Suspeito de usar licença de plantio de maconha para o tráfico já foi preso por crimes parecidos, diz polícia

  • 26/08/2026
(Foto: Reprodução)
No papel, a maconha era pra fim medicinal. Mas a polícia acredita que não passava de fachada para o tráfico de drogas Antes de obter na Justiça o direito de cultivar cannabis em casa para fins medicinais, um dos investigados suspeito de usar o habeas corpus para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro já havia sido preso duas vezes por crimes relacionados, segundo a Polícia Civil. João Gabriel Mazucato Costa, conhecido nas redes sociais como “Ben Grower”, foi um dos alvos da operação feita no dia 18 de agosto na região de São José do Rio Preto (SP), que verificou a regularidade de pelo menos 27 plantações de cannabis. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Operação da Polícia Civil de São José do Rio Preto (SP) mira grupo suspeito de usar habeas corpus de uso medicinal de maconha para tráfico Polícia Civil/Divulgação Desde o ano passado, ele tinha um habeas corpus preventivo que permitia o cultivo da planta em casa para produzir óleo de canabidiol destinado ao próprio tratamento de ansiedade generalizada, fobia social e insônia. Segundo a investigação, João já havia sido preso duas vezes por posse de drogas e por cultivar maconha em casa. Em um dos casos, ele chegou a cumprir prisão domiciliar. A advogada de defesa dele, Vergínia Freitas, disse que a condenação anterior estava relacionada ao cultivo para o próprio tratamento e sustentou que ele "não é traficante". As decisões judiciais posteriores permitiram que ele mantivesse o cultivo dentro de condições específicas relacionadas ao uso medicinal para tratar os problemas de saúde. 📜 O habeas corpus concedido a ele funciona como uma proteção para que o cultivo autorizado não resulte em prisão, desde que sejam respeitadas as condições estabelecidas na decisão. A autorização é individual e não representa permissão para comercializar a cannabis ou produtos derivados. Os alvos da operação fazem o cultivo de cannabis dentro de casa, autorizado pela Justiça, mas, segundo a polícia, a investigação apontou que parte deles pode ter ultrapassado os limites estabelecidos nas decisões judiciais e utilizado a produção para fins comerciais. Da autorização às estufas Operação da Polícia Civil de São José do Rio Preto (SP) mira grupo suspeito de usar habeas corpus de uso medicinal de maconha para tráfico Polícia Civil/Divulgação Durante a operação, policiais fizeram buscas na propriedade onde João morava e encontraram duas estufas com plantas de cannabis. No quarto dele, dentro de uma adega, também foi localizado um saco com flores secas de maconha. As flores secas concentram canabinóides, como o THC e o CBD, e podem ser usadas como matéria-prima para a produção de óleos e outros derivados. Segundo os investigadores, o material armazenado levantou suspeitas porque as flores poderiam ser utilizadas para outras finalidades que não a produção do medicamento citado no pedido judicial. João também mantinha presença nas redes sociais com o nome “Ben Grower”, onde publicava conteúdos relacionados ao cultivo de cannabis. Oficialmente, segundo a investigação, ele comercializava um adubo conhecido como bokashi. Para a Polícia Civil, o conteúdo publicado nas redes e os contatos mantidos por ele ajudaram a compor o cenário investigado na operação. Venda de derivados Thomas Manteguin e João Gabriel Costa, conhecido nas redes sociais como 'Ben Grower' Reprodução/TV Globo/Fantástico Outro alvo da operação foi Thomás Masteguin, que está entre as seis pessoas indiciadas a partir das investigações sobre possíveis desvios. Segundo a Polícia Civil, mensagens encontradas no celular dele indicariam a venda de produtos derivados da cannabis. Em uma das conversas, aparece uma negociação envolvendo “dry”, um tipo de haxixe produzido a partir da maconha. Também há mensagens sobre produtos e valores a serem pagos por PIX. Veja abaixo. A polícia afirma que João e Thomaz atuavam juntos. Na casa de Thomás, os policiais apreenderam uma balança, maconha seca e o celular dele. Ao todo, seis pessoas, incluindo João e Thomás, foram indiciadas por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. De acordo com o delegado Everson Contelli, o objetivo é ampliar a fiscalização para evitar que autorizações concedidas para tratamento de saúde sejam utilizadas como justificativa para atividades ilícitas. Troca de mensagens levou polícia a acreditar que havia uso indevido do habeas corpus preventivo Reprodução/TV Globo/Fantástico O que diz a defesa A advogada de defesa dos investigados, Vergínia Freitas, afirma que o habeas corpus não foi descumprido e que os envolvidos ainda não tiveram oportunidade de apresentar contraditório e ampla defesa. Segundo a defesa, o cultivo encontrado nas propriedades estava dentro da autorização judicial e os fatos investigados ainda precisam ser esclarecidos no processo. Operação da Polícia Civil de São José do Rio Preto (SP) mira grupo suspeito de usar habeas corpus de uso medicinal de maconha para tráfico Polícia Civil/Divulgação Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/08/26/suspeito-de-usar-autorizacao-de-plantio-de-maconha-para-o-trafico-de-drogas-ja-foi-preso-por-crimes-relacionados-diz-policia.ghtml


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