Operação contra infiltração do PCC no transporte leva dez presos à Dise de Mogi das Cruzes
17/09/2026
(Foto: Reprodução) Polícia Civil e Gaeco realizam operação contra crime organizado em Mogi
Dez pessoas presas durante a Operação Vectura Corrupta foram levadas nesta quinta-feira (17) para a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes. Até a última atualização desta reportagem, quatro delas haviam sido identificadas.
A operação investiga a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo e estruturas do poder público no estado de São Paulo. Ao todo, são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, em cidades como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
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Embora não haja cumprimento de mandados nas cidades do Alto Tietê, a unidade concentra os presos e os materiais apreendidos porque a investigação teve início na região.
Os quatro presos identificados são:
Edivânia Arruda Botelho Alves, conhecida como Lalinha;
Danilo Morgado;
Levi dos Santos Oliveira;
Milton Mello Mirleu.
Os primeiros presos começaram a chegar à Dise de Mogi das Cruzes por volta das 8h. As outras seis pessoas encaminhadas à unidade ainda não tiveram os nomes divulgados.
Pelo menos 70 revólveres foram entregues na Dise de Mogi das Cruzes
João Belarmino/TV Diário
Documentos, computadores e armas também foram levados à delegacia. Pelo menos 70 revólveres foram entregues na unidade, além de dois carros de luxo que, segundo a investigação, pertencem ao advogado Milton Mello Mileu.
Quem são os presos já identificados
➡️ Edivânia Arruda Botelho Alves, conhecida como Lalinha, foi presa na região do Morumbi, na capital paulista. Segundo a investigação, ela teria atuado na transmissão de mensagens de integrantes da facção presos em Presidente Bernardes. O marido dela, apontado como integrante do PCC, também estava preso no município.
➡️ Danilo Morgado disputou as eleições municipais como candidato à Prefeitura de Praia Grande em 2020 e 2024. Ele já havia sido alvo da Operação Decurio, quando teve um mandado de busca e apreensão cumprido contra ele.
Danilo Morgado (União Brasil) é um dos presos levados à Dise de Mogi das Cruzes
Alexsander Ferraz/AT
De acordo com a investigação, a nova fase identificou indícios de ligação entre Danilo e o PCC, além da suspeita de que a campanha eleitoral dele tenha sido financiada pelo crime organizado.
A defesa de Danilo Marco Morgado da Silva afirmou que os fatos ainda estão sendo apurados e negou qualquer irregularidade na campanha ou envolvimento dele com o crime organizado.
➡️ Levi dos Santos Oliveira é ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans). Segundo o Ministério Público, ele teria participado de encontros periódicos para tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte.
O ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, que também foi levado à Dise de Mogi das Cruzes
Reprodução/Redes Sociais
A defesa afirmou que ainda não teve acesso aos autos nem às circunstâncias que fundamentaram a prisão. Disse também que, assim que conhecer o conteúdo da decisão e os elementos que a embasaram, tomará as medidas cabíveis.
➡️ Milton Mello Milreu é advogado e, segundo a investigação, integra a facção e teria ultrapassado os limites do exercício regular da advocacia. Ele é investigado na frente da operação que apura a atuação da chamada “Sintonia dos Gravatas”, grupo de advogados que, de acordo com a Polícia Civil, agiria em benefício do PCC
Conheça os nomes listados pela polícia na investigação que mira presença do PCC nos ônibus de São Paulo
Polícia mira ex-vereador Milton Leite em investigação contra PCC em SP
Operação policial contra integrantes do PCC prende ao menos 13 pessoas no estado de SP
Operação que mira ex-vereador Milton Leite teve origem em investigação da DISE de Mogi das Cruzes em 2024
Milton Leite diz que vai se apresentar
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) também é alvo da operação, mas não foi localizado pela polícia.
Ele informou que está viajando, declarou que não se considera foragido e afirmou que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas. Milton Leite negou as acusações e disse que provará a própria inocência.
A investigação cita o ex-vereador como responsável direto pela operação de algumas das empresas que seriam controladas pelo PCC. Declarações reunidas em um procedimento no Tribunal de Justiça também apontariam que ele seria o verdadeiro dono de uma das empresas investigadas.
