Servidora é exonerada por gestão Tarcísio após criticar fala de Flávio Bolsonaro sobre 9 dedos de Lula; secretário nega motivos políticos

  • 31/10/2026
(Foto: Reprodução)
Silvana Gimenes criticou a frase de Flávio Bolsonaro (PL) e foi demitida pelo secretario Marcos da Costa, da Secretaria de Pessoas com Deficiência, da Gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos). Montagem/g1/Reprodução/Divulgação A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculada ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), exonerou a servidora Silvana Gimenes, de 65 anos, do cargo de coordenadora de Desenvolvimento de Programas. A decisão ocorreu dias depois de ela criticar uma declaração do então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Lula (PT) durante o debate da TV Globo. No encontro realizado em 23 de outubro, Flávio chamou Lula de "nove dedos", fala que foi considerada uma provocação capacitista e foi repudiada por várias entidades de pessoas com deficiência. O candidato do PL chegou a pedir desculpas a Lula por conta da frase (veja vídeo abaixo). Naquela noite, Silvana Gimenes escreveu em suas redes sociais que, “ao ouvir o 22 [número de urna do PL] chamar Lula de ‘nove dedos’, apenas constatei o que sempre digo: o preconceito, o racismo, o capacitismo, a LGBTfobia podem estar escondidos, mas vêm sempre à tona”. O post da servidora demitida do governo de São Paulo por criticar frase capacitista de Flávio Bolsonaro (PL). Reprodução/Redes Sociais “Só quem sempre é alvo sabe o quanto é doloroso ser piada por ter uma deficiência, uma doença rara ou mesmo uma condição congênita, compreende o quanto isso é muitas vezes utilizado para nos diminuir e segregar”, escreveu a coordenadora. Quatro dias depois, em 27 de outubro, Silvana foi exonerada pelo secretário-chefe da Casa Civil do governdo, Nerylson Lima. A demissão foi publicada no Diário Oficial do Estado de SP. Em nota, a secretaria informou que “o cargo de coordenadora da Coordenadoria de Desenvolvimento de Programas, anteriormente ocupado por Silvana Pereira Gimenes, é de livre nomeação e exoneração” e que “a exoneração da então titular decorreu de ajustes administrativos na secretaria”. Já o secretário Marcos da Costa afirmou, também por nota, que "a decisão foi de minha exclusiva responsabilidade e decorreu de razões estritamente administrativas, relacionadas à necessidade de reorganizar atribuições e funções na estrutura da secretaria" (leia abaixo a íntegra). Flávio se desculpa com Lula por fala sobre 'nove dedos': 'Não queria te ofender' O cargo de coordenadora da Coordenadoria de Desenvolvimento de Programas, anteriormente ocupado por Silvana Pereira Gimenes, é de livre nomeação e exoneração. A exoneração da então titular decorreu de ajustes administrativos na Secretaria. (leia mais abaixo). Nas redes, Silvana afirmou que foi a primeira vez, em 41 anos de trabalho como servidora, que foi exonerada. "Depois de 41 anos de atuação no serviço público, esta é a minha primeira exoneração. (...) Isso não é ato falho, não é brincadeira, muito menos bobagem. E pra você que pensa ‘mas ele tem nove dedos mesmo’. Pare e avalie quando desrespeito está contido em frases como ‘braço curto’, ‘falta pernas pra isso’, ‘gorda’. Esse linguajar revela a postura de alguém que não se importa com os outros, com a diversidade de corpos existentes. Sou mulher LGBT com deficiência e luto por respeito e dignidade”, afirmou. No último domingo (25), Flávio Bolsonaro perdeu a eleição de virada para Lula, reeleito para o quarto mandato como presidente da República (veja vídeo abaixo). 'Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos', diz Lula O que diz o secretário "A decisão foi de minha exclusiva responsabilidade e decorreu de razões estritamente administrativas, relacionadas à necessidade de reorganizar atribuições e funções na estrutura da Secretaria. Nenhuma questão pessoal ou manifestação política da servidora motivou sua exoneração. Desde que assumi a Secretaria, no exercício de meu primeiro cargo público, tenho conduzido a gestão com base em critérios técnicos e no compromisso com os direitos das pessoas com deficiência. Reafirmo, portanto, minha responsabilidade pela decisão, fundamentada exclusivamente em razões administrativas." Como Lula perdeu o dedo? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, aos 17 anos, em decorrência de um acidente de trabalho quando era torneiro mecânico na metalúrgica Independência, no bairro Vila Carioca, em São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 3h da manhã, enquanto ele trabalhava no turno da madrugada. Uma das prensas havia quebrado, e ele então colocou a mão na máquina para fazê-la voltar a funcionar e teve o dedo esmagado. O socorro médico demorou. Ele foi atendido apenas às 7h no Hospital Monumento por um médico do antigo INPS, que fez a amputação do dedo. “Eu era um peão. Cheguei ao hospital com o macacão fedendo a graxa às 3h da manhã. O médico olhou para minha cara e disse: ‘Pra que esse peãozinho quer esse dedo? Vou logo tirar’. E tirou o cotozinho. Podia ter deixado o cotó para eu poder coçar o nariz”, afirmou. Na época, o presidente recebeu uma indenização de 350 mil cruzeiros e disse que utilizou o dinheiro para comprar um terreno e móveis para sua mãe, dona Lindu. Presidente Lula exibe mão sem o dedo mindinho, após acidente de trabalho aos 17 anos. Ricardo Stuckert/Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/10/31/servidora-e-exonerada-por-gestao-tarcisio-apos-criticar-fala-de-flavio-bolsonaro-sobre-9-dedos-de-lula-secretario-nega-motivos-politicos.ghtml


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