Renan Santos lança candidatura com críticas a Flávio Bolsonaro, diz ser melhor opção contra Lula e defende 'matar quem roubar'
01/08/2026
(Foto: Reprodução) Missão lança oficialmente a candidatura de Renan Santos à Presidência da República
O partido Missão lançou, neste sábado (1º), a candidatura de Renan Santos à Presidência da República. Em discurso, o empresário criticou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), também candidatos ao cargo, e defendeu "matar quem roubar".
Para Renan, sua candidatura não se encaixa na chamada terceira via, que ele classifica como uma "oposição da oposição".
"Nós não somos nada de terceira via. Nós construímos o próprio caminho com as próprias ideias, com as próprias cores, com o próprio sonho, com a própria imaginação", afirmou.
O candidato, que é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), disse também rejeitar o rótulo de "antipetista": "Nós não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais só para dizerem: 'veja só, eu sou o oposto do Lula'. Quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera".
"Nós não somos nada de terceira via", diz Renan Santos, candidato do Missão à Presidência
"Estamos há décadas vivendo a noite do petismo. Eu volto a afirmar: a afirmação é a luz. E a luz está presente nessa cor. A luz são as nossas ideias. A luz é a nossa coragem", defendeu Renan.
O candidato classificou ainda o senador Flávio Bolsonaro de "farsante" e "corrompido" e afirmou que ele está sendo preparado para perder nas eleições.
"São semanas para que a gente tire Flávio do segundo turno e para que o Lula vire seus canhões malditos contra nós, os mesmos canhões que eles viraram contra nós no impeachment [da presidente Dilma Rousseff (PT)]. Não há energia nos demais candidatos. Já estamos em terceiro [lugar] e subindo", continuou.
Pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho mostra Renan Santos com 3% das intenções de voto no 1º turno, tecnicamente empatado com Ronaldo Caiado (PSD), que tem 4%, e Romeu Zema (Novo), com 3%. Lula lidera a disputa com 40%, e Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar com 32%.
"Flávio Bolsonaro não tem chance de vencer Lula no 2º turno", diz Renan Santos em lançamento de sua candidatura à presidência pelo Missão.
Esta é a primeira eleição presidencial de Renan Santos e do próprio Missão, fundado por integrantes do MBL.
No evento, a sigla também apresentou seus candidatos aos governos estaduais e lançou o "Livro Amarelo", publicação com propostas de governo.
Segurança pública, fim das favelas e armas nucleares
Renan vem apresentando a segurança pública e o combate ao crime organizado como temas centrais de sua candidatura e de seu projeto para o Brasil.
"Vocês vão comprar seu celular. Vocês vão comprar a sua casa. Vocês vão comprar seu carro. Vocês vão comprar seu celular", afirmou Renan. "E ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar."
"Ninguém vai roubar nada, porque nós vamos matar quem roubar", diz Renan Santos (MIssão) em discurso de lançamento de sua candidatura à presidência
Entre as metas apresentadas por Renan no evento deste sábado, estão:
Reduzir o número de homicídios a, no máximo, 10 mil por ano. Em 2025, o Brasil teve 40.775 mortes violentas, segundo números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública;
Baixar os juros para menos de 6% e alcançar superávit nominal nas contas públicas — o superávit nominal ocorre quando o governo arrecada mais do que gasta, incluindo no cálculo o pagamento de juros da dívida pública;
Retirar 8 milhões de pessoas das favelas e transformar 6 mil comunidades em bairros;
Alfabetizar nove entre cada dez crianças.
Segundo o candidato, os problemas do Brasil passam por falta de ambição. "Eu vi gente maravilhosa em todas as regiões do Brasil. Eu amei cada canto do Brasil. Todas as críticas que eu fiz ao Pará foram para melhorar o Pará", disse.
"Todas as favelas que eu vi e critiquei foi para que as pessoas pudessem sonhar e não mais viver numa favela, não aceitar mais ser tratado como bicho", completou.
Renan também afirmou que deseja que o país volte a ter um programa espacial e que passe a construir armas nucleares. "Eu quero que o Brasil pense em construir não apenas armas nucleares, mas aviões de guerra de última geração, usando as nossas próprias terras raras".
"Eu quero botar o Brasil no Conselho de Segurança da ONU não porque pediu por favor, mas porque o mundo depende da gente", disse.
