Tarcísio agradece a Deus, à família, a Jair Bolsonaro e a eleitores em discurso de vitória: 'Quero fazer mais'
04/10/2026
(Foto: Reprodução) O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é abraçado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB); ao fundo, André do Prado, eleito senador
Rafael Peixoto/g1
Reeleito governador de São Paulo neste domingo (4), o carioca Tarcísio de Freitas (Republicanos) transformou o discurso de vitória em uma celebração da reeleição, mas também em um aceno para a disputa presidencial. Tarcísio afirmou que vai trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e disse que o resultado em São Paulo mostrou "o que a gente é capaz".
Às 21h50, com 99,99% das urnas apuradas, Tarcísio tinha 62,65% dos votos válidos no estado de São Paulo, contra 36,42% do candidato do PT. O resultado foi confirmado às 19h39, com 90% das urnas apuradas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Ele acompanhou a apuração dos votos no espaço Villaggio JK, na Vila Olímpia, Zona Sul da capital, ao lado dos companheiros de chapa André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) — eleitos senadores.
Para o discurso de comemoração, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi o responsável por chamar o governador ao palco. Nunes enalteceu o fato de a votação de Tarcísio ser histórica no estado.
“Hoje foi uma grande demonstração do que a gente é capaz. Vamos fazer a diferença e esse país vai mudar”, afirmou Tarcísio.
Tarcísio de Freitas comemora reeleição ao lado dos companheiros André do Prado e Guilherme Derrite.
Rafael Peixoto/g1
A fala foi seguida por um movimento que deixou explícita a prioridade política do governador para a segunda etapa da eleição. Durante o discurso, Tarcísio fez duas ligações. A primeira foi para o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), reeleito por Minas Gerais com mais de 3,1 milhões de votos.
Ao parabenizar Tarcísio, Nikolas afirmou: “São Paulo enterrou o PT”. A declaração foi ovacionada pelos apoiadores presentes no evento.
Na sequência, Tarcísio ligou para Flávio Bolsonaro. Antes, havia afirmado que vai trabalhar pela eleição do senador no segundo turno. Segundo o governador, amanhã ele já vai se encontrar com o aliado em Brasília para traçar as próximas estratégias.
O governador também agradeceu ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, a quem atribuiu parte de sua trajetória política.
“Quero agradecer Jair Bolsonaro, que me abriu as portas há muito tempo e passa por sofrimento hoje. O tempo da justiça vai chegar”, disse.
A referência ao ex-presidente veio acompanhada de uma declaração de continuidade da aliança política. Tarcísio também afirmou que pretende atuar na eleição presidencial depois de conquistar a própria reeleição em São Paulo.
O governador ainda agradeceu a Deus: “É um dia de gratidão a Deus, senhor de tudo, entrego todos os projetos nas mãos dele”.
Durante o discurso de vitória, Tarcísio também agradeceu ao trabalho do prefeito Ricardo Nunes ao longo da corrida eleitoral: “É um grande companheiro que faz a diferença”.
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante entrevista coletiva
Rafael Peixoto/g1
Disputa com cara de 2° turno
Em 2026, os dois repetiram a disputa de 2022, mas em uma configuração diferente. Se há quatro anos Tarcísio e Haddad precisaram avançar ao segundo turno para decidir a eleição, desta vez os dois chegaram à reta final do primeiro turno como os principais nomes da corrida. O resultado foi uma campanha de primeiro turno com características de segundo turno.
A diferença entre os dois também foi diferente de quatro anos atrás. Em 2022, Tarcísio venceu Haddad no segundo turno por 55,27% a 44,73% dos votos válidos, uma diferença de 10,54 pontos percentuais.
Antes da pré-campanha, Haddad resistiu em disputar o comando do Palácio dos Bandeirantes pela segunda vez contra Tarcísio, mas acabou convencido pelo presidente Lula a deixar o Ministério da Fazenda e entrar na corrida.
Ao longo da disputa, as pesquisas mostraram Tarcísio largamente à frente durante praticamente toda a campanha: ele saiu da casa dos 40% e chegou a 50% dos votos totais, enquanto Haddad ficou por muito tempo em torno de 20% e só avançou para a casa dos 30% no fim.
