Tarcísio sobre fim da escala 6x1: 'Não adianta cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador'

  • 18/05/2026
(Foto: Reprodução)
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante abertura da 4ª APAS Show Reprodução/TV Globo O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta segunda-feira (18) que mudanças na jornada de trabalho, como o possível fim da escala 6x1, precisam considerar os impactos sobre as empresas para evitar prejuízos aos próprios trabalhadores. "Não adianta achar que vai cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador. Quem está falando hoje de desoneração do empregador?", questionou durante a abertura da 40ª edição da APAS Show, maior feira do setor supermercadista do país. A proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais com o fim da escala 6x1 avança Congresso Nacional e se tornou uma das principais bandeiras do governo Lula. Segundo Tarcísio, embora haja consenso de que melhores condições de trabalho são desejáveis, alterações mal calibradas podem levar à perda de renda ou ao aumento da informalidade. Câmara cria comissão para debater fim da escala 6x1 "Todo mundo quer que o trabalhador possa passar mais tempo em casa, possa ter uma escala melhor e ganhar a mesma coisa, possa estar com seus entes queridos. Mas a gente não pode enganar o trabalhador, essa é a grande questão", afirmou. Segundo ele, o trabalhador que tiver a jornada reduzida vai acabar querendo compensar com um bico no tempo livre para garantir a renda. "Não adianta achar que, de repente, aquele trabalhador que vai ter uma jornada reduzida, mas vai perder o seu poder de compra, vai aproveitar essa jornada com sua família. Ele vai ter que perder o tempo livre fazendo bico pra garantir o mínimo de renda, e isso é extremamente preocupante", acrescentou. LEIA TAMBÉM: Fim da escala 6x1 tem apoio de 68%, segundo a Quaest; 22% são contra Durigan diz que é 'radicalmente contra' compensar empresas em caso de redução de jornada Debate sem pressa Para o governador de São Paulo, o projeto sobre o fim da escala 6x1 não pode ser debatido com pressa. "Há uma preocupação enorme que precisa ser ouvida pra que a gente não leve as pessoas pro caminho da informalidade, da falta de proteção social, do desemprego, da falta de recursos e dinheiro no fim do mês. Pra que a gente não eleve ainda mais o custo das empresas e onere ainda mais o empresário que gera emprego", disse. Tarcísio argumentou ainda que o setor supermercadista paulista já vem adotando, em muitos casos, escalas 5x2 com manutenção da carga horária, o que, segundo ele, "garante renda e formalidade". O governador defendeu que trabalhadores e empregadores fazem parte de um mesmo sistema e por isso o debate sobre redução de jornada deve levar em conta custos como encargos trabalhistas. "Imagina aquele empregador que hoje paga R$ 3 mil para o seu funcionário, mas queria pagar R$ 6 mil e não paga porque esse dinheiro é subtraído por meio de encargos pesados", exemplificou. Durante a APAS Show, representantes do varejo e indústria reforçaram preocupação com possíveis impactos sobre custos e contratação de mão de obra. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também participou do evento e disse que a discussão já alcançou o cotidiano dos trabalhadores. Para ilustrar, disse que recentemente foi questionado por uma funcionária de um estabelecimento sobre "quando vai acabar a jornada 6x1", relatando dificuldades da mulher para conciliar trabalho e vida pessoal. Segundo ele, o governo vai buscar entendimento com trabalhadores e setor produtivo. "A política é essa arte do abraço coletivo, do bem comum, de nós buscarmos as melhores soluções. Nós vamos buscar o diálogo pra gente buscar a melhor solução", disse Alckmin. Já o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que ouviu de lideranças empresariais forte preocupação com projeto do governo. Para ele, o tema precisa amadurecer antes de qualquer decisão. "Ninguém está dizendo que não tem que discutir, mas existe o timing e o momento adequado", afirmou. Nunes destacou que mudanças na jornada podem impactar contratos públicos, especialmente concessões, e alertou para a complexidade jurídica. LEIA TAMBÉM: Fim da escala 6x1 colocaria Brasil 'em linha com grande parte do mundo ocidental', diz jornal financeiro mais influente do mundo

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/18/tarcisio-sobre-fim-da-escala-6x1-nao-adianta-cuidar-do-trabalhador-sem-cuidar-do-empregador.ghtml


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