Mercado estratégico e tecnologia: por que grupo dos Emirados Árabes Unidos avança sobre a indústria de defesa brasileira

  • 17/07/2026
(Foto: Reprodução)
Grupo árabe compra Akaer, indústria de defesa joseense A compra da Akaer, empresa de engenharia aeroespacial de São José dos Campos (SP), pelo grupo EDGE, dos Emirados Árabes Unidos, anunciada nesta quinta-feira (16), faz parte de uma estratégia da estatal para ampliar sua presença na indústria brasileira de defesa. Desde 2023, o grupo adquiriu 50% da SIATT, também de São José dos Campos, especializada em mísseis e sistemas inteligentes, 51% da Condor Tecnologias Não Letais, no Rio de Janeiro, e agora comprou 100% da Akaer. O valor da negociação da Akaer não foi divulgado e a operação ainda depende de aprovações regulatórias, que devem demorar entre três e cinco semanas. Para um especialista em indústria aeroespacial e de defesa ouvido pelo g1, as aquisições refletem o interesse estrangeiro pela capacidade tecnológica desenvolvida no Brasil e pela possibilidade de aportar recursos em empresas que, apesar da alta competência, enfrentam dificuldades para financiar sua expansão (leia mais abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Segundo o EDGE, o Brasil foi escolhido por reunir empresas com alto nível tecnológico, mão de obra especializada e um setor aeroespacial consolidado. "O Brasil reúne uma base industrial sólida, mão de obra altamente especializada e empresas reconhecidas internacionalmente pela sua capacidade de inovação e desenvolvimento de tecnologias avançadas para os setores de defesa e aeroespacial", informou o grupo ao g1. Fundado em 2019, o EDGE é uma empresa do governo dos Emirados Árabes Unidos voltada aos setores de defesa e tecnologia avançada. Segundo a companhia, o grupo reúne mais de 35 empresas e cerca de 18,4 mil funcionários. Compra de Akaer, em São José dos Campos, foi anunciada nesta quinta-feira (16). Reprodução/TV Vanguarda São José dos Campos no centro da estratégia Duas das três aquisições feitas pelo grupo no Brasil são de empresas instaladas em São José dos Campos. Segundo o diretor financeiro (CFO) do EDGE, Rodrigo Torres, além das empresas, o grupo buscou a capacidade de engenharia existente na cidade. "A gente traz uma capacitação enorme de São José dos Campos, todo o ecossistema de São José dos Campos, que é essencial para o desenvolvimento de programas." O executivo afirma que a combinação entre a engenharia da Akaer e a estrutura internacional do EDGE permitirá ampliar a atuação da empresa brasileira em outros mercados. "Com a união da área comercial da EDGE e a capacitação de engenharia que a Akaer tem, conseguimos acelerar a internacionalização e a exportação." Planos para a Akaer Segundo Rodrigo Torres, a expectativa é dobrar o tamanho da empresa nos próximos anos. "A gente espera duplicar a empresa. Trazer duas vezes mais engenheiros e a receita ser o dobro do que é hoje." Ele afirmou ainda que a Akaer continuará em São José dos Campos, manterá o status de Empresa Estratégica de Defesa e terá os empregos preservados. Torres não confirmou problemas financeiros na Akaer, mas disse que a compra representa uma "virada de página" para a companhia. Ainda segundo o executivo, além da Akaer, o EDGE pretende ampliar investimentos no Brasil, com projetos envolvendo a SIATT, a Condor e parcerias com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Especialista vê interesse na tecnologia Para Marcos Barbieri, professor da Unicamp e especialista em indústria aeroespacial e de defesa, o principal atrativo para o grupo EDGE é a capacidade tecnológica desenvolvida por empresas brasileiras ao longo de décadas. Segundo ele, as três aquisições feitas pelo grupo dos Emirados Árabes Unidos envolvem empresas consideradas referências em seus segmentos. "A SIATT era uma empresa pequena, quase um centro de pesquisa. A Condor era uma das maiores fabricantes de armas não letais do mundo. E a Akaer é uma empresa de engenharia aeroespacial e aeronáutica de alta competência", afirmou. Na avaliação do pesquisador, o Brasil possui conhecimento técnico reconhecido internacionalmente, mas muitas empresas enfrentam dificuldades para obter os investimentos necessários para crescer. "Nós tínhamos uma esperança muito grande que a Akaer pudesse chegar nesse nível. Em engenharia eles tinham competência. Mas faltava recurso." Para Barbieri, países costumam adotar mecanismos para proteger empresas consideradas estratégicas. "Do lado deles, é excelente. Eles compram empresas com altíssima competência que transferem tecnologia", disse. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

FONTE: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2026/07/17/mercado-estrategico-e-tecnologia-por-que-grupo-dos-emirados-arabes-unidos-avanca-sobre-a-industria-de-defesa-brasileira.ghtml


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