Vestidos atrasados, invasão a loja e produção paralisada: entenda crise em ateliê de vestidos de noiva em SP

  • 03/09/2026
(Foto: Reprodução)
Vestido de noiva da MyVintage Dress Reprodução A poucos dias de seus casamentos, noivas que contrataram vestidos da My Vintage Dress, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, enfrentam dificuldades para retirar as peças e conseguir contato com a empresa. A situação provocou uma mobilização de clientes e familiares em frente ao ateliê, tumulto, invasão da loja e, segundo a proprietária, a interrupção da produção. Nesta quarta-feira (2), a Polícia Civil informou que investiga o caso como estelionato. A crise envolvendo a loja se tornou pública nos últimos dias, depois que clientes começaram a relatar nas redes sociais que pagaram pelos vestidos, mas não receberam as peças dentro do prazo combinado. Algumas delas tinham o casamento marcado para os próximos dias e afirmaram não conseguir respostas da empresa. Janaína Santos comprou o vestido para fazer ajustes e se casará em três dias Reprodução/TV Globo Problemas na produção Segundo a proprietária da My Vintage Dress, Camila Rossi, a empresa enfrentou problemas em sua operação de produção. Em comunicado, a loja afirma que passou por um período de “volume excepcional de pedidos e desafios na produção”. Diante da situação, a empresa decidiu fechar temporariamente a loja para novas vendas e concentrar os esforços nos pedidos que já estavam em andamento. A advogada da proprietária, Thaís Brito, afirmou que um dos problemas enfrentados pela empresa foi justamente a alta demanda de vestidos. Segundo ela, a loja física foi fechada temporariamente para que a equipe pudesse atender aos pedidos. Noiva cearense que comprou vestido por R$ 10 mil em loja acusada de não entregar peças em SP fica sem respostas: 'Desesperador' “Houve algumas alterações, até mesmo na qualidade dos vestidos, das peças. Então, elas estão com uma qualidade superior e, por isso, o atendimento acabou sendo um pouco comprometido na produção, devido à quantidade de vendas realizada anteriormente e à atual entrega”, disse Thaís Brito. A empresa também informou que o volume de mensagens recebidas estava acima da capacidade imediata de retorno e pediu que as clientes aguardassem o contato da loja. Noiva cearense escolheu vestido de loja de São Paulo devido a estilo especial; estabelecimento não entregou pedidos de outras clientes e gerou apreensão em dezenas de noivas Arquivo pessoal Noivas começam a cobrar respostas Entre as clientes está Iara, que tinha a retirada do vestido marcada para terça-feira (1º), mas se casaria na segunda-feira seguinte. Ao perceber que a empresa enfrentava problemas, ela tentou entrar em contato com a loja e afirmou que não recebeu resposta. “Eu mandei mensagem, e eles não me responderam. Na verdade, era uma mensagem automática parece. Pesquisei no Waze e apareceu temporariamente fechado [...] Eu vou procurar outro vestido, tentei o máximo, estou fazendo o que o meu coração está pedindo”, relatou Iara, emocionada. Nas redes sociais, outras clientes também passaram a relatar dificuldades para conseguir os vestidos contratados. Vestido de noiva que Janaína Santos não recebeu da My Vintage Dress Reprodução/TV Globo Segunda-feira (31): clientes vão até a loja Na segunda-feira (31), clientes foram até a My Vintage Dress, em Pinheiros, para cobrar informações sobre os pedidos. A movimentação ganhou repercussão nas redes sociais. Segundo a empresa, naquela noite houve uma “entrada coletiva e não autorizada” no estabelecimento. A loja afirma que mais de 50 pessoas entraram no local sem autorização. A empresa também disse que algumas peças foram retiradas do estabelecimento durante a confusão. Segundo o comunicado, os vestidos foram retirados posteriormente por segurança. A My Vintage Dress afirmou ainda que passou a receber ameaças pelas redes sociais e suspendeu temporariamente o perfil no Instagram. Terça-feira (1º): noivas se reúnem em frente ao ateliê Na manhã de terça-feira (1º), um grupo de noivas e familiares voltou ao endereço da loja em busca de respostas. Algumas clientes choraram diante do estabelecimento e disseram que não conseguiam contato com a empresa. A Polícia Militar chegou a ser acionada após algumas das noivas invadirem a loja. Uma das noivas, Iara, estava entre as mulheres que foram ao local. Ela afirmou