senhor pretende manter esse tipo de ensino, cívico-militar, nessas unidades, ou se pretende retornar todas elas para o modelo tradicional? Resposta 8 do Fernando Haddad: Eu sou uma pessoa que foi criada, cresci e me criei na democracia. Você não faz nada ao arrepio da comunidade escolar. Então, a escola que optou por esse modelo, eu vou manter até quando eles quiserem, mas eu não vou expor nesse modelo, e eu explico por quê. Não há nenhuma evidência, pelo contrário, que essas escolas melhoram a qualidade do ensino. Inclusive, no Brasil, não há nenhuma evidência, não é só em São Paulo. As melhores escolas brasileiras não são cívico-militares e nem estão no Sudeste. Hoje, estados como Piauí, Ceará, Pernambuco, Goiás, Espírito Santo têm sistemas de ensino muito melhores do que São Paulo. Lembrando que São Paulo, em 2015, estava em primeiro lugar em qualidade de ensino, caiu para terceiro lugar na gestão do Dória e para décimo lugar na gestão do Tarcísio. Então, privatização, escola militar, na minha opinião de ministro da Educação, não é o caminho. Há outros modelos que podem servir de referência para a gente voltar a ser, estar entre os primeiros colocados no país. Pergunta 9: Candidato, a violência é um tema que preocupa cada vez mais. O brasileiro, tradicionalmente, os partidos de esquerda como PT voltam contra apenas maiores para criminosos e medidas desse tipo. O Vale do Paraíba é proporcionalmente a região com maior índice de mortes violentas, que ação concreta é possível realizar para diminuir a violência em uma área que é tão distinta? Por exemplo, São José dos Campos teve taxa de 4,12 homicídios por 100 mil habitantes no ano passado. Ubatuba, que é pertinho, teve taxa de 25,25 homicídios por 100 mil. É uma região muito diversa. Resposta 9 do Fernando Haddad: O Tarcísio perdeu o controle e perdeu o comando sobre a segurança pública no Estado. Primeiro, ele teve que afastar o comandante-geral da Polícia Militar por suspeita de vínculo com o crime organizado. Alguns coronéis foram flagrados em colônias de férias com líderes do crime organizado. A imprensa noticia que o Comando Vermelho está entrando pelo Vale do Paraíba em São Paulo, justamente nessa região que você se referiu. Ubatuba, o governador nega que isso esteja acontecendo. Isso é briga de facção. Esse aumento de mortes é briga de facção. Fora subnotificação. Tem muito homicídio cujo autor não foi identificado, que ele coloca em outra rubrica. Não é homicídio, morte violenta por razões desconhecidas, coisa assim. Quando você junta tudo, essa não é a realidade. A pior coisa, inclusive, é que não se chega à autoria. De cada dez homicídios de São Paulo, em São Paulo, só quatro chegam ao autor e à solução. Esse índice para homicídio é vergonhoso. Se você tomar todos os crimes cometidos em São Paulo, o próprio governador reconheceu na campanha de 2022 que menos de 5% dos crimes de São Paulo é elucidado. E ele nunca mais divulgou a estatística. Pergunta 10: Desculpa. Quero saber se aumentar o efetivo, de repente, pode ajudar nisso? O senhor pretende contratar policial militar e policial civil? Resposta 10 do Fernando Haddad: Militar, eu acho que nós estamos com contingente satisfatório. Civil, porque pretendo. Inclusive, melhorar remuneração. Agora, nós precisamos modernizar tecnologia. Nós não temos hoje infraestrutura tecnológica para combater o crime. Eu vou explicar. Hoje, um BO está levando muito tempo para ser feito. Nós vamos fazer um BO por WhatsApp. Você vai ter uma inteligência artificial no outro lado do telefone. Te orientando a fornecer as informações em tempo real para que nós tenhamos um mapa do que está acontecendo em cada cidade do estado de São Paulo. Você vai organizar o patrulhamento e a investigação em tempo real. Porque se você avalia dois, três dias para tomar medidas, a gangue já mudou de lugar. Os crimes já estão sendo cometidos de outra maneira. Você não pega o criminoso. E o investigador tem muita dificuldade também em fazer um inquérito bem feito e chegar à conclusão, punindo o responsável. O que corrige criminalidade é o combate à impunidade. Se você põe na cadeia a pessoa, ela pensa duas vezes antes de cometer de novo o crime. Mas se fica 95% dos crimes sem solução, você concorda que não vai ser com pirotecnia que você vai resolver o problema. Você tem que ter efetividade no combate ao crime. Pergunta 11: Em relação aos homicídios, por exemplo, que tanto preocupam agora, a gente sabe que em São Paulo estão registrados 142 homicídios só no primeiro semestre deste ano. A gente trouxe também alguns dados aqui. Quero que o senhor acompanhe comigo. Em 2029, a taxa de feminicídios então em São Paulo, aqui a gente tem 1,1% mil mulheres. Aqui a gente tem os outros estados que são governados por governadores do PT, do seu partido. Em todos esses estados aqui a gente