Tarcísio defende investigações contra Alexandre de Moraes do STF e Flávio Bolsonaro no caso 'Dark Horse': 'Tudo que está oculto tem que ficar às claras'
02/09/2026
(Foto: Reprodução) Tarcísio defende investigações contra Alexandre de Moraes do STF e Flávio Bolsonaro
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta quarta-feira (2) que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, por ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Ele também defendeu as investigações contra o seu aliado Flávio Bolsonaro (PL), no que diz respeito aos repasses feitos por Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu principal padrinho político.
“Eu sou favorável a toda transparência, toda quebra de divulgação. A gente só vai retomar a confiança nas instituições a partido do momento que você tiver transparência, investigação profunda e responsabilização. Tudo que está oculto tem que ficar às claras. Nada fica escondido por muito tempo. E é bom que tudo apareça e todos os esclarecimentos sejam dados e todas as investigações sejam feitas. E que as responsabilizações aconteçam”, disse o governador.
O candidato à reeleição também destacou que as suspeitas sobre Alexandre de Moraes ferem o Estado Democrático de Direito no país e que a confianças instituições.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante visita a obras do Metrô nesta terça-feira (2).
Reprodução/TV Globo
“Nós temos a suspeição da corte máxima do país e isso é muito grave. Como é que o cidadão vai reagir? A gente percebe um sentimento de indignação. Tá na hora da indignação se reconciliar com a esperança. E a confiança nas instituições. Imagina se você não puder confiar no Judiciário, na Corte máxima do país? Você tem uma fissura na sociedade e no Estado Democrático de Direito que é inaceitável”, afirmou.
E completou: “A falência institucional leva a outras falências na sociedade. E se a gente ficar assim, a gente vai perder oportunidades que estão aparecendo para o Brasil. Essa conversa de que nós somos o país do futuro já passou. A confiança não vai ser recuperada nem com silêncio e nem com corporativismo. Vai ser recuperada com transparência, investigação série e responsabilização”.
Novas denúncias contra Flávio Bolsonaro
Mensagens mostram que Vorcaro recorria a Moraes
Conforme o g1 publicou nesta terça-feira (1), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato a presidente, cobrar parcelas que estavam atrasadas.
Esse repasse foi revelado nesta terça-feira (1º) pela revista "piauí". A informação foi confirmada pelo g1.
Ele se soma a outros seis repasses — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão —, realizados até maio de 2025, que já haviam sido noticiados em maio deste ano pelo site The Intercept Brasil, totalizando R$ 61 milhões.
"Com esse novo pagamento, que até agora era desconhecido, o total enviado por Vorcaro para a cinebiografia de Bolsonaro passou de 10,6 para 12,3 milhões de dólares — o que, na cotação da época, equivalia a mais de 65 milhões de reais", afirma a "piauí".
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
Adriano Machado/Reuters e Reprodução
A informação está em um dos inquéritos da Polícia Federal (PF) sobre o caso (detalhes abaixo). O novo pagamento foi identificado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Flávio vinha afirmando que o último repasse feito por Vorcaro havia sido em maio de 2025, informação agora contrariada pela PF. "Olha só. O último pagamento que ele fez [...] foi em maio de 2025", disse o senador em entrevista à GloboNews quando o caso foi revelado.
Segundo as apurações, os repasses de Vorcaro para o filme foram feitos por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, de um aliado do ex-banqueiro. A Entre transferia o dinheiro para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, controlado por um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O fundo repassaria o dinheiro para a produtora, a empresa Go Up.
Em maio deste ano, quando a relação entre Flávio e Vorcaro veio a público, o Intercept divulgou um áudio em que o senador pedia o dinheiro para o ex-banqueiro.
"Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. [...] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?", disse Flávio.
De acordo com a "piauí", o repasse de setembro foi feito oito dias depois de Flávio cobrar as parcelas atrasadas — que, pelo acordo original, podiam alcançar R$ 134 milhões, segundo o Intercept.
Valor pode ser maior
Ainda segundo a "piauí", o valor repassado por Vorcaro para o filme Dark Horse pode ser maior. A revista teve acesso a um trecho inédito de uma troca de mensagens entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que atuou na captação de recursos para o filme.
Em mensagem ao banqueiro, em 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou: “Consegue liberar as parcelas do filme?”.
Vorcaro respondeu: "Sim. Liberei mais uma hoje".
Miranda, então, disse: "Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb [também]".
A PF diz que não constam outros repasses no informativo financeiro do Coaf. Entrentanto, isso não afasta a possibilidade da transferência ter sido feita nessa data, 22 de outubro, e não ter sido informada ao órgão de fiscalização.
"Se esse outro pagamento de 1,6 milhão de dólares foi efetivamente realizado como afirmou o banqueiro, o total desembolsado por ele vai para 14 milhões de dólares, ou 72 milhões de reais", afirma a "piauí".
Ao chegar ao Senado nesta terça-feira (1º), Flávio foi questionado pelos jornalistas sobre o novo repasse revelado pela piauí. O senador disse que o assunto deveria ser tratado com a produtora do filme.
"Bom, essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente. Tem que perguntar para a produtora, desculpa. Esse assunto eu não tenho como aprofundar. Tem que perguntar para a produtora."
Investigações
O financiamento do filme de Bolsonaro é investigado em dois inquéritos perante o Supremo Tribunal Federal (STF).
O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses feitos por Vorcaro — em que circunstâncias foram feitos, qual a origem do dinheiro, qual o montante exato e qual seu destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido usada no filme.
O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga se a produtora Go Up usou emendas parlamentares para bancar a produção.
Há ainda uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, que apura um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia. O contrato não foi cumprido integralmente e existem suspeitas de que parte dos valores foi desviada.