Justiça manda a júri popular acusados por disparos que feriram ex-prefeito de Taboão da Serra em suposto atentado

  • 08/07/2026
(Foto: Reprodução)
Ex-prefeito chora e nega participação em atentado falso contra ele A Justiça de São Paulo decidiu levar a júri popular os executores e intermediários envolvidos no caso dos disparos que atingiram o então prefeito de Taboão da Serra, José Aprígio da Silva (Podemos), em outubro de 2024. A decisão é de 24 de junho e foi disponibilizada agora em julho. Foram pronunciados Gilmar de Jesus Santos, Odair Junior de Santana, Clóvis Reis de Oliveira e Anderson da Silva Moura, que responderão por tentativa de homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri. A decisão não aponta quem seriam os mandantes do crime. Segundo o documento, essa apuração continua em um inquérito separado. Em março, o g1 mostrou que a Polícia Civil concluiu o segundo inquérito sobre o caso sem identificar os mandantes. (leia mais abaixo) O primeiro inquérito, encerrado em fevereiro de 2025, concluiu que os disparos contra o carro de Aprígio poderiam ter feito parte de uma suposta simulação de atentado para beneficiar politicamente o então prefeito durante a campanha eleitoral. Segundo a investigação, o plano teria sido articulado por integrantes do próprio grupo político de Aprígio. De acordo com a Polícia Civil, a ação saiu do controle. Seis disparos de um fuzil AK-47 perfuraram a blindagem do veículo e atingiram Aprígio no ombro esquerdo. Também estavam no carro o motorista, um secretário e um videomaker. O que diz a decisão A decisão de pronúncia reúne os elementos produzidos durante a investigação e trata o caso sob dois aspectos. Do ponto de vista da acusação, os réus foram pronunciados por tentativa de homicídio qualificado, crime que será analisado pelo Tribunal do Júri. Ao mesmo tempo, o documento registra a existência da tese de que a ação teria sido planejada como uma simulação de atentado, hipótese apresentada durante a investigação e que também será apreciada pelos jurados. Segundo a decisão, o réu colaborador Gilmar de Jesus Santos afirmou que o plano original não seria matar o prefeito, mas realizar uma "simulação de tentativa de homicídio" para gerar repercussão na imprensa e impulsionar a candidatura de Aprígio, que, segundo ele, aparecia em desvantagem nas pesquisas eleitorais. Ainda de acordo com Gilmar, o próprio então prefeito teria conhecimento do plano, que também envolveria o então secretário municipal de Obras. O colaborador afirmou que os participantes teriam recebido a garantia de que não haveria risco real porque o veículo era blindado e os disparos seriam direcionados a pontos previamente definidos, como os vidros e os pneus. A decisão também registra que o delegado responsável pela investigação afirmou estar convencido de que, embora os ocupantes do carro tenham sido expostos a risco concreto, não haveria intenção efetiva de matar Aprígio. Segundo o delegado, os disparos foram efetuados a menos de dois metros de distância com um fuzil AK-47 e, caso a intenção fosse executar o prefeito, seria possível atingir diretamente os ocupantes do veículo, já que o atirador disparou do lado oposto ao assento ocupado por Aprígio. Por que os réus vão a júri Apesar da tese de simulação apresentada pela defesa e mencionada pelo colaborador e pela autoridade policial, a juíza entendeu que o uso de um fuzil AK-47 contra um veículo ocupado por quatro pessoas, em via pública, evidencia a assunção do risco de produzir mortes — hipótese jurídica conhecida como dolo eventual. Por esse motivo, os acusados foram pronunciados por tentativa de homicídio qualificado. Na decisão, a magistrada ressalta que caberá ao Tribunal do Júri decidir, após a análise das provas, se houve intenção de matar ou se os fatos se enquadram na tese de uma simulação que, ainda assim, expôs as vítimas a risco concreto de morte. A decisão também menciona que outras pessoas continuam sendo investigadas em inquéritos paralelos, mas destaca que a identificação formal dos supostos mandantes ainda depende da conclusão dessas investigações. Inquérito A Polícia Civil concluiu, no mês passado, o segundo inquérito sobre o falso atentado político a tiros _que feriu e quase matou o então prefeito de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, José Aprigio (Podemos), em 2024_, sem identificar os mandantes do crime. O primeiro inquérito policial havia sido encerrado em fevereiro de 2025, quando a polícia concluiu que o ataque de fuzil ao carro do prefeito tinha sido forjado para sensibilizar a opinião pública e tentar reelegê‑lo — plano que, segundo a investigação, pode ter sido articulado por integrantes do próprio grupo político de Aprigio. A simulação, porém, saiu do controle: seis disparos de um AK‑47 russo perfuraram a blindagem e atingiram Aprigio no ombro esquerdo, colocando também sua equipe em risco: motorista, secretário e videomaker. Cinco suspeitos foram apontados pela polícia como intermediários e executores do plano; dois acabaram presos e três permanecem foragidos. Todos