Violência contra mulher cresce na região de Piracicaba e delegada alerta: 'começa muito antes da agressão física, silêncio mata'

  • 07/05/2026
(Foto: Reprodução)
Regiões de Piracicaba e Campinas registram 13 mil casos de violência doméstica no 1º trimestre de 2026 As denúncias de violência doméstica na região de Piracicaba cresceram 17% no primeiro trimestre deste ano, segundo dados do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-9). De 5.411 registros em janeiro a março de 2026, contra 4.625 notificações no mesmo período de 2025. A maioria dos casos ocorreu em março, mês internacional da mulher. A delegada Olívia Fonseca, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba (SP), analisa o cenário de alta na região e aponta que, na maioria, os casos vão além da violência física. Ela orienta sobre a importância de denunciar. 'Silêncio mata', alertou. 'Silêncio mata' A delegada ressalta que, antes, se considerava violência o que deixava marca na pele, lesão corporal. "Hoje, com as campanhas de conscientização, a gente está mostrando para as mulheres que a violência começa muito antes da agressão física. Começa no abuso psicológico, na humilhação e no comportamento vexatório", detalhou. Siga o g1 Piracicaba no Instagram 📲 "A mulher que se cala, o silêncio mata. O melhor é sempre a denúncia, prioritariamente", completou a delegada. Olívia lembra que denunciar esses casos é fundamental para sair do ciclo de violência. "Tem que procurar a delegacia, tem que denunciar. Se não quiser procurar a delegacia, pode ligar no 180, pode fazer via DDM online. O que interessa é comunicar essa violência". Olívia dos Santos Fonseca, delegada titular da DDM de Piracicaba Edijan Del Santo/ EPTV Perfil de vítimas Mulheres pardas são maioria e a maioria das vítimas tem entre 21 e 45 anos. Com destaque para faixa etária de 26 a 30 anos, foram 2.086 ocorrências registradas. Ainda segundo números extraídos do Painel sobre Vítimas da Violência Doméstica da SSP nas regiões de Piracicaba e Campinas (SP), a relação entre as vítimas e os agressores também inclui parentes, amigos e conhecidos. Agressores conhecidos Segundo os dados, a maioria dos casos envolve agressores que têm ou tiveram relacionamento amoroso com as vítimas, casamento, união estável e namoro. No topo da lista, a ameaça foi a violência mais relatada, com 4 mil casos. Depois, calúnia, difamação ou injúria, com quase 3 mil. Lesão corporal dolosa aparece em terceiro, com quase 2.600 registros. Perseguições foram 1.500, danos 457 e descumprimento de medida protetiva de urgência, com 433. DDM de Piracicaba Divulgação/ GCM de Piracicaba Mulher fez nove boletins de ocorrência Moradora de Nova Odessa (SP), Lucia Simões Batista foi vítima de violência doméstica por várias vezes. Ela namorava o agressor e a primeira lesão corporal aconteceu no sexto ano do relacionamento. “Foi soco no olho, puxando o cabelo e soco nos locais do meu corpo”, relatou. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Lucia contou que o agressor não falava o motivo pelo qual a agredia. Em três anos foram nove boletins de ocorrência, por ameaça, por calúnia e agressão física. Em julho do ano passado, ela conseguiu uma medida protetiva contra o ex, que está solto. “Quando ele agredia, ao mesmo tempo, ele me chamava de vagabunda, mandava eu ir atrás de outro homem, porque eu não servia mais para ele e me chamava de covarde. Sempre me investigava. Falava que se eu registrasse um B.O, seria morta. Mesmo assim registrei, porque eu não aguentei mais. Foi aí que deram uma medida protetiva", contou. Três medidas protetivas por dia DDM de Piracicaba registra três medidas protetivas por dia e delegada admite sobrecarga A Delegacia de Defesa da Mulher de Piracicaba (SP) registrou 1,1 mil pedidos de medida protetiva em 2025, o equivalente a três por dia, segundo a delegada responsável pela unidade, Olívia dos Santos Fonseca. A informação foi passada durante evento para a assinatura do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, na Câmara de Piracicaba no dia 18 de março de 2026. "Temos um grande fluxo na DDM de Piracicaba. Imaginem só: 1,1 mil pedidos de medida registrados, fora os pedidos de prisão, os pedidos de preventiva, os pedidos de busca e apreensão, os crimes sexuais. Então, é uma unidade sobrecarregada. É uma unidade que precisa, sim, de uma atenção", disse. Conforme o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), do total de medidas solicitadas em Piracicaba no ano passado, 953 foram concedidas, 22,5% a mais do que em 2024. Números de medidas concedidas na região de Piracicaba Pacto Nacional Contra o Feminicídio O Pacto Nacional contra o Feminicídio foi assinado com a participação da ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O documento cobra celeridade nos processos relacionados à violência contra mulheres e reforça medidas como funcionamento contínuo das delegacias especializadas, ampliação das políticas municipais e orientação para uso do Ligue 180. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/05/07/violencia-contra-mulher-cresce-na-regiao-de-piracicaba-e-delegada-alerta-comeca-muito-antes-da-agressao-fisica-silencio-mata.ghtml


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