vê que apenas no Ceará a taxa é menor do que em São Paulo. Nos outros estados, as taxas são iguais ou então maiores. Então, por que o eleitor deveria acreditar que no seu governo, caso eleito, em sua gestão em São Paulo, o seu trabalho seria mais eficaz no combate aos feminicídios? Resposta 11 do Fernando Haddad: Porque no Brasil inteiro o feminicídio está caindo e aqui em São Paulo está subindo. O que importa é o que está acontecendo nos últimos quatro anos para a gente julgar a atual gestão. O Tarcísio está batendo recorde de feminicídio e eu, em 22, alertei em debate de que isso ia acontecer. Perguntei a ele quais providências ele ia tomar. Ele falou que ia tomar muitas, não tomou nenhuma, explodiu o feminicídio no estado de São Paulo, 37% a mais. O feminicídio é um crime muito específico porque ele acontece às vezes dentro da residência da pessoa. Você precisa preparar o serviço público de saúde, educação e assistência primeiro para identificar indícios de violência. Segundo lugar, o agressor, que não matou, mas promoveu uma lesão corporal na companheira, essa pessoa tem que estar presa ou ela tem que pagar pela tornozeleira eletrônica porque ela não pode se aproximar mais da mulher agredida. Está faltando tornozeleira eletrônica no estado mais rico da federação. Está faltando colete à prova de bala para a policial militar no estado mais rico da federação. Com esse descaso com a segurança pública, será que nós vamos atingir índices melhores do que os atuais? Nós temos que preparar o serviço público para identificar indícios, ter uma central que vai recolher toda essa informação com pessoas especializadas, assistentes, psicólogas, advogados, Defensoria Pública, Ministério Público para agir preventivamente, senão nós vamos continuar vendo esses casos. Pergunta 12: Você está falando tudo isso, o senhor já definiu quem vai ser seu secretário de segurança, candidato? Resposta 12 do Fernando Haddad: Eu não posso anunciar o secretário antes da eleição, até porque seria uma coisa que eu nunca fiz na vida. Você ganha eleição e monta equipe, mas eu tenho bons nomes em vista, inclusive já consultados. Eu penso que nós vamos surpreender positivamente. Só uma coisa que aconteceu com esse governo foi errar na escolha do secretário de segurança. Pergunta 13: Vamos em frente que o nosso tempo está terminando. Candidato, vamos falar de saúde. O Hospital Municipal Universitário de Taubaté há anos vive em crise financeira. O município já tentou devolver o AME para o Estado e aumentar o repasse que recebe do Estado e do Governo Federal. O senhor acredita que uma dessas soluções pode ser o caminho do AME? Resposta 13 do Fernando Haddad: Eu estou estudando esse caso especificamente e ele é problemático mesmo. Mas nós temos que também levar em consideração que aqui e ali nós vamos ter que fazer alterações pontuais, mas nós precisamos na saúde primeiro de alguma estrutura melhor com o interior, sobretudo hospitais-dia. Tem hospitais-dia, é um mecanismo pelo qual você faz a fila do SUS andar sem a necessidade de internar a pessoa. Ela vai se recuperar em casa. A cirurgia ambulatorial, ela é recomendada numa infinidade de casos em que a pessoa não precisa ficar internada até para evitar infecção hospitalar. Ela vai melhorar em casa. Segundo lugar, o CROSS está incompleto. O CROSS é o sistema de regulação do Estado. Ele não é atualizado. Isso é uma inteligência inteligente da fila. Eu vou dar um dado para vocês. Nós colocamos em 2026, na comparação com 2022, 100 bilhões a mais no Ministério da Saúde. Esses 100 bilhões de reais foram distribuídos de forma equivalente para todos os governadores do país. Onde a fila menos andou no Estado de São Paulo? Nós estamos com um problema de gestão em São Paulo. A fila do SUS está aumentando. A ponta da espera para a cirurgia chega, segundo dados do governo Tarcísio, a 11 meses esperando uma cirurgia. Fora o que você já esperou na consulta, fora o que você já esperou nos exames. Tem soma a tudo? Podemos estar falando de um ano e meio a dois meses para esperar uma cirurgia no Estado mais rico da federação. Pergunta 14: Pegando gancho nesses desafios que o senhor está falando da saúde pública, o governo do Estado se queixa da defasagem do teto MAC, aquele teto que repasse, na verdade, feito para procedimentos de alta e média complexidade. O governo federal passa anualmente. Se o senhor for eleito, o senhor pretende pedir a revisão desse valor, candidato? Resposta 14 do Fernando Haddad: Esse valor, esse 100 bilhões a que eu me referi de dinheiro adicional, é o que garantiu a tabela SUS paulista. A tabela SUS paulista, alardeada como solução para tudo, 62% da tabela SUS paulista é dinheiro federal. Está dentro desses 100 bilhões a mais que foram repassados para todos os governadores indistintamente. Outra coisa que eu quero fazer, eu