Renan Santos durante ato de lançamento da candidatura à Presidência, em SP
Felipe Marques/Zimel Press/Estadão Conteúdo
O candidato relembrou ainda a fundação do MBL, há 12 anos. "Eu acredito em predestinação e que o destino o tempo todo olhou para nós e nos testou. Nos testou durante o impeachment".
Renan já havia sido oficializado como candidato no dia 20 de julho em um evento realizado em formato online e sem transmissão ao vivo. Segundo o que o candidato explicou à época, a decisão foi tomada por orientação da equipe de segurança da pré-campanha diante de uma escalada de ameaças atribuídas a facções criminosas.
Evento em SP
O candidato a vice será Aroldo Medina, militar da reserva. Ele foi o primeiro a discursar no evento, que começou por volta das 14h20.
Na linha de reforçar o tema da segurança pública, afirmou que pretende comandar a primeira incursão ao Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.
"Vou ligar para o presidente Renan Santos e vou dizer: 'presidente, pronto, dê o sinal verde'. Vamos botar aquela bandidagem toda a correr e inauguraremos uma nova era de ordem e progresso para o Brasil", afirmou Medina.
"O choque de lei e ordem que será dado neste país não tem precedente", afirmou o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), cofundador do MBL.
A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), coordenadora da campanha, definiu Renan como "líder de sua geração" e destacou o apoio dos jovens. "Diferentemente do que falam, que os jovens escolhem mal, não, os jovens estão escolhendo bem. As outras gerações é que ainda não entenderam o recado", afirmou.
O Missão apresentou seus candidatos aos governos de nove estados: André Luís, no Maranhão; Ben Mendes, em Minas Gerais; Breno Barcelos, no Espírito Santo; Coronel Busnello, no Rio de Janeiro; Huggo Leonardo, no Ceará; Luiz França, no Paraná; Marcelo Brigadeiro, em Santa Catarina; Rafaell Milas, no Mato Grosso; e Renan Hallais, em Pernambuco. Todos eles discursaram no evento.
Os ingressos para o evento custaram de R$ 174 a mais de R$ 7 mil. Segundo integrantes do partido, os recursos vão para a sigla e devem ajudar no financiamento de campanhas.
'Livro Amarelo'
No evento, também foi lançado o "Livro Amarelo", em que o Missão apresenta seu projeto para o Brasil.
Segundo Kim Kataguiri, o livro traz propostas para áreas como segurança pública, aumento da competitividade, defesa e meio ambiente. A versão básica custa R$ 140.
Orlando Lima, coordenador do projeto, apresentou a publicação como a base de "um projeto para governar, reconstruir e civilizar. É algo que redefinirá a posição do Brasil no mundo, e a posição de vocês no Brasil".
Deputado Kim Kataguiri apresenta o "Livro Amarelo" durante evento do partido Missão em São Paulo
Roberto Sungi/Ato Press/Estadão Conteúdo
O livro está dividido em 14 capítulos distribuídos em três volumes. No primeiro, há propostas para acabar com políticas e heranças consideradas negativas pelo grupo. Entre elas, por exemplo, o maior ajuste fiscal da história do Brasil, "maior do que o Plano Real", no valor de R$ 3,3 trilhões.
Nos dois outros volumes aparecem propostas para "destravar o país e construir a civilização tropical". "O que nós temos, além de boas ideias, é coragem de imaginar um Brasil melhor", afirmou Pedro D'eyrot, também cofundador do MBL. Ele citou iniciativas para "recuperar o soft power brasileiro", zerar a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) e fazer reformas na educação.
Kim Kataguiri também anunciou o lançamento do Instituto Livro Amarelo. "A gente vai garantir que os nossos candidatos a prefeito, os nossos candidatos ao governo do Estado, ao Senado, ao Congresso, em todas as esferas, tenham um programa sólido para defender."
Quem é Renan Santos
Renan Santos tem 42 anos, é ativista político, empresário e uma das lideranças do Movimento Brasil Livre.
Entre 2015 e 2016, participou de protestos que pediam o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, entre eles a chamada "Marcha pela Liberdade", que caminhou de São Paulo a Brasília.
Paulistano, estudou direito na Universidade de São Paulo (USP), sem concluir o curso.
Junto com os demais integrantes do MBL, fundou o partido Missão. O partido teve o registro concedido pela Justiça Eleitoral no fim do ano passado. Até o momento, não anunciou alianças com outras legendas para as eleições deste ano.