que precisava encontrar uma alternativa para o casamento diante da falta de informações sobre o vestido. O episódio aumentou a repercussão do caso e fez com que vídeos e relatos das clientes circulassem nas redes sociais. Loja diz que tumulto interrompeu produção Na noite de terça-feira (1º), Camila afirmou que o tumulto provocado pela presença das noivas e familiares em frente ao estabelecimento afetou diretamente o funcionamento do ateliê. Segundo ela, a confusão interrompeu a produção em um momento considerado crítico para a empresa, já que havia vestidos que precisavam ser produzidos, finalizados e organizados para clientes com casamentos marcados para os dias seguintes. “O tumulto na loja e no ateliê impactou diretamente nosso trabalho. Além de interromper a produção em um momento crítico, a situação assustou nossa equipe e algumas funcionárias estão com medo de retornar ao trabalho.” A proprietária afirmou que a prioridade naquele momento era atender as noivas que se casariam nos próximos dias. “Nossa prioridade são as noivas que se casam nos próximos dias.” Camila disse ainda que a empresa estava mobilizando a equipe, disponibilizando o acervo, buscando parceiros e trabalhando para encontrar alternativas para as clientes. “Sei que nenhuma explicação diminui a angústia de vocês. Neste momento, mais do que explicar, queremos agir.” Ao final do comunicado, pediu desculpas às noivas e às famílias afetadas. “Não estamos parados e não desistimos. Estamos trabalhando incansavelmente para entregar todos os vestidos.” Quarta-feira (2): caso passa a ser investigado como estelionato Nesta quarta-feira (2), a Polícia Civil informou que vai investigar como estelionato o caso da My Vintage Dress. Clientes afirmam que pagaram pelos vestidos, mas não receberam as peças dentro do prazo combinado. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os casos estão sendo registrados como estelionato pelo 14º Distrito Policial de Pinheiros ou por meio da Delegacia Eletrônica. “A autoridade policial está analisando as ocorrências e encaminhando-as às unidades policiais responsáveis pelas circunscrições dos endereços das vítimas, para as devidas providências”, informou a pasta. Loja fecha e não entrega vestido para casamentos no fim de semana O que diz a loja A My Vintage Dress afirma que enfrenta dificuldades provocadas pelo volume de pedidos e pela produção dos vestidos. A empresa diz que fechou temporariamente as portas para novas vendas para concentrar os esforços nos pedidos já contratados. Também afirma que continua atendendo e realizando provas e que a prioridade são as clientes com casamentos mais próximos. A empresa nega que as imagens de araras vazias que circularam nas redes sociais representem o encerramento das atividades. Segundo a loja, alguns vestidos foram retirados do local por segurança depois da entrada de pessoas no estabelecimento. A advogada Thaís Brito também atribuiu parte dos problemas à alta demanda e afirmou que houve alterações na qualidade das peças, com o objetivo de entregar vestidos de qualidade superior. Procon cobra explicações O Procon também entrou no caso. O diretor-executivo do órgão, Luis Orsatti Filho, afirmou que a proprietária da loja foi chamada a comparecer pessoalmente para prestar esclarecimentos e apresentar um cronograma de entregas. Segundo ele, eventuais problemas enfrentados pela empresa não devem ser repassados às consumidoras. “Não havendo o cumprimento dessas entregas, a consumidora deve buscar uma indenização junto ao judiciário, inclusive, se tiver locação de outros vestidos, pode cobrar de forma regressiva da empresa esse prejuízo”, explicou Luis Orsatti Filho. Assim, a crise reúne, até o momento, reclamações de clientes que dizem não ter recebido os vestidos, dificuldades de comunicação com a empresa, a mobilização de noivas em frente ao ateliê, a alegação da loja de que houve uma entrada não autorizada de mais de 50 pessoas, a interrupção da produção e o receio de funcionárias de retornar ao trabalho. O caso agora é analisado pela Polícia Civil, enquanto a empresa afirma que tenta priorizar e concluir as entregas dos casamentos mais próximos.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/03/vestidos-atrasados-invasao-a-loja-e-producao-paralisada-entenda-crise-em-atelie-de-vestidos-de-noiva-em-sp.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Anunciantes