A Transwolff afirmou que Milton Leite nunca teve participação na empresa. Segundo a defesa, o decreto de intervenção da Prefeitura de São Paulo se baseou exclusivamente em questões financeiras comuns às empresas do setor e que poderiam ser solucionadas, sem qualquer fundamento criminal.
Investigação começou após apreensão em Itaquaquecetuba
A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decurio, realizada em 2024 pela Dise de Mogi das Cruzes.
A investigação começou após a apreensão de cerca de 30 kg de drogas em Itaquaquecetuba. Uma mulher apontada como responsável pelas substâncias foi presa. A análise do celular dela permitiu identificar pessoas supostamente ligadas a diferentes níveis do PCC.
Em 2024, foram cumpridos 20 mandados de prisão temporária e 60 de busca e apreensão em 15 cidades do estado. Ao menos 13 pessoas foram presas.
As informações obtidas também deram origem à Operação Contaminatio, realizada em abril de 2026. Essa etapa investigou uma empresa de tecnologia que, segundo a apuração, seria usada pelo PCC para entrar em administrações municipais e atuar na gestão do recebimento de tributos e taxas.
Na operação desta quinta-feira, a polícia investiga 12 empresas que atuam no transporte público de São Paulo. A apuração também analisa possíveis articulações políticas, financiamento de campanhas eleitorais e a atuação de advogados em benefício da organização criminosa.
Prefeitura e Câmara de São Paulo se manifestam
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, determinou a criação de um grupo para analisar os elementos reunidos na operação. A equipe será formada por representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município, da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte.
Segundo a Prefeitura, o grupo fará um levantamento de contratos, documentos e possíveis vínculos das empresas investigadas com o sistema municipal de transporte. A administração afirmou que adotará as medidas administrativas e judiciais cabíveis.
A Prefeitura também declarou que a intervenção na Transwolff, iniciada em abril de 2024, teve como objetivo proteger o sistema municipal de transporte.
A Câmara Municipal de São Paulo informou que acompanha os desdobramentos da investigação e aguarda as conclusões.
12 empresas de ônibus são investigadas
Garagem da viação A2 Transportes, na Zona Sul de São Paulo
Reprodução/TV Globo
Segundo a investigação, 12 das 22 empresas que operam o sistema de transporte coletivo da capital seriam, em tese, controladas direta ou indiretamente pelo PCC.
São elas: Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes.
Parte dessas empresas já apareceu em investigações anteriores da Polícia Civil e do Ministério Público sobre a atuação do PCC no setor.
A Transwolff, por exemplo, foi alvo da Operação Fim da Linha. O então presidente da empresa, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, foi preso sob suspeita de vínculos com a facção.
A investigação também aponta que Alfa Rodobus e Sancetur assumiram operações anteriormente realizadas por Transwolff e UpBus após a operação de 2024.
Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos indicam uma possível infiltração do PCC no sistema de transporte público da capital, com atuação de integrantes e intermediários da facção em empresas e procedimentos licitatórios.
‘Sintonia dos Gravatas’
Outra frente da operação investiga a chamada “Sintonia dos Gravatas”, grupo que, segundo a Polícia Civil, reuniria advogados que atuariam em benefício do PCC e teriam ultrapassado os limites do exercício profissional.
Entre os investigados estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu.
Segundo a investigação, escritórios e contas bancárias teriam sido utilizados para reuniões, movimentações financeiras e outras atividades de interesse da organização criminosa.
Entre os investigados citados nesta frente está José Daniel Satilite, conhecido como Alemão. A Polícia Civil afirma que ele integra o PCC e atuaria como intermediário entre empresários, advogados, políticos, pessoas próximas a políticos e integrantes da facção.
O documento judicial afirma que a investigação é baseada, entre outros elementos, na análise de aparelhos eletrônicos, documentos e informações financeiras reunidos ao longo das apurações. A decisão ressalta que as suspeitas estão sendo analisadas nesta fase da investigação e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade penal dos investigados.
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