Polícia de Pedreira investiga advogada suspeita de apropriação de valores de processos

  • 28/07/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia de Pedreira investiga advogada suspeita de apropriação de valores de processos A Polícia Civil de Pedreira (SP) investiga uma advogada suspeita de se apropriar indevidamente de valores de processos judiciais e aplicar golpes em clientes. Pelo menos duas famílias teriam sido vítimas, com prejuízos estimados em cerca de R$ 1 milhão. De acordo com informações obtidas pela EPTV, emissora afiliada da TV Globo, em um dos casos apurados, Carla Roberta Marchesini teria ficado responsável por receber pagamentos de aluguel de imóveis pertencentes a um homem que morreu. O dinheiro seria usado para quitar impostos e o restante seria depositado em uma conta judicial até que o processo de inventário do falecido terminasse. No entanto, os herdeiros descobriram que nenhum valor foi depositado e nenhum imposto foi pago. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Já no outro caso, uma família pagou valores à advogada para se defender de uma ação trabalhista. Posteriormente, os clientes levantaram que os processos foram julgados à revelia e eles foram condenados — o que motivou um imóvel deles a ser levado a leilão para pagamento da sentença. Durante o inquérito, a Polícia Civil encontrou mensagens enviadas por Carla a uma colega, nas quais a acusada detalha a fraude. "Nós forjamos tudo sem direito de resposta. O que eu fiz? Deixei o processo rolar, não defendi para o cliente perder o imóvel e eu conseguir dar esse bem a [outra pessoa citada no processo]. Eu roubei o dinheiro. A gente foi até o banco porque dei uma desculpa para ele falando que não tinha como depositar em juízo e depositei na minha conta", escreveu. Mensagens encontradas pela polícia mostram Carla supostamente confessando os golpes Reprodução/TJ Em nota, Carla ressaltou que a investigação está em andamento, sem qualquer condenação. Ela ainda alegou que as acusações "decorrem de conflitos pessoais anteriores" e que não correspondem à realidade dos fatos. "Me manifestarei perante as autoridades competentes e confio que a apuração completa esclarecerá os fatos e demonstrará minha inocência. Tenho convicção de que, oportunamente, a própria emissora poderá noticiar o desfecho definitivo desta história, com base em decisão judicial, inclusive quanto às responsabilidades de quem efetivamente tenha praticado qualquer ilícito", finalizou. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que apura todas as infrações que chegam ao conhecimento da entidade. Segundo a polícia, há registro de nove processos disciplinares contra a profissional abertos no Tribunal de Ética e Disciplina, que correm em caráter sigiloso. Leilão Vítima teve imóvel em área turística de Pedreira leiloado Reprodução/EPTV Um comerciante contratou a advogada para se defender em um processo trabalhista, que tramitou na Vara do Trabalho de Amparo (SP). Ele foi condenado a pagar cerca de R$ 250 mil, mas da decisão cabia recurso. Carla teria pedido R$ 9 mil para custeio do preparo recursal. Entretanto, o recurso não foi apresentado e a decisão transitou em julgado — quando não há possibilidade de recurso. Para pagamento da ação, a Justiça levou um imóvel desse comerciante, avaliado em R$ 1,5 milhão, a leilão. A propriedade foi arrematada por R$ 250 mil. Mesmo com o processo já em fase de execução, a advogada teria convencido a família a transferir R$ 250 mil para "anular" o leilão. Esse dinheiro não foi levado a juízo e nenhuma contestação foi apresentada. "Nós começamos a receber notificações de um imóvel que teria ido para leilão. Entrei em contato com a advogada e ela, por questão da pandemia, falou que estava tudo parado, que não estava andando e apresentou algumas guias. Na realidade, nada estava acontecendo", contou a vítima, que não quis se identificar. Documentações falsas Polícia Civil de Pedreira investiga o caso Reprodução/EPTV Segundo os inquéritos da Polícia Civil, Carla também apresentou guias e documentações para negar que teria ficado com o dinheiro de aluguéis de imóveis pertencentes a um homem que morreu, no segundo caso investigado. Os valores deveriam ser usados para quitar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). O restante seria depositado em uma conta judicial até que o processo de inventário do falecido terminasse. "Não foi pago, não havia dinheiro e depois disso foi difícil conseguir contato com ela, porque aí ela também sumiu", contou a professora Sabrina Begalli, uma das herdeiras. De acordo com o advogado Vinicius Imbrunito, que defende as vítimas dos dois casos investigados pela Polícia Civil, as guias e documentações apresentadas por Carla às famílias eram falsas. "O inquérito policial conseguiu levantar informações sobre documentos bancários cuja resposta das instituições bancárias foi no sentido de que não eram documentos reconhecidos por eles", disse. "Fizemos uma diligência na Justiça do Trabalho, pedi para que fosse levantado diretamente na Justiça do Trabalho se havia algum valor depositado judicialmente nesses processos e a resposta foi negativa", completou. Após a conclusão dos inquéritos, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) decidirá se apresenta denúncia contra a advogada ou se os casos devem ser arquivados. Se a denúncia for apresentada e a Justiça aceitá-la, Carla virará ré. Advogada é acusada de se apropriar de valores de processos Reprodução VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/07/28/policia-pedreira-investiga-advogada-suspeita-apropriacao-valores-processos.ghtml


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