respondem por quatro tentativas de homicídio. O episódio viralizou após um vídeo editado que mostra Aprigio sangrando _ gravado pelo videomaker que estava no carro_ ser divulgado à imprensa 30 minutos depois do ataque pela assessoria do prefeito. Apesar de a polícia ter concluído que o atentado foi forjado e apontado intermediários e executores do plano, o Ministério Público (MP) determinou a abertura de um segundo inquérito para apurar quem mandou atirar. Político chora e nega envolvimento José Aprigio da Silva, ex-prefeito de Taboão, chora e nega ter participado de falso atentado contra si mesmo durante audiência na Justiça Reprodução A nova investigação acabou encerrada em 21 de janeiro deste ano, com a delegacia afirmando ter esgotado todos "os meios investigativos" e que "não foi possível identificar" os autores intelectuais. Além de Aprigio, seis pessoas foram investigadas por suspeita de envolvimento no plano — todas negaram participação na fraude. Em depoimento em vídeo à Justiça, ainda no primeiro inquérito, Aprigio chorou, relatou sequelas do ferimento e disse desconhecer o ataque. O g1 teve acesso à gravação (veja vídeo acima). “Eu não gostaria de acreditar que partiu do meu grupo político [o ataque a tiros], mas a gente… tudo é possível. A gente não pode dizer que também, né… que não foi. Eu quero que a Justiça apure, que vai chegar no culpado, e quero ver esse culpado na cadeia. E eu quero dizer pra ele: ‘Por que você fez isso comigo?’", afirmou o ex-prefeito em audiência com o promotor Juliano Atoji. "Tô sentindo muita dor no braço". O MP poderia ter pedido o arquivamento do segundo inquérito, mas optou por manter a investigação, solicitando quebra dos sigilos bancário e telefônico dos sete investigados — inclusive de Aprigio —, além de novos laudos periciais. Secretários do então prefeito à época também são investigados. A delação que revelou a farsa Gilmar Santos volta a dizer que atentado político contra então prefeito de Taboão foi falso Reprodução A descoberta do plano sobre o falso atentado só ocorreu após a delação premiada do preso Gilmar de Jesus Santos, que relatou que o atentado foi encomendado por pessoas ligadas ao grupo político de Aprigio para “parecer real” e repercutir na imprensa. Ele contou que um secretário _ que não sabe o nome_ queria um ataque que gerasse comoção e que, por isso, exigiu o uso de um fuzil. Segundo Gilmar, a ideia era manipular a opinião pública e impulsionar a campanha de Aprigio, que havia ficado atrás de Engenheiro Daniel (União Brasil) no primeiro turno. “Era pra mim poder fazer um falso atentado… que o prefeito estava baixo nas pesquisas, que era pra aumentar a pesquisa”, disse o delator em audiência. Ele afirmou que executaria o plano com Odair Júnior de Santana e Jefferson Ferreira de Souza, todos contratados por Anderson da Silva Moura, o “Gordão”, e Clóvis Reis de Oliveira. O trio dividiria um pagamento de até R$ 500 mil. Os acusados Gilmar e Anderson foram presos; os outros três seguem foragidos. Segundo o MP, Gilmar e Odair foram os responsáveis pelos disparos na Avenida Aprigio Bezerra da Silva — via municipalizada da Régis Bittencourt que homenageia o pai do próprio prefeito. O carro utilizado pelos criminosos, um veículo vermelho adulterado, foi incendiado em Osasco após a fuga. A audiência de instrução vai definir se os cinco réus irão a júri popular por tentativa de assassinato, além de adulteração de veículo, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O g1 não conseguiu localizar as defesas dos acusados. Defesa diz que prefeito é inocente Prefeito Aprigio foi baleado no ombro após tiro perfurar vidro blindado de carro. Reprodução/ José Antonio Teixeira/Alesp / Arquivo pessoal A defesa de Aprigio afirmou por meio de nota que a conclusão da polícia reforça a inocência do ex-prefeito, que não foi indiciado por nenhum crime. “O que evidencia a inexistência de provas que o vinculem à absurda narrativa de que teria participado de qualquer suposta ‘armação’, versão esta que sempre foi rechaçada pela defesa desde o início”, disse o advogado Allan Hassan. O defensor afirmou ainda que o ex-prefeito foi “vítima de um grave atentado” e que o caso quase resultou na morte dele. "Tendo sido atingido por disparo de arma de fogo de grosso calibre durante o período eleitoral, fato que por pouco não resultou em sua morte", informa o comunicado. Atualmente Aprigio tem 74 anos. Empresário no ramo da construção civil, ele está temporariamente afastado da política desde que perdeu a disputa da prefeitura de Taboão para Daniel em 2024. Atentado de Taboão da Serra: delator expõe detalhes da farsa com ex-prefeito Aprigio chegou a gravar vídeo de dentro do hospital para comentar o tiro que o atingiu no ombro Reprodução/Arquivo pessoal Delator fala sobre falso atentado a prefeito de Taboão da Serra em SP

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/07/08/justica-manda-a-juri-popular-acusados-por-disparos-que-feriram-ex-prefeito-de-taboao-da-serra-em-suposto-atentado.ghtml


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