Pesquisador da USP é condenado a 12 anos por estupro e morte de estudante após abuso em alojamento da faculdade

  • 31/07/2026
(Foto: Reprodução)
Foto de arquivo da fachada do Conjunto Residencial da USP (Crusp) na Cidade Universitária, Zona Oeste de São Paulo Marcos Santos/USP Imagens O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável com resultado morte de uma estudante de graduação da instituição. O caso aconteceu em 2020. A decisão da 14ª Câmara de Direito Criminal, publicada no início do mês, revisou uma sentença de primeira instância que havia absolvido o réu por falta de provas. Relatora do caso, a desembargadora Fátima Gomes afirmou que os relatos feitos pela jovem antes de morrer foram consistentes e confirmados por testemunhas, documentos médicos e laudos periciais. A estudante morreu dias depois, após desenvolver uma grave infecção na região genital que evoluiu para septicemia. O conjunto de provas demonstrou que Felipe Ramos ofereceu à estudante um copo de bebida alcoólica "batizada" e aproveitou da incapacidade de resistência para manter relação sexual. A defesa sustentou a tese de que a relação foi consensual, mas o argumento foi invalidado pela juíza. "O fato de a vítima ter aceitado ir ao Crusp, ou mesmo de ter manifestado interesse inicial pelo acusado, não autoriza concluir que tenha consentido com a prática sexual posteriormente realizada, muito menos em contexto de inconsciência, amnésia ou incapacidade de resistência", registrou a relatora. O g1 entrou em contato com a defesa de Felipe, que informou que não irá se manifestar. Em nota, a USP lamentou o ocorrido e disse que se solidariza "com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de violência". Em relação ao caso, a universidade informou que não encontrou registros ou denúncias em seus canais institucionais e que o criminoso não tem mais vínculo com a USP (leia a íntegra abaixo). Agora no g1 O que aconteceu De acordo com a denúncia, os dois se conheceram em 5 de fevereiro de 2020 no restaurante universitário. O criminoso era aluno da pós-graduação em Geografia Humana, e a vítima era estudante de Biologia e colaboradora da área de informática da universidade. Após conversarem no bandejão, o pesquisador convidou a estudante para ir até seu apartamento no Conjunto Residencial da USP (Crusp), onde morava. Segundo a acusação acolhida pela Justiça, o homem entregou à jovem um copo de cerveja contendo uma substância química. Após ingerir a bebida, ela sentiu um gosto estranho, perdeu a consciência e ficou temporariamente incapaz de reagir. O estupro teria acontecido nesse momento. Pela manhã, a estudante acordou assustada, sem as roupas íntimas e deixou o local. Ainda nos dias seguintes, a vítima contou à irmã e a um amigo que acreditava ter sido dopada e abusada sexualmente. Também passou a apresentar dores, febre, inchaço e lesões na região genital. No dia 17 de fevereiro, procurou atendimento médico. Depois de relatar que havia sido estuprada, foi encaminhada ao Hospital Pérola Byington, referência no atendimento a vítimas de violência sexual. Quatro dias depois, morreu em decorrência de septicemia, doença provocada por um inflamação generalizada no organismo. Relatos antes da morte Como a estudante morreu antes do julgamento, seu depoimento nunca foi colhido em juízo. Mesmo assim, o TJ-SP considerou que a narrativa apresentada por ela em vida foi reproduzida de forma consistente por pessoas diferentes. Um amigo próximo relatou que a estudante disse ter conhecido um pesquisador da USP, ter mantido relação sexual, mas demonstrava confusão e não conseguia explicar exatamente o que havia ocorrido. Depois do encontro, segundo ele, a jovem apresentou medo, falta de ar, abalo emocional, perda de libido e receio de ter contraído alguma doença sexualmente transmissível. Para os desembargadores, os depoimentos ganharam mais força porque foram compatíveis com os relatos feitos pela estudante às médicas e à psicóloga que a atenderam no Hospital Pérola Byington. A ginecologista que atendeu a vítima disse que a paciente chegou ao hospital com diversas lesões internas e externas na região genital e forte processo inflamatório, que impedia até mesmo um exame ginecológico completo. A médica também relatou que, desde o primeiro atendimento, a jovem afirmou ter sido vítima de violência sexual. Outra médica relatou que a paciente apresentava infecção generalizada, evoluiu rapidamente para insuficiência respiratória, precisou ser internada em UTI e morreu dias depois. O que diz a USP Em nota, a universidade disse: "A USP lamenta profundamente os fatos relatados e se solidariza com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de violência, assédio ou qualquer forma de violação de direitos. A USP entende que episódios dessa natureza causam sofrimento às vítimas, impactam toda a comunidade universitária e reforçam a necessidade permanente de prevenção, acolhimento e combate a todas as formas de violência. Nos últimos anos, a Universidade tem fortalecido de forma contínua suas políticas de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência de gênero e às demais violações de direitos. Em 2016, foi criado o Escritório USP Mulheres para desenvolver ações e projetos voltados para a igualdade de gênero e empoderamento feminino na Universidade. Além de realizar palestras, treinamentos, campanhas de conscientização e pesquisas, o escritório também fazia parte de uma rede de acolhimento a vítimas de agressão e assédio, formada por outros serviços da USP, coletivos e órgãos públicos. Com a criação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), em 2022, essas ações ganharam ainda mais impulso. Por meio da Diretoria de Mulheres, Relações Étnico-Raciais e Diversidades, a USP desenvolve políticas voltadas à promoção da inclusão, do pertencimento e da proteção da comunidade universitária, buscando garantir um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todas as pessoas. Além da Comissão de Direitos Humanos da USP, as unidades e os campi instituíram, nos últimos anos, cerca de 40 subcomissões de direitos humanos, organizadas de acordo com as características de cada local. Essas instâncias exercem papel essencial no acolhimento de pessoas que relatam situações de assédio ou outras violações de direitos, oferecendo escuta qualificada, orientação e mediação de conflitos. Em diversas unidades, esse trabalho também é realizado pelas Comissões de Inclusão e Pertencimento. A Universidade também implantou o Sistema USP de Acolhimento (SUA), criado para prevenir violações de direitos humanos, oferecer orientação à comunidade universitária, receber relatos e encaminhar denúncias aos órgãos competentes, fortalecendo a rede institucional de proteção e acolhimento. Em relação ao caso em questão, a Universidade informa que não foram encontrados registros ou denúncias em seus canais institucionais destinados a esse fim. Dessa forma, não houve nenhum tipo de averiguação ou investigação interna, já que o início desses processos se dá justamente a partir da denúncia ou registro realizado. O envolvido no caso não tem mais vínculo com a Universidade."

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/07/31/pesquisador-da-usp-e-condenado-a-12-anos-por-estupro-e-morte-de-estudante-apos-abuso-em-alojamento-da-faculdade.ghtml


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