Com poucos candidatos competitivos, a campanha estadual perdeu espaço para as eleições presidenciais e para o Senado. A possibilidade do candidato do Republicanos vencer no primeiro turno também reduziu o interesse pela corrida.
Campanha
A campanha de 2026 foi marcada pela tentativa de Tarcísio de apresentar os resultados de sua primeira gestão e, ao mesmo tempo, manter a associação política com o campo bolsonarista. Do outro lado, Haddad procurou explorar problemas da administração estadual e nacionalizar a disputa, principalmente ao relacionar o governador ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A segurança pública esteve entre os principais temas. A campanha de Haddad questionou a atuação do governo estadual diante da presença de facções criminosas e explorou relações políticas de aliados de Tarcísio com pessoas suspeitas de ligação com o PCC.
Os candidatos Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estúdio da TV Globo para participar do debate entre candidatos ao governo de São Paulo
Bob Paulino/Globo
No último debate, realizado pela Globo, Haddad falou sobre a entrada do Comando Vermelho no interior e acusou a facção de se infiltrar em instituições públicas e privadas, como o transporte público da capital. Tarcísio rebateu destacando a redução de indicadores criminais durante sua gestão e atacou relações de políticos ligados ao PT com pessoas investigadas.
A disputa também foi marcada pela nacionalização. Haddad associou Tarcísio ao governo Bolsonaro e criticou a condução da pandemia durante a gestão do ex-presidente. Tarcísio, por sua vez, levou para o debate críticas ao governo Lula e à atuação de Haddad como ministro da Fazenda.
Outro dos principais pontos de confronto foi a privatização da Sabesp. Haddad transformou a companhia em uma das principais bandeiras de sua candidatura, criticou a privatização realizada durante o governo Tarcísio e defendeu rever a medida. O petista também explorou questões relacionadas a tarifas, abastecimento e episódios recentes envolvendo a prestação do serviço.
Tarcísio, por outro lado, defendeu os resultados da empresa e argumentou que a privatização ampliou sua capacidade de investimento. No último debate, Haddad citou problemas recentes de abastecimento e uma orientação da Sabesp relacionada ao consumo de água na Baixada Santista. O governador respondeu que não havia problema de potabilidade e atribuiu a situação à turbidez provocada pelas chuvas.
Saúde e educação também estiveram entre os temas explorados pelos candidatos. Haddad criticou filas e problemas no atendimento e apresentou propostas para ampliar a oferta de serviços, enquanto Tarcísio destacou investimentos em saúde digital e telemedicina. Na educação, o petista atacou a situação de crianças atípicas nas escolas, e o governador respondeu destacando resultados da política educacional e o chamado selo ouro concedido pelo Ministério da Educação a São Paulo.
Eleitor de Tarcísio de Freitas durante festa de comemoração em SP
Rafael Peixoto/g1
O candidato à reeleição ao governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez caminhada na região central de São Paulo, nesta sexta-feira (2), acompanhado do prefeito da cidade, Ricardo Nunes e do candidato ao Senado, André do Prado (PL).
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Quem é Tarcísio
Engenheiro e ex-ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas entrou na política eleitoral em 2022, quando foi escolhido por Bolsonaro para disputar o governo de São Paulo pelo Republicanos. Naquele ano, ao disputar sua primeira eleição, venceu Haddad no segundo turno e se tornou o primeiro governador do estado eleito pelo partido.
No governo paulista, manteve proximidade política com Bolsonaro e consolidou uma posição de liderança no campo da direita em São Paulo. Ao longo do primeiro mandato, sua gestão teve como uma das principais marcas a agenda de concessões e privatizações, incluindo a Sabesp, além de investimentos em infraestrutura.
Na campanha de 2026, Tarcísio procurou equilibrar a associação com o bolsonarismo com a defesa de seu próprio governo. O governador também buscou ampliar sua presença na Grande São Paulo. A campanha foi aberta em Osasco, quinto maior colégio eleitoral do estado, numa estratégia para avançar sobre uma região em que Haddad havia tido desempenho melhor em 2022.
A segurança pública ganhou espaço no programa de governo para o segundo mandato, aparecendo como o primeiro dos dez eixos apresentados pela campanha, à frente de saúde e educação.