quero montar um banco aqui para reindustrializar o Estado e para melhorar os serviços públicos. Nós vamos fazer uma parceria com as Santas Casas, já procurei as Santas Casas. Nós queremos fazer uma central de compra das Santas Casas, porque elas compram, vão poder derrubar o preço dos insumos comprados. E vamos renegociar a dívida das Santas Casas com taxa de juros mais civilizadas. Mas, para isso, o governador tem que estar do lado das Santas Casas. Não pode deixar cada uma comprando e renegociando suas dívidas com o sistema financeiro do jeito que está. Pergunta 15: Deixa eu insistir no valor do Teto MAC, só para ficar claro, para ficar na mesma página. O senhor acha que esse valor, que esse repasse está ok? Porque, inclusive, o governo atual reclama que essa defasagem dá um prejuízo de cerca de 3 bilhões por ano. Resposta 15 do Fernando Haddad: O governo atual nunca recebeu tanto dinheiro do governo federal. Se ele comparar, ou seja, qualquer Bolsonaro passou para o Dória, isso seria interessante da empresa fazer. Bolsonaro não passou nada para Dória. Bolsonaro asfixiou o Estado de São Paulo, porque não gostava do governador. O nosso governo federal não faz esse tipo de discriminação em função do partido que o governador é filiado. O Tarcísio recebeu quatro vezes mais recursos do BNDES do que no governo anterior. Recebeu o repasse para a Rede SUS paulista, 62% da Rede SUS paulista é federal. E isso vale para o PAC, isso vale para as universidades, isso vale para o túnel Santos-Guarujá, mas para tudo que São Paulo está realizando com a parceria que é justa. Nós só estamos lembrando do cidadão que mudou o governo e mudou a gestão. Pergunta 16: Só para a gente entrar em mais um tema antes de encerrar, o transporte: em 2010, o presidente Lula apresentou os termos de concessão do projeto trem-bala para ligar São Paulo ao Rio de Janeiro. Uma estação ficaria aqui em São José dos Campos. A promessa era entregar a obra em 2016, mas ela nunca saiu do papel. Agora, durante a campanha, você está falando bastante da questão de trem em média velocidade, não seria o trem-bala. Por que o eleitor deve acreditar agora essa nova promessa? Resposta 16 do Fernando Haddad: Primeiro que isso não foi uma promessa, uma tentativa do governo Dilma de fazer o trem-bala São Paulo-Rio de Janeiro. Eu duvido um pouco da minha habilidade até hoje. Eu era prefeito com a discussão que começou e, tecnicamente, ela é muito difícil de ser feita em função do relevo entre as pessoas. Mas o trem intercidades já é uma realidade em Campinas, graças ao governo federal, projeto do Alckmin e financiado agora pelo governo federal, e, aqui, para São José dos Campos, um trem intercidades é possível ou também é viável. Eu pretendo realizar. Mas seria mais ou menos o prazo do trem intercidades para Campinas. Nós temos que ter para todas as regiões, mas eu não acredito que para São José dos Campos nós temos que ter uma atenção imediata, porque ela melhora muito o fluxo para o Rio de Janeiro, mesmo partindo aqui. Pergunta 17: Nesses 30 segundos para encerrar, qual a prioridade para o Vale do Paraíba, para essa área de cobertura. Qual seria? Resposta 17 do Fernando Haddad: A industrialização, nós aproveitarmos a reforma tributária que eu entreguei há uma hora e 40 anos, que fazemos um plano de desenvolvimento, nós já fizemos o apoio, a Embraer, a Avibras, trouxemos para fortalecermos a região, trouxemos a universidade, mas o Vale pode ter um. Considerações finais de Fernando Haddad: Bom, em primeiro lugar, eu queria agradecer a oportunidade de conversar com vocês. Quero dizer: eu trouxe dados para vocês sobre as finanças do estado, o crescimento de São Paulo, que está na casa de meio por cento para o segundo ano consecutivo, a queda da qualidade da educação, o aumento das filas do SUS e a crise na segurança pública. Hoje saiu mais uma notícia da corrupção da Secretaria da Fazenda. Nós estamos vendo casos de corrupção também ligados à segurança pública, e isso pode mudar para melhor. Nosso estado é muito forte. Nosso estado tem grandeza, mas nós estamos ficando atentos à tendência que está acontecendo hoje, para não deixar esses serviços continuarem a piorar. Nós podemos reverter esse quadro com alguma facilidade, porque o estado de São Paulo, ele é forte, mas ele não entra a desaforo, ele precisa de uma retomada do desenvolvimento, uma retomada da economia, e o nosso plano de governo oferece isso para você com segurança. Agradeço aos ouvintes e aos telespectadores. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

FONTE: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/eleicoes/2026/noticia/2026/09/03/haddad-pretende-manter-escolas-civico-militares-em-sp-e-fala-sobre-sabesp-e-trem-intercidades-veja-integra-da-entrevista